quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Amanhã 2009

Nesse nosso calendário cristão do ocidente, amanhã será um novo ano. Entretanto, para judeus e árabes o ano novo tem uma data totalmente diferente. Os budistas, taoístas e a diversidade hindu também usam outras datas. Comercialmente, no entanto, esse mesmo calendário usado por brasileiros e demais cristandade ocidental acaba predominando como referência, dado o domínio econômico baseado no eixo anglo-saxônico.

Discussões à parte, desejo ao nobre leitor deste blog um feliz ano novo. Tal que ano novo signifique uma nova oportunidade de recriar as motivações para a construção de um mundo interno mais saudável, o que significa a esperança de um mundo externo mais pacífico.

A quem Gino e Geno mais o padre devem agradecer

Adolescentes do sexo masculino odeiam a missa. Em quase sua totalidade.

Adolescentes do sexo masculino odeiam Gino e Geno. Ou ao menos gostam até certo momento e depois passam a odiar.

As missas estão lotadas de adolescentes do sexo masculino. Ao menos nos locais onde se gosta de Gino e Geno isso é verdadeiro.

Os shows de Gino e Geno estão lotados de adolescentes do sexo masculino. Ao menos nos locais onde as missas estão lotadas, a premissa é verdadeira.

A quem o padre e também Gino e Geno deveriam agradecer?

Às adolescentes do sexo feminino? No caso específico de Gino e Geno, como diz a música que eles mesmos cantam, além da mulher deveriam também agradecer à bebida?

Resta saber por qual razão as adolescentes do sexo feminino gostam de ir à missa e ao show de Gino e Geno. A missa, vá lá, tem uma série de fatores sociais. Gino e Geno, pelo amor de Deus, em suas letras tratam a mulher como o mais rasteiro objeto de consumo. Mas mesmo assim, acredite se quiser, recebem uma horda de mocinhas que dançam animadas ao som de "Bebo pa carai".

O que sempre elas dizem: até que tem aquele "ritmo gostoso" de rodeio, ambiente para dançar e experimentar os beijos. Hum, peraí. Os beijos!

E se os meninos não fossem ao show de Gino e Geno? Não haveriam os beijos!

Se os meninos não fossem ao show de Gino e Geno, apesar de lamentavelmente acabarem sendo taxados de mariquinha, será que trariam a falência indubitável à dupla sertaneja, que perceberia a triste sina de ter audiência só por causa dos beijinhos?

Calma, o raciocínio acima pode estar completamente errado. Porque na missa não há beijinho e nem bebida e nem dança.

Mas tem a paquera!

Paquera na missa pode trazer como conseqüência beijinho no Gino e Geno? Se isto for verdade, eis uma das explicações possíveis para o grandioso fenômeno do homo sacrus-profanus que vê-se hoje em dia. Ou também para aquele fenômeno de transformar a letra de "beber, cair e levantar" em "adorar, louvar e rezar", mantendo ritmo e melodia.

Pois é. Paquerar, beijar, ficar, agarrar e tudo o mais. São todos farinha-do-mesmo-saco do fantástico e natural mundo da caça ao sexo.

O engraçado é pensar que missa e Gino e Geno são palcos perfeitos para a estratagema. "Estratagema do cão", diria o padre, "mas se é para vir à missa, tudo bem", completa. Ou seja, o estratagema do cão é ir à missa? "Não", diriam Gino e Geno, "estratagema de Deus, ajudando a nóis e nossa família, uai. Nóis levando a alegria e a boa música".

É, caros padre e Gino e Geno... No fundo ninguém liga para o que vocês dizem: só querem uma desculpa para se aproveitar da grande aglomeração na esperança de satisfazer as sagradas escrituras da bíblia hormonal. E quem paga o preço é o coitado que não agüenta mais o hino desafinado da igreja e a falta de boas opções culturais na praça...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Lembrando 2008 - Melhores restaurantes

Nem só de pão vive o homem. Mesmo assim, vai abaixo uma lista dos lugares onde mais gostei de comer. Absolutamente não se trata de um guia gastronômico e os locais algumas vezes estão longe de ser os melhores. Mas podem servir como dica para quem estiver por aí afora. Também, como sou um pé-rapado, dificilmente eu conheceria alguns dos listados abaixo se não fosse pelo generoso convite dos grandes amigos.

Creperia La Capannina (ótimos crepes e mesa de queijos, na inolvidável companhia de José Araújo e Diana Araújo), Recife, Brasil

La Gondola (boa pizza, ótimo antepasto) Ponta Negra, Natal, Brasil

Il Pagliaccio (ótimas massas, peça aqui um excelente Chianti toscano, em pleno West London, na companhia de Amanda Hart e Jacopo Garofalo), Londres, Reino Unido

Casa Braz (excelente pizza, na companhia de Filipe Luna - TV Cultura), Alto de Pinheiros, São Paulo, Brasil

Macunaíma (o melhor self-service em que já comi, na companhia do poeta Luis Geraldo Falcão), Recife, Brasil

SeaFood Café (vulgo "sifu": excelente sopa, o resto nem tanto), St Ives, Cornualha

The Orchard (excelente chá da tarde no bosque preferido de Virginia Woolf e Bertrand Russell, na companhia de Guilherme Luna e Leonardo Luna), Grantchester, Cambridge, Reino Unido

Le Café de La Plage (ótimo café da manhã parisiense), Paris, França

Café & Arte (ótimas massas, destaque para o nhoque de mandioquinha, na companhia da alta tecnologia de Campinas: Jo Ueyama, Nelson Uto, Sergio Sakai, Emerson Takahashi e Liliana Periotto e do professor da UFABC Roldão da Rocha), Barão Geraldo, Campinas, Brasil

La Vecchia Signora (bom restaurante italiano, mas preço abusivo, na minha própria companhia), Tivoli Gardens, Copenhagen, Dinamarca

Restaurante Peixe na Telha Porto de Galinhas, Brasil

Cantina do Gigio (excelente massa verde e antepastos, na companhia de Maria José Luna e Marcos Nazareno Luna), Jardins, São Paulo, Brasil

Azzurro (um restaurante italiano que me surpreendeu, custo/benefício muito bom, na companhia de Rejane Leimig e André Tognoli), Londres, Reino Unido

La Tasca (ótimo restaurante espanhol em plena Inglaterra), Cambridge, Reino Unido

Pizzaria Forno a Lenha (boa pizza, na minha própria companhia), Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil

The Turf Tavern (ótimo pub, com um excelente risoto de legumes, na companhia de Joseph Colon e Edith Losada), Oxford, Reino Unido

Tate Britain Café (ótimo chá inglês, na companhia de Amanda Hart), Londres, Reino Unido

Strada (excelentes massas, Guilherme Luna e Leonardo Luna), Cambridge, Reino Unido

Maison do Bonfim (ótimo restaurante franco-brasileiro em pleno alto da Sé de Olinda), Olinda, Brasil

The Anchor (um excelente pub inglês, com ótimos pratos), Cambridge, Reino Unido

The Eagle (excelente pub inglês de 1525, onde foi descoberto o DNA, na companhia de Guilherme Luna, Leonardo Luna), Cambridge, Reino Unido

Obs.: Sobre a descoberta do DNA no The Eagle, leia o artigo na Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Eagle_Pub

domingo, 28 de dezembro de 2008

Dicas de países baratos

Depois de viajar para a Índia e perceber que meu dinheiro rendia muito naquele país (comprei por exemplo uma caixa de mármore da Cachemira, com pinturas rústicas e muito bonitas, por apenas 100 rúpias, o equivalente a 2 dólares), decidi fazer uma pesquisa sobre os lugares mais baratos para se viajar. Ontem, no sítio da revista Viagem, encontrei uma série de informações interessantes neste sentido. Disponibilizo abaixo, com base na matéria da revista, uma lista de países muito baratos e ao mesmo tempo com belas atrações turísticas. A lista é feita baseada no livro inédito The World's Cheapest Destinations (Os Destinos Mais Baratos do Mundo), e da entrevista realizada com o autor Tim Leffel.

Dos 21 lugares que constam do livro, foram escolhidos sete imperdíveis - onde gastam-se de 10 a 50 dólares por dia tranqüilamente. Luiz Jurandir Simões, economista e professor da Universidade de São Paulo, afirma que, mesmo para nós, brasileiros, com reais no bolso, os destinos são uma pechincha. "Todos eles têm mão-de-obra mais barata e infra-estrutura mais modesta", diz. Se você ainda não se convenceu, confira os preços: ficar em um bangalô à beira-mar em Bali custa 8 dólares; um jantar de classe em Marrakesh sai a 35 dólares; e, na Turquia, para um bilhete de trem em primeira classe, guarde 33 dólares.

A lista dos sete países, com respectivas informações está abaixo:

Indonésia

Tailândia

Turquia

Marrocos

Laos

Bolívia

Guatemala

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cidadão Kane e além

A Cahiers du Cinéma, publicação francesa considerada uma das mais importantes críticas do cinema mundial, publicou neste ano um livro em que elege os cem filmes obrigatórios em qualquer cinemateca. Foram reunidos cerca de setenta críticos, diretores e outros profissionais ligados à sétima arte para a escolha das produções.

O melhor filme escolhido foi "Cidadão Kane" (1941), estrelado e dirigido por Orson Welles. À época, Welles tinha apenas 25 anos e já tinha se tornado famoso em 1939 ao transmitir por rádio a invasão dos marcianos aos EUA, narrando "Guerra dos Mundos", de H. G. Wells, como se fosse uma história de verdade e ao vivo.



Em 2007, a American Film Institute já tinha feito uma lista dos cem melhores filmes estadunidenses de todos os tempos.

E aí está: "Cidadão Kane" também figura como melhor filme nesta lista da AFI.

Conclusão: mesmo que você conheça o filme e discorde das listas, assim como eu discordo, é incontestável o resultado de uma pesquisa estatística bem elaborada, que resumiria a opinião de muitos. E ainda mais se existem duas pesquisas, no caso as listas citadas. Logo, apesar de "Cidadão Kane" não ser o filme da minha vida, considero o resultado da lista válido.

Vamos ao filme em si: acho-o extraordinário, cinco estrelas, e aborda um tema de vital importância, que é o das gigantescas conseqüências que a manipulação da mídia pode gerar sobre a sociedade e sobre o indivíduo que cria tal manipulação.

O filme, dado o seu espírito ousado e perturbador, acabou não levando o Oscar. Levou o de melhor roteiro, incontestavelmente o melhor roteiro já escrito para o cinema até aquele momento. Complementarmente, "Cidadão Kane" faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüências sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática, algo tecnicamente revolucionário para a época. Tudo isto certamente cegava as produções concorrentes, mas mesmo assim não garantiu a estatueta nua, o que mostra que o Oscar desde então já havia se tornado um prêmio no mínimo desconfiável.

O roteiro, co-escrito por Orson Welles, é magnífico e conta a história de um menino pobre, mas ambicioso, Charles Kane, que abandona os pais para se tornar filho adotivo de um banqueiro milionário. Na maioridade herda os negócios do "pai"e decide se embrenhar num dos menos rentáveis, que é um jornal sem muita fama. Por meio de diversas manobras agressivas e populistas consegue transformar seu veículo de comunicação no mais influente e no mais manipulado. Por conseqüência Kane percebe que tem o "mundo a seus pés" e decide usar isto para entrar com força na cena política. O personagem central vai, aos poucos, perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos. Pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.

Também, a trajetória de Kane foi comparada a partir de então com a de muitos políticos e empresários da imprensa. O Brasil teve um verdadeiro cidadão Kane em Assis Chateaubriand. Coisa mais recente, a BBC de Londres faz a comparação entre Kane e Roberto Marinho, falecido dono da Rede Globo. O documentário é conhecido como "Além do Cidadão Kane". Foi produzido em 1993, motivado pela vitória de Fernando Collor em 1989, quando ganhou as eleições para presidente após uma manipulação maciça engendrada pela Rede Globo. Nunca tal documentário foi veiculado na televisão brasileira: foi proibido judicialmente. No entanto, aqui temos nós os dourados dias de internet. E abaixo repasso para vocês o documentário na íntegra.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Lula, o décimo oitavo passageiro

Newsweek: Lula é 18ª pessoa mais influente do mundo
Agência Estado, 22/12/2008

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, figura como a 18ª pessoa mais influente do mundo numa lista elaborada pela revista americana Newsweek para delinear a nova estrutura de poder global. Na edição com data de 5 de janeiro de 2009, o periódico publica reportagem especial sobre a ascensão de Barack Obama ao posto de pessoa mais influente do mundo e aponta os 49 políticos, grupos e personalidades com mais potencial de destaque durante o mandato do próximo presidente americano.

Ao justificar a escolha de Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a Newsweek escreve que, "depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003", o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes. Encabeçada por Barack Obama, a lista da Newsweek conta com o presidente da China, Hu Jintao, em segundo lugar, e o da França, Nicolas Sarkozy, em terceiro.

Os quarto, quinto e sexto lugares são ocupados, na ordem, pelos presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão - Ben Bernanke, Jean-Claude Trichet e Masaaki Shirakawa, respectivamente. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, aparece em sétimo lugar, seguido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo chefe de governo da Rússia, Vladimir Putin. O décimo lugar é ocupado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita.

Lula aparece à frente de figuras como o papa Bento XVI (37º), o milionário saudita no exílio Osama bin Laden (42º) e o dalai-lama (46º). No texto de apresentação, a Newsweek admite que a elaboração da lista é "altamente subjetiva e arbitrária", mas assegura que as escolhas foram cuidadosamente avaliadas e representam a tendência do novo equilíbrio de poder no mundo. As informações estão no site aberto da Newsweek.

Reforçada a idéia de vida fora da Terra

Existe um ramo da ciência chamado Exobiologia, que é o estudo da vida além daquela encontrada no planeta Terra. Como não existe de fato evidências concretas sobre vida inteligente fora do nosso orbe, o principal foco atual desta área é a avaliação de microorganismos provindos de meteoros ou outros objetos extraterrestres.

As notícias que um exobiólogo analisa com cuidado são mormente aquelas relacionadas à descoberta de água ou dióxido de carbono em sistemas fora da Terra.

Por exemplo, quando se descobre gelo em Marte, ou nas luas Titã ou Europa, um fôlego a mais surge nas pesquisas, já que água ou carbono sempre podem ser relacionados à existência de vida (pelo menos "vida" conforme o conceito pré-estabelecido para a palavra).

Há exatas duas semanas, foi anunciada a descoberta de dióxido de carbono em um planeta quente fora do nosso sistema solar. A estrela está a 63 anos-luz da Terra, a descoberta foi feita pelo telescópio Hubble e anunciada pela NASA, e o planeta está bem próximo da estrela e tem o tamanho aproximado de Júpiter.

O planeta em si é quente demais para conter vida - cerca de 1.000 graus Celsius na superfície. Mas os astrônomos disseram que as observações são a demonstração cabal de que a química básica para a vida pode ser mensurada em planetas que orbitam outras estrelas.

Em março, eles já haviam achado ingredientes do metano no planeta, um dos cerca de 300 já localizados em torno de outras estrelas. Também há sinais de vapor d'água nesse lugar.

O nome de classificação do planeta é HD 189733b. Acima e à direita você pode ver uma concepção artística. Para ler mais sobre o assunto:

http://www.nasa.gov/mission_pages/hubble/science/hst_img_20080319.html

Nelson Freire e o Prêmio Gramophone

O prêmio Gramophone (veja link na minha lista à esquerda de links de premiações da música erudita) é considerado o Oscar da música.

Em geral os grandes maestros de música erudita consideram as gravações de obras de música clássica como filmes longa-metragem da história do cinema, onde se exige um imenso trabalho técnico, profissionais de escol e trilhões de ensaios e tomadas. Estes maestros respeitam o repertório de música popular, mas comparam estas obras aos filmes de curta-metragem, que são pequenos mas não por isso obras menores.

Não sei se compactuo desta opinião. Música, assim como todas as outras artes, é algo difícil de julgar. Minha opinião é a que se você gosta de determinada obra, seja erudita ou popular, então ponto final, nada mais a discutir.

Mas que a música erudita é trabalhosa é inconteste. É como um teorema matemático. Um teorema matemático não significa necessariamente algo espetacular. Mas quando bem empregado é capaz de criar por exemplo a física quântica e por conseqüência este computador que faz com que o leitor observe este texto neste exato momento.

Como eu estava dizendo, o prêmio Gramophone é considerado o Oscar da música. No ano passado, o disco que o levou foi o "Nelson Freire e Orquestra Gewandhaus", pelo selo Decca, com a gravação dos concertos para piano de Brahms.

Abaixo apresento um trecho do documentário de João Moreira Salles (2003) sobre a gravação do concerto número 2 de Brahms por Nelson Freire. Veja a dificuldade técnica e aprecie como é sofisticado o som, assim como os melhores teoremas matemáticos do mercado.

Nelson Freire é brasileiro, de Minas Gerais, e atualmente considerado um dos melhores pianistas do mundo e já trabalhou com regentes de renome como o compositor Pierre Boulez (França), e os diretores musicais Lorin Maazel (EUA) e Kurt Masur (Alemanha). Ele tem até um sítio no portal da gravadora Decca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Curiosidades sobre Josef Mengele no Brasil

Estou passando um tempo na cidade de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, quase na fronteira com o Paraguai. Aqui é uma colônia alemã fundada pelos idos de 1950. Dizem que Josef Mengele, o famoso carrasco nazista, ficou por aqui por um tempo, quando estava se escondendo do Mossad, o serviço secreto israelense. Fiquei curioso e fui buscar algumas informações:

1. Mengele nasceu na Baviera, em Gutzburg, entrou no partido nazista em 1938 e foi médico do campo de concentração de Auschwitz, Polônia. Tinha umas idéias malucas que tentavam provar que Hitler e todos os seus asseclas tinham razão ao dizer que os alemãs eram arianos, portanto uma "raça" superior e que os judeus, juntamente com os negros, faziam parte da "raça" mais inferior de todas. Daí abria a cabeça de um judeu sem anestesia e observava as reações, inventou essa tal de câmara de gás e uma dezena de remédios malucos e venenosos para serem ministrados sadicamente.

2. Já Hitler inventou, ou melhor dizendo reinventou, aquele símbolo da suástica porque de fato a suástica é um emblema sagrado daqueles arianos que moraram na Índia e na Pérsia há 5000 anos atrás. O que Hitler não sabia é que os verdadeiros arianos eram do Kasaquistão, foram morar na Índia, Pérsia e Turquia. Muitos judeus se misturaram aos arianos durante o cativeiro na Babilônia. Por outro lado, as etnias teuto-saxônicas nada tem a ver com os povos das estepes arianas. Conclusão: os judeus são mais arianos que os alemães. Resta agora saber se o suicídio de Hitler ocorreu no momento em que ele descobrira este paradoxo, ainda por cima conectado àquele fato de que nas Olímpiadas de Berlim os negros sempre ganhavam dos loiros em todas as competições, incluída a competição para ver quem tinha a maior vara de salto. Ou será que foi simplesmente, segundo a versão corrente, porque ele estava com medo dos soviéticos? Medo de quê? Algo além do medo de ser prisioneiro? Hum... É, os soviéticos eram os mais arianos dos arianos e estariam chegando a Berlim para reinvidicar o fato e portanto provocariam humilhação generalizada; portanto era melhor não ver este dia chegar e logo "matar-me-ei", pensou Hitler com seus botões, "judeu ou russo algum ver-me-á dando o braço a torcer: aufwiedersehen munda cruel".

3. Em 1960 Mengele chegou ao Brasil, após passar algum tempo no Paraguai e anteriormente na Argentina. Talvez por essa época ele tenha passado por Marechal Rondon. Antes ele morava numa colônia alemã do Paraguai, vulgo perfume de Koln falsificado, chamada Hohenhau, ficou preocupado que o Mossad o descobrisse, o que acarretaria alguns problemas dado o conhecimento inconteste dos métodos "amigáveis" do serviço secreto israelense e decidiu vir para o Brasil.

4. No seu diário, Mengele, que agora era paraguaio, conseguindo cidadania paraguaia através do próprio Strossner, disse à sua esposa que uma vez em solo brasileiro era melhor se separarem, já que ela não merecia ser esposa de um homem procurado por todos os serviços secretos do mundo. Esperto esse Josef: percebeu que poderia brincar de médico com os descendentes femininos da raça da tribo dos bundos e provar de uma vez por todas que ele, autêntico ariano paraguaio, era capaz mais uma vez de utilizar seu instrumento médico, agora nas cobaias subdesenvolvidas de terra brasilis.

5. O objetivo de Mengele era chegar ao estado de São Paulo. Antes ele deve ter feito um tour pelo oeste do Paraná: tomou sorvete em uma das milhares de sorveterias de Marechal Rondon, utilizou-se de seu instrumento médico milhares de vezes em Umuarama, vulgo Umulherama, comprou calça jeans em uma das trilhões de lojas de roupa de Cianorte, cheirou uma na Coca-Mar de Maringá, conheceu uns ingleses paraguaios em Londrina e finalmente cruzou a fronteira para São Paulo, antes tomando conhecimento da famosa família Massafera de Jacarezinho, principal distribuidora de produtos BBB falsificados num negócio da China.

6. Na diocese de São Carlos, na longíqua cidadezinha de Nova Europa, ficou numa fazenda de uns alemães. Mentiu dizendo que era lavrador e foi trabalhar na enxada com o nome falso de Fritz. Desconfiaram que ele mentia porque um dia pegaram ele ouvindo Mozart. Que diabo de lavrador é esse que não gosta de Gino e Geno, Victor e Leo, Calypso e Créu? Fritz, fora da minha fazenda já!

7. Fugindo desesperado, foi morar na casa de uns conhecidos alemães em São Paulo. Nessa época dizem que ele estava tão ansioso que ficava mordiscando o próprio bigodão. Ocorreu que todo dia ingeria uma porção do seu prato preferido, ou seja, o seu próprio bigode, e seu intestino ficou obstruído por um bolo de cabelos, causando grande dor e desconforto. Como ele tinha medo de ir ao hospital, aturou a dor por muito tempo, ficou severamente doente. Um conhecido o levou para o pronto atendimento. Nessa época Mengele já possuía passaporte brasileiro, falsificado com suas próprias mãos: ele colara uma foto sua por cima da de um alemão naturalizado brasileiro de 45 anos. No entanto, Mengele tinha 60 anos, e após apresentar o passaporte na recepção, causou desconfiança em todo o hospital. O médico responsável foi chamado. Depois de algumas explicações, aceitaram que fosse internado: a incrível justificativa foi que na confecção do passaporte a Polícia Federal havia cometido um erro de quinze anos na data de nascimento. "Como o Brasil é perfeito!", pensou Mengele.

8. Durante a sua velhice, Josef recebeu em São Paulo a visita do filho adolescente, Rolf, que morava na Áustria. Todos na Áustria sabiam que Rolf era filho do carrasco nazista, e portanto é fácil de imaginar quão sinuosa deve ter sido a adolescência do garoto. Provavelmente os amiguinhos do menino deveriam xingá-lo da seguinte forma: "Rolf seu filho da... Seu filho de Mengele!". Segundo as memórias de Rolf, o principal tema das conversas que os dois tiveram em São Paulo foi: "pai, como é que o senhor acreditava nessa balela de raça superior?" Ao que Josef respondia: "filho, não é balela, é a mais pura verdade: somos descendentes puros dos arianos, que sobreviveram à morte de Atlântida e recuperaram o anel nibelungo por meio de Sigfried, e que nas noites de natal firmemente esperam a chegada do bom velhinho e seus duendes verdes, que insisto em dizer, não são os mesmos das aventuras do homem aranha, e sobretudo choramos quando o coelhinho da páscoa esquece de nos trazer os gostosos ovinhos de chocolate".

9. Em 1979, após pensar milhares de vezes em se suicidar, Mengele viajou com uma família amiga para a praia de Bertioga. Dizem que ficou na praia a olhar para o horizonte e dizer: "para lá está a minha querida Alemanha". Depois entrou na água, e ninguém sabe porque foi nadando, nadando, caiu numa corrente forte e se afogou. Pediu socorro, correram atrás, socorreram, mas já era tarde, tinha engolido muita água e morreu. Foi enterrado secretamente em Embu das Artes, imaginem só, aquela cidadezinha que tem uma feirinha de artesanato. Só em 1985 descobriram o corpo. O pessoal da Unicamp fez a exumação e constatou que aquele era mesmo o corpo de Mengele. Em 1992 fizeram um exame de DNA confirmando a constatação anterior.

10. Resta saber como o Mossad, o serviço secreto mais eficiente do mundo, nunca conseguiu chegar a Mengele. (Se chegasse, meu amigo, seria um créu generalizado, sem direito a cadenzas mozartianas.) Este é um grande mistério e sou incapaz de imaginar uma resposta. Dizem que Josef sempre tinha identidade falsa, andava sempre por pequenas colônias alemãs, subornava aqueles que por um acaso descobrissem sua verdadeira identidade e chegou mesmo a se esconder numa favela. Sofreu como um cão, ficou doente centenas de vezes, morreu de uma maneira indigna para os moldes de honra do partido nazista.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O incrível refrigerante preto que ninguém sabe do que é feito


Sucos Kapo

Sprite

Fanta

Nestea (por incrível que pareça)

Burn

Kuat

Aquarius Fresh

Minute Maid Mais

Schweppes

E mais

Dasani, Taí, Mate Leão, GuaraPower

E "naturalmente"
Coca-Cola
Coca-Cola Zero
Coca-Cola Light

Eis a grande e surpreendente família da empresa que fabrica o misterioso refrigerante preto. Não preciso mostrar estatísticas para afirmar com total razão que a maior parte da bebida consumida durante os almoços brasileiros provém da família acima.

Nada contra empresas de refrigerantes que queiram vender os seus produtos lotados de aditivos químicos de efeito duvidoso sobre o organismo humano.

O que não me cheira muito bem é a querida The Coca-Cola Company. Desde há muito tempo já não gosto de refrigerantes e sucos artificiais (como esse nosso Kapo, versão atualizada e líquida do antigo pozinho de tinta Ki-Suco). Mas meu desconfiômetro pipocou quando fiquei sabendo que queriam acabar com uma bem sucedida barraquinha de sucos lá na universidade onde estudo. E quem estava investindo no assunto era a própria reitoria da universidade. O argumento era que sucos naturais, como não são industrializados, poderiam se estragar e causar danos à saúde do consumidor. E depois descobri que a nossa Coca-Cola do Brasil estava por trás do lobby. Por que será? Sucos feitos na hora capazes de provocar danos à saúde?

Semana passada percebi pasmo que em todas as mesas de um restaurante onde almocei estavam garrafas de Coca-Cola vazias. Será isto "natural"?

Não emitirei juízo. Nem ficarei evocando aqueles velhos boatos de desentupir pia com Coca-Cola. Só não venha me dizer o nobre capitalista que a presença da Coca-Cola significa livre mercado. Se livre mercado e monopólio forem a mesma coisa, jogo a toalha. E você, meu caro amigo socialista, anarquista, judeu, árabe, católico, ateu, neonazista, pastor da igreja universal do reino de deus: por que ainda bebes o tal do incrível refrigerante preto que ninguém sabe de que é feito?

É, eu já sei a sua resposta: "porque é gostoso".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Andando por Campinas 2

No tópico anterior perguntei se Campinas seria uma cidade encantadora. E minha opinião é que ela está longe de o ser.

Campinas é grande. Tem diversas atrações culturais. Mas é difícil por exemplo saber sobre estas atrações através da internet por exemplo. Não existe um órgão que divulgue amplamente o que está acontecendo. Existem espaços individuais como o CPFL. Mas a última vez que rodei procurando uma agenda cultural, há dois dias para ser mais exato, foi difícil encontrar.

Existe todo um potencial. Mas cidade grande dificilmente consegue ser encantadora no Brasil. Porque problemas sociais acabam se acumulando aleatoriamente. E a cidade fica feia, maltratada pelo crescimento descontrolado. Isso é difícil para qualquer governo, ainda mais se existe má vontade política e desorganização comunitária.

Vejo no entanto uma nesga de brilho nessa situação, ao menos para Campinas.

Certo, Campinas é grande, mas não é tão caótica quanto São Paulo. Portanto existiria uma flexibilidade maior de lidar com situações adversas. É... No entanto, dizem que Campinas consegue unir as dificuldades das cidades grandes com a mesquinhez das cidades pequenas. Aparentemente parece um comentário injusto. Mas Campinas, fruto de fazendas de grandes barões, dos escravos que ali trabalharam, mais os italianos que chegaram para trabalhar depois, acabou se transformando em um local de certa intolerância social. E por isso o comentário sobre "mesquinhez de cidade pequena" talvez caiba. O campineiro descedente de italiano criou em sua mente o fato imaginário de que Campinas é Milão. As conseqüências disto são muitas, mas não ousarei ficar tergiversando sobre o assunto. Basta opinar por enquanto sobre se esta nossa cidade tem ou não tem um promissor futuro.

Para tanto, deixem-me contar rápido fato. Andando por estes dias pelas ruas do centro me deparei sem querer com o antigo pátio ferroviário da cidade. Está bem do lado da nova-gigantesca-polêmica rodoviária. É um pátio com mais de 15 km2, porém totalmente desativado. Um museu a céu aberto, palco da exportação do café no fim do século 19 e início do século 20. Tijolinhos empilhados sem sentido, trilhos enferrujados e locomotivas sucateadas. Depois que houve aquela opção pelo transporte rodoviário, quando o café já não era mais a estrela paulista, quando as pessoas começaram a ter o seu carrinho, pobre do trem que foi parar na sucata. Para alguém que não sabe o que existe nos bastidores, parece uma situação perdida. Mas eis os bastidores, e eis o porquê de eu acreditar que há uma nesga de brilho: em 2005 Campinas foi palco do lançamento do programa "Brasil Ferrovias", inaugurado pelo presidente Lula. Com previsão de transportar 3 mil pessoas por hora (ou 17 milhões por ano), o projeto é orçado em US$ 11 bilhões. O novo meio de transporte terá organização a partir de representantes de empresas e do governo do Japão e pensa-se na implatação de um tal de trem bala entre Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro.

A viagem sem paradas de Campinas a São Paulo levaria 24 minutos. De São Paulo ao Rio, 80 minutos, tempo inferior ao gasto em uma viagem de avião (em média 90 minutos, incluindo o check-in). De ônibus, a viagem dura sete horas. Na opção do trem com seis paradas em várias cidades, o trajeto completo duraria pouco mais de duas horas.

A motivação principal para a passagem por Campinas é transportar passageiros entre os aeroportos de São Paulo e o de Viracopos. E poderia gerar muitas conseqüências, como por exemplo transformar Campinas em uma cidade modelo no Brasil para criar talvez uma futura indômita mania por transporte ferroviário neste nosso gigantesco país dominado por asfalto.

Pensei em tudo isto agora que acabei de assistir a um concerto de Natal nesta mesma Campinas dos comentários anteriores. Um concerto com crianças nas janelas da sede do jóquei clube. Longe de ter a magia dos corais do Kings College de Cambridge. No entanto eis mais uma atração que com insistência pode criar uma futura tradição cultural de qualidade. Misture estes dois ingredientes, o de uma cultura de qualidade nascente e o de promissor sistema de transporte, à organização social, divulgação correta da agenda, entusiasmo por comparecer e um pouco de humildade dos campineiros com alma milanesa, que eis que vejo uma luz no fim do túnel.

Já não moro em Campinas. Nem sei onde moro para dizer a verdade. Mas bastou uma andança de trinta minutos pelo centro desta cidade para criar uma pequena comoção misto de nostalgia e desejos de prósperos anos novos.

Andando por Campinas 1

Campinas é um daqueles lugares que está tentando a todo custo se transformar em cidade encantadora.

Sim, é a cidade de Carlos Gomes, da Unicamp, possui um dos maiores shoppings do Brasil (o Pátio Dom Pedro) e um complexo industrial/empresarial gigantesco (Nextel, IBM, HP e por aí vai).

Com vários arranha-céus, tem cerca de dois milhões de habitantes. Ou mais, segundo um taxista engraçado, que me disse que o IBGE nunca conta os campineiros que moram em bairros mais afastados e que Campinas tem mais de 12 milhões de habitantes. É, de fato o número de condomínios fechados que existem pelas redondezas não é brincadeira. Muita gente rica que vem não sei de onde. Estão querendo até derrubar uma mata antiga (a Mata de Sta Genebra) para construir condomínio fechado. Absurdo, né? Mas para as grandes empreiteiras nada parece absurdo. Se ainda não existem os 12 milhões, já já chegaremos a esse número depois que derrubarem a Mata (500 mil ricos em seus condomínios, mais 11,5 milhões de pobres em suas favelas construídas via invasões)...

Mas Campinas consegue ser encantadora?

Acho que está longe.

Explico-me no "Andando por Campinas 2".

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Chuvas catarinenses têm relação com efeito estufa?

Eu tinha ouvido falar de chuvas em Santa Catarina. Como tenho assistido quase nenhuma televisão, fiquei um pouco por fora. Há dois dias, no entanto, resolvi assistir a telejornais de três emissoras. Fiquei chocado com as imagens. Pessoas mortas, 95% da população sem água, casas destruídas, desabrigados, ruas transformadas em rios, barreiras despencando, vazamento de gás combustível, etc. Uma situação no mínimo calamitosa. Os prejuízos estimados são de 600 milhões de reais. O presidente Lula está liberando cerca de 1 bilhão para Santa Catarina e mais alguns milhões para o Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, que também sofreram com a chuva. Esta é a hora de pensar em solidariedade. No entanto, também é importante procurar as causas para uma chuva tão intensa, haja vista que a repetição de fenômenos como este acabarão por tirar mais vidas e causar novo prejuízo econômico.

O que causou a chuva? O efeito estufa tem alguma relação?

De acordo com a análise dos meteorologistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), esta intensa chuva tem sido causada pelo estabelecimento de um bloqueio atmosférico no oceano
Atlântico que se formou durante a semana passada. Este bloqueio, que teve associado um intenso anticiclone sobre o oceano, favoreceu a intensificação dos ventos de quadrante leste e nordeste sobre a costa leste de Santa Catarina e do Paraná. Por outro lado, o bloqueio também tem associado um sistema de baixa pressão (vórtice ciclônico) em altitude (entre 4.000 m e 5.000 metros) que, nesta oportunidade, ficou estabelecido entre o leste de SC e o leste do PR.

A combinação
destes dois fatores, o vórtice ciclônico em altitude e o intenso anticiclone em superfície, favoreceu a intensificação das chuvas sobre Santa Catarina. A persistência desta situação meteorológica fez com que o fenômeno tenha sido ainda mais significativo devido aos grandes volumes registrados ao longo deste período.

Algumas pessoas do próprio CPTEC, como o Prof. Carlos Nobre (que participa do painel da ONU de mudanças climáticas, órgão ganhador do prêmio Nobel da Paz do ano passado),
frisa que as chuvas tem forte associação com o efeito estufa. "Isso é uma demonstração do que as mudanças climáticas são capazes, mesmo num estado como Santa Catarina com o melhor sistema de Defesa Civil do Brasil”, disse o especialista do INPE em palestra proferida no Seminário Franco-Brasileiro de Mudanças Climáticas, ocorrido na Universidade de Brasília no último dia 25 de novembro.

Apesar da opinião acima, nada prova que as chuvas de Santa Catarina tenham ocorrido como resultado das mudanças climáticas (tais mudanças ocorrem devido ao aumento de CO2 e outros gases estufa na nossa atmosfera). Acredito que a opinião do Prof. Carlos Nobre é apenas ilustrativa, mas mesmo assim válida. Digo válida porque o principal resultado das mudanças climáticas é a intensificação de fenômenos como chuvas, ciclones ou secas, dependendo da região. Um aumento de apenas alguns graus centígrados poderia causar um desequilíbrio capaz de derreter geleiras e destruir boa parte da biodiversidade. Chuvas como as ocorridas em Santa Catarina ou furacões como os que destruíram Nova Orleans seriam vistos com mais freqüência. Isso significaria mais mortes, mais gasto público, mais imposto por conseqüência.

Como ninguém quer isso, e todos sabem que estamos na crista da onda para frear os gases estufa, valem as atitudes individuais e a pressão sob governos. Em cada lugar deveria haver uma frente de atuação diferente. Por exemplo, 80% das emissões de CO2 da China estão associadas diretamente ao crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB). Poluir menos, portanto, significaria diminuir o crescimento do país. Nesse ínterim, os chineses deveriam pressionar para que o país tivesse uma taxa menor de crescimento. Isso soaria como absurdo no ouvido de muita gente; no entanto, se o chinesinho permitir que o sangue das próximas gerações recaia sobre a sua irresponsabilidade, teremos a "máquina do juízo final" em pessoa, permitindo de consciência tranqüila o abre-te Sésamo da caverna dos 4 Cavaleiros do Apocalipse. Nesse caso, crescimento econômico coincide com morte e destruição.

No Brasil, contudo, 55% das emissões estão relacionadas ao desmatamento. Desmatamento significa menos árvores para oxigenar; muitas vezes é feito via queimadas ou incêndios propositais para gerar invasão e o conseqüente uso capeão; tem motivações na criação maior de gado (e flatulência de gado, todos bem sabemos é um gás estufa dos mais poderosos; o sistema de transportes para levar o gado ao seu pasto, alimentar o gado, levar o gado ao abatedouro, levar a carne aos mercados e mais o sistema de refrigeração para manter a carne fresca leva a um gasto de energia absurdo) e plantação de soja (que ao contrário do que muitos pensam, serve para alimentar gado bovino e suíno, portanto mais flatulência). Tudo isso leva à transformação da floresta em savana, diminuição dos níveis de umidade na Amazônia e à aniquilação das espécies da flora e fauna. Como o nosso problema por enquanto não está diretamente ligado ao crescimento econômico, lutar contra o desmatamento deveria ser a bandeira de todo brasileiro. “Quando diminuir o desmatamento na Amazônia, o Brasil vai se tornar um dos países mais limpos do mundo, e sem que a sua economia sofra impactos negativos”, garantiu Carlos Nobre em seu seminário.

Agora, voltando à pergunta título: as chuvas de Santa Catarina foram provocadas pelo efeito estufa? Apesar da opinião do Prof. Carlos Nobre, ninguém sabe de fato. Mas uma coisa é certa. Mudanças climáticas transformariam as chuvas de Santa Catarina numa rotina quase que diária. Evitar isso é algo que está nas mãos da espécie animal que se diz a mais inteligente de todas: não meu caro Douglas Adams, não estou falando nem de ratos nem de golfinhos; falo daqueles descendentes de macacos que acham que o universo foi feito para eles...

Fonte de pesquisa: Portal Inpe e página internet do IPCC

Faz tempo que não falo sobre mudanças climáticas, um ano para ser exato. Que bom quebrar esse jejum. Desde 2001 eu dava palestras sobre o assunto e conversava com muitas pessoas. Parei de comer carne e nunca tive carro. Todos riram da minha cara. Hoje, o assunto mudanças climáticas se transformou em meio de ganhar dinheiro e adquirir fama. Como não quero dinheiro nem fama, deixo o assunto para os experts de plantão. Se me deixarem no meu sossêgo vegetariano-anti-carro-pessoal-lutador-contra-a-bancada-ruralista-destruidora-de-florestas, estará tudo certo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O encantado mundo dos profetas judeus


"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.

Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo de base a toda a crise.

Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.

No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores."

(Karl Marx em "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro e capital efetivo, 1867).

domingo, 23 de novembro de 2008

Um passeio socrático no shopping

No meu tempo de garoto tinha uma disciplina na escola chamada OSPB. Não tenho certeza se o nome era esse mesmo. Lembro que tratava sobre assuntos de política. Sei também que existia como uma herança da ditadura militar brasileira (hoje se não me engano, foi substituída pela disciplina de filosofia). Pois bem, a professora do curso, Joselma, saudosa Joselma, escolhera um livro diferenciado para seguir o conteúdo. O autor do livro, simples, mas questionador, era um tal de Frei Betto.

Anos depois, eu tinha meus 19 anos, um amigo meu de Natal, o Francisco, fora a Recife fazer um curso de introdução a sociologia, e um dos palestrantes do curso seria o mesmo Frei Betto do livro. Francisco me convidara. (Na verdade eu nem sabia que o palestrante seria o Frei Betto; e também eu nem sabia, apesar do livro, quem era o Frei Betto, e nunca pensara que qualidade de palestra, que tipo de assunto seria abordado.)

A palestra foi fascinante! Saí com a impressão de ter encontrado algo novo, capaz de mudar muitos de meus antigos conceitos. O Frei Betto falava bastante de um livro endemonizado no departamento onde eu fazia estágio (o departamento de física da Ufpe e o livro O Tao da Física de F Kapra). E falava bastante de um assunto que hoje se transformou em insígnia esotérica (o holismo, que é bem mais rico e profundo do que o conceito puramente místico que muita gente prega por aí). E fiquei admirado de um religioso católico falar sobre tudo aquilo. Para ser mais exato, hoje lembro que o mote principal da palestra fora o consumismo e os paradigmas do homem pós-moderno.

Uns meses depois, graças a minha querida amiga Moniquinha, descobri que o livro base para aquela palestra era O Ponto de Mutação, de Fritjof Kapra. Li o livro como um louco. No ano seguinte fiz uma releitura. E depois fui atrás do filme, estrelado por Liv Ullmann (no interessantíssimo papel de física). Não é o melhor livro da minha vida, possui uma série de exageros conceituais, mas foi o livro que abriu meu olhos para muitos aspectos que nunca pensara, como por exemplo o conceito de integração inequívoco entre o homem e seu meio ambiente (que essencialmente é o conceito de holismo, ou como prefere o Kapra, paradigma ecológico).

Depois daquela primeira oportunidade vi o frei dominicano mais umas duas vezes(isso mesmo, frei dominicano, inspiração para o personagem principal da mini-série global Hilda Furacão e personagem principal do recente filme Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton). Em uma nova palestra em Recife e em uma passeata contra a guerra do Iraque na Av. Paulista, em 2003. Na passeata de 2003, ele já estava ali como Secretário de Estado do governo Lula. Também lembro que vi e falei com o Oded Grajew, também secretário especial. Ambos tinham a proposta de inserir no governo novas bases paradigmáticas envolvendo cultura de paz e desenvolvimento sustentável. (O engraçado é que ambos, juntamente com o Cristóvam Buarque, saíram do governo Lula na mesma época, por motivos que prefiro não tergiversar agora.)

Sobre o fato de ter sido secretário de Lula, no eficiente documentário Entreatos, de João Moreira Salles, sobre a campanha de 2002, é interessante ver como o então presidenciável petista escolhe Frei Betto como mentor espiritual. (Se quiser ver Lula como ser humano, assista sem falta a esse documentário. Ele me aproximou ainda mais do presidente. Hehehe. É... Ao contrário do que pareça, sempre fui fascinado pela figura do Lula. E continuo -- apesar de minhas recentes sátiras demoníacas como aquela que preparei recentemente da Igreja Universal do Reino do Capeta.)

Apesar de não ser católico (e não precisa também ser protestante para admirar o Albert Schweizer, né?), admiro o Frei Betto, assim como Leonardo Boff, por serem seres muito preocupados com o equilíbrio social e ambiental, com discursos bastante críticos, firmes e coerentes. Lembro que na primeira vez que ouvi o Frei Betto, ele fazia uma comparação entre as catedrais góticas medievais e os shopping centers modernos. "Uma cidade para ser reconhecida na Idade Média", dizia ele, "tinha que ter uma catedral, assim como hoje precisa ter um shopping center". Lembrei-me disso porque ontem minha amiga Rejane Leimig mandou um email com um texto que continha grande parte daquela palestra. E para resumir o assunto, deixo o leitor com o trecho final, que é o que mais me fascinou quando eu tinha os meus 19 anos:

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'

Frei Betto (Antônio Carlos Vieira Christo), é jornalista e escritor - autor de 44 livros, com 3 milhões de exemplares vendidos em diversos países e idiomas. Entre eles está "Típicos Tipos" (A Girafa), prêmio Jabuti 2005. Foi um dos baluartes brasileiros da Teologia da Libertação na década de 1980 e Secretário Especial da Presidência Lula em 2003.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Caramba, E = MC2 só foi provada ontem !!!!

Eu e todo mundo sempre usamos a famosa fórmula E = mc2 do Einstein como um epigrama dogmático deste sucesso que é a Ciência dos tempos modernos. No entanto, não havia de fato um experimento que realmente mostrasse a veracidade desta fórmula. Ontem foi publicado na Science um artigo falando sobre a primeira experiência em que E=mc2 foi de fato comprovada.

Em 2005, fui a um congresso em Warwick, Inglaterra, para comemorar os 100 anos dos artigos de Einstein. Lembro que fiz amizade com um indiano que não era físico, mas tinha idéias amalucadas sobre o E=mc2. Ele tentava demonstrar no seu painel que esta fórmula estava errada. Como vi que os grandes cientistas do evento (o Prêmio Nobel Steve Chu, por exemplo) nem davam bola para o coitado (lembro que ele quase chegou a chorar, pois nunca tinha sentido na goela a secura do meio científico) não fiquei me preocupando tanto sobre o trabalho dele. Depois, observando cuidadosamente o painel, percebi que ele tinha certa razão. É porque o Einstein havia deduziu mesmo a equação de uma maneira "pouco formal". Mas isso não quer dizer que a fórmula esteja errada. Mais tarde é que o Richard Feynman mostrou o jeito de calcular e chegar realmente ao E=mc2.

E olha só. A fórmula ícone do mundo moderno não havia ainda sido comprovada experimentalmente! Por exemplo, o que acontece é que a massa do próton resulta principalmente da energia proveniente de partículas minúsculas, os quarks e os glúons. Isso teoricamente já era aceito. No entanto demonstrar experimentalmente é o equivalente a comprovar E=mc2. E foi isso que fez uma equipe internacional de físicos, confirmando assim "pela primeira vez" a hipótese apresentada pela famosa fórmula de Albert Einstein.

"Até hoje uma hipótese, o resultado foi pela primeira vez corroborado", ressalta oficialmente o Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS), que realizou a experiência.

Neurociência: novidades sobre a assinatura do ódio no cérebro

Raiva dirigida a um indivíduo provoca padrão único de atividade cerebral, revela pesquisa
Por Tatiane Leal
(Portal Ciência Hoje)

O ódio deixa sinais inequívocos no cérebro. É o que mostra uma pesquisa inglesa que mapeou as áreas cerebrais ativadas em voluntários enquanto viam fotos de desafetos. Os resultados mostram que existe um padrão único de atividade no cérebro em um contexto de ódio e que, embora bem diferentes, esse sentimento e o amor romântico ativam duas estruturas cerebrais em comum.

Os pesquisadores analisaram a atividade cerebral de 17 homens e mulheres que olhavam fotos tanto de pessoas odiadas – geralmente um ex-amor ou um adversário do tr
abalho – quanto de conhecidos neutros. O efeito provocado pelas fotos dos desafetos foi a ativação de um conjunto de áreas que formam o chamado circuito do ódio.

“O estudo mostra que o ódio certamente tem um efeito na atividade cerebral”, diz à CH On-line Semir Zeki, do University College London (Reino Unido). “Esse sentimento tem origem no cérebro, que é o centro de nossas emoções e da consciência”, completa o pesquisador, autor principal do artigo que apresenta os resultados do estudo, publicado em outubro na revista PLoS One.

Algumas áreas que pertencem ao circuito ativado pelo ódio estão ligadas ao planejamento e à execução de movimentos – o córtex pré-motor – e à previsão das ações de outras pessoas – o pólo frontal.

“Nossa hipótese é que a visão de uma pessoa odiada mobilize o sistema motor para uma possibilidade de ataque ou defesa”, avalia Zeki. “A previsão da ação do outro também seria importante no confronto com uma pessoa odiada.”

Outra estrutura envolvida no planejamento motor e ativada pelo ódio é o putâmen direito, também estimulado pelos sentimentos de medo, desprezo e repugnância. O padrão cerebral identificado pelos cientistas é distinto do relacionado a emoções como medo, perigo e agressividade, embora haja uma parte do cérebro associada à agressividade que é ativada por todos esses sentimentos.

Os pesquisadores já haviam realizado estudos semelhantes em relação ao amor romântico. A comparação entre os efeitos do ódio e do amor no cérebro mostrou que duas áreas – o putâmen e a insula – são ativadas pelos dois sentimentos.

Zeki destaca que amor e ódio, embora aparentemente antagônicos, se confundem e interagem em muitos momentos. “O dia-a-dia providencia exemplos em que essas conflitantes emoções se entrelaçam”, diz. E exemplifica: “Se um companheiro nos trai, o ódio resultante é provavelmente muito mais intenso do que se tivéssemos sido traídos por um estranho”.

Uma diferença encontrada entre os efeitos provocados pelos dois sentimentos foi o padrão de desativação de algumas regiões cerebrais. No caso do amor, zonas do córtex cerebral relacionadas ao julgamento e à razão são desativadas, o que faz com que o indivíduo seja menos crítico e exigente em relação à pessoa amada.

Já em situações de ódio, somente uma pequena região do córtex frontal fica desativada. “O padrão de desativação encontrado foi muito mais restrito em comparação ao observado nos estudos sobre o amor”, afirma Zeki. “A desativação provocada pelo ódio pode estar relacionada a uma mudança de atenção: o indivíduo pára de se preocupar com o espaço exterior e passa a ter uma experiência interna associada com a ansiedade”, explica.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados dizem respeito ao ódio a um indivíduo. Eles pretendem no futuro estudar os efeitos cerebrais do ódio contra grupos de pessoas, seja em função da raça, do gênero ou da opção política.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

10 mais influentes da História

Mês passado fiz uma releitura rápida do livro The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History, de Michael Hart. No livro há uma lista das 100 pessoas que mudaram o curso da história, na visão do autor. Abaixo a lista dos 10 primeiros e minhas humildes discordâncias e concordâncias:

1. Maomé (discordo: colocaria aqui não uma pessoa, mas uma equipe: a equipe do LEP-CERN (Acelerador de Elétrons-Pósitrons do Centro de Pesquisas Nucleares da Europa), na Suíça, deveria levar por ter colocado à disposição do mundo a WWW, versão atualizada de um sistema chamado ENQUIRE, e muito mais amigável que uma rede militar antiga chamada Arpanet; isso sem dúvida mudou muito profundamente o curso da história e eu até diria que você só está lendo estas minhas palavras graças à tal equipe; agora, se não vale colocar equipe, então fica o nome de uma pessoa, que foi o membro da equipe que bolou todo o projeto: o engenheiro Tim Berners-Lee do CERN)

2. Isaac Newton (discordo: depois que conheci pessoalmente a história do Newton lá no Trinity College de Cambridge, onde ele estudou e foi professor, acredito que a sua contribuição, apesar de grandiosa, não chega aos pés do que fez Gutemberg ao permitir que todos tivessem acesso à leitura através da invenção da tipografia -- sem isso é provável que a Europa ficasse mergulhada durante muito mais tempo na Idade Média; não que a idade média tenha sido um período ruim, mas foi um período em que poucos tinham acesso ao conhecimento. Também, com a possibilidade de ter uma bíblia impressa para todos, a reforma Luterana foi melhor sucedida; certo, Newton, Lucasiano da Universidade de Cambridge, foi extremamente influente, mais como político que como cientista, foi capaz de manipular a Europa inteira a seu favor, comprando brigas sem fim com os maiores filósofos e cientistas da época; se transformou em um semi-deus na Inglaterra e praticamente inaugurou o método científico; era o homem que cuidava do dinheiro da nação mais poderosa da época -- uma espécie de Alan Greenspan pós-feudal que ao mesmo tempo era alquimista e filósofo natural (filósofo natural, ou seja físico, matemático, geômetra e astrônomo ao mesmo tempo) -- e foi enterrado como um rei na Abadia de Westminister em Londres; qual o físico que não queria uma coisa assim?; no entanto, o mundo contemporâneo está entendendo melhor a personalidade deste gênio e compreendendo que muito do que ele fez foi por razões puramente egocêntricas; eu o colocaria lá na 9. posição (ver abaixo); depois que Einstein e Poincaré acabaram com a noção de tempo absoluto e Minkowski criou a noção de espaço-tempo, definitivamente Newton caiu de sua posição de top 2, segundo minha humilde opinião)

3. Jesus (discordo: acho que talvez Jesus tenha sido o maior ser humano da história, mas não o mais influente; as pessoas se tornaram cristãs, na verdade, graças a São Paulo, que foi de vila em vila pregando sobre Jesus e escrevendo cartas para Deus e o mundo falando coisas que provavelmente fizeram Jesus se remexer no seu túmulo -- se bem que está escrito que ele ressuscitou dos mortos)

4. Buddha (concordo: até o século 8 d.C. boa parte da Ásia era budista, e essa boa parte era a que detinha o maior poder filosófico e cultural daquela época, como Índia e China; eu colocaria aqui Maomé empatado com Buddha, porque Maomé, como grande religioso, também foi um grande militar expansionista; não que eu concorde com grandes generais expansionistas, mas o fato é que todos os generais que lhe sucederam lhe veneraram como um deus; e daí sua grande influência até hoje; e as grandes universidades do mundo existem por causa do empreendorismo cultural medieval do Islã, queiram ou não queiram)

5. Confúcio (concordo: a China é o que é por causa desse cara)


6. São Paulo (discordo: como coloquei anteriormente, acho que São Paulo foi mais influente do que se pensa; eu faria uma inversão de papéis e colocaria aqui Jesus; e sejamos francos: quando John Lennon disse que os Beatles eram mais famosos que Jesus, ele estava sendo realista; muita gente ficou com raiva do John Lennon, mas a realidade é que mesmo as pessoas que se dizem cristãs buscam mais aos ídolos midiáticos do que encontrar razões para idolatrar Jesus)


7. Tsai Lun (concordo: foi inventor do papel)



8. Gutemberg (discordo: como já me expressei, Gutemberg foi o responsável por uma revolução mundial de enormes proporções na área da divulgação cultural; ele está no topo da minha lista; colocaria aqui uma mulher no lugar: Teodora, esposa do imperador Justiniano; coloco basicamente porque historicamente está comprovado que quem moldou o pensamento medieval, quem resolveu os maiores cismas no cristianismo e quem foi o maior legislador da idade média foi Justiano; só que o problema é que Justiano era quase um marionete de Teodora; e até ousaria dizer que muitos destes imperadores, césares, reis, etc, etc, tiveram na verdade uma mulher manipulando suas idéias e decisões; é impressionante como o Michael Hart não tenha percebido isso, e a primeira mulher que aparece na lista, Elisabeth I, está lá pelo número 50)

9. Cristóvão Colombo (discordo: aqui eu colocaria o trio Descartes/Newton/Bacon -- e também Galileu -- que moldaram o método científico moderno e toda tecnologia atual só foi possível graças a este método; eles representam o que é hoje chamado de pensamento cartesiano ou mecanicista; muitas idéias do chamado materialismo científico e do positivismo foram germinadas graças a estas pessoas)


10. Albert Einstein (discordo: apesar de ser o fã n. 1 do Einstein, vamos ser realistas: se o Einstein nunca tivesse existido, o Max Planck, o Hilbert e o Poincaré -- quiçá o Weyl ou o Cartan -- teriam feito na mesma época um trabalho similar ao que ele fez; o século XX foi uma época em que muitos cientistas começaram a trabalhar pesado e o Einstein era apenas um deles; eu colocaria no lugar do Einstein filósofos como Sócrates/Platão/Aristóteles ou então uma pessoa que ninguém nunca se lembra porque ele vivia, no século XIX, na floresta numa simples cabana a escrever livros, mas influenciou desde Lincoln, Gandhi e Martin Luther King, e o filme Sociedade dos Poetas Mortos é praticamente uma homenagem a ele: Henry David Thoreau, ensaísta, poeta e filósofo estadunidense. Os movimentos abolicionistas de todo mundo naquela época tinham a marca de Thoreau e ele influenciou profundamente o pensamento de Wittegenstein -- da escola de Cambridge -- e os movimentos anarquistas europeus; o recente filme de Sean Penn, Into the Wild, é também uma grande homenagem a este filósofo)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Igreja Universal do Reino do Capeta

O vídeo a seguir é uma sátira que pretende ser saudável que criei neste último mês, nas horas vagas. Como eu não queria fazer um brincadeira envolvendo uma provável igreja de Jesus, achei melhor zoar com o capeta do que com o Jesus. Se o capeta quiser se vingar de mim, vai ter que desfazer o meu corpo fechado que eu preparei na santa igreja do conhecimento científico. Os personagens do vídeo são puramente fictícios. Se houver alguma semelhança com a realidade, é pura coincidência (ou não, hua hua hua hua hua!!!).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Viajando pelo Brasil e meu encontro com o Maestro Mozart Vieira e os meninos de São Caetano no agreste Pernambucano

Por enquanto o meu conhecimento do Brasil se resume àquele do Tratado de Tordesilhas. Ou um pouco mais que isso. Você pode ver as andanças no mapa abaixo. A maioria feita de ônibus ou até mesmo tomando carona em Toyotas rurais lotadas de prostitutas.






















A primeira viagem fiz quando tinha cinco anos. Recife-São Paulo, de avião, para morar no habitat paulistano. Mas uma das melhores viagens que fiz, foi ao sertão nordestino. Não há nada mais bonito que o sertão: pernambucano, paraibano ou baiano. O pôr do sol é diferente. Os pássaros são magníficos. As estrelas tem as cores de um sonho bonito que não quer acabar.

Uma destas viagens fiz com um ônibus da empresa onde trabalhava. Fomos ao alto sertão do Pajeú, onde fica a cidade de Afogados da Ingazeira e também São José do Egito. Depois ao alto sertão de Pernambuco, onde fui à cidade de Inajá, que só possui uma rua, um dos menores índices de desenvolvimento do Brasil, cujo acesso só por meio de estrada de barro, mas mesmo assim o lugar com o maior número de galos-de-campina que vi na vida, esvoaçantes entre as árvores de algaroba. (Este foi o lugar onde salvei um galo-de-campina de uma gaiola, ao comprar de um garoto pobre a quem demos carona no meio da selva de cactos e mandacarus.) Conheci ao vivo os vaqueiros tão falados nas músicas de Luiz Gonzaga, fazendo o seu serviço de atravessar a caatinga com sua roupa de couro e chapéu típico, em busca de um novilho perdido. Dormi em pequenas hospedarias, que nunca tinha visto antes no Brasil e só existem por ali mesmo.

Depois, na volta para Recife, o serviço exigia ainda a visita a muitas cidades do Agreste Pernambucano, como Garanhuns, onde passamos no local onde nasceu Lula (Caetés), e o gigantesco motorista Boião (que comia buchada de bode no café da manhã, e mais Coca-Cola Light que era para não engordar) foi render graças à Santa Quitéria em Freixeiras (local repleto daquelas mãos e pés de cêra que os devotos deixam para agradecer às promessas).

Na passagem a São Caitano (ou S. Caetano da Raposa), caminhei no horário do almoço pelas ruas daquela terra de meus ancestrais, das famílias Gomes (do meu primo cineasta Marcelo Gomes), Pontes (do meu pentavô José Pedro de Pontes, fundador da cidade, dono da fazenda onde nasceu minha bisavó Lourdinha, onde Lampião e Corisco algumas vezes passaram) e Coimbra (de meu bisavô maestro e político, Luiz Coimbra), repleta de lembranças da minha juventude, do rio Ipojuca, do assustador cemitério, da pescaria no açude e da Pedra do Cachorro (que hoje é uma das maiores atrações turísticas do Nordeste).

Lá do outro lado do rio, no bairro Cabugá, aquela casa imponente. No alto de uma colina, próxima à antiga estação de trem, a casa onde moraram os Andrade, onde morou a minha querida tia Lucy. Casa cheia de histórias. E naquela casa estava (e acredito que ainda esteja) simplesmente a atual sede da Fundação Música e Vida, criada pelo maestro Mozart Vieira na década de 1990.

Ao adentrar na casa fui recebido por Mozart em pessoa, com sua barba bem aparada e pequenos óculos redondos. Estava terminando de apresentar uma aula de música para as crianças. Senti-me emocionado. A infra-estrutura da Fundação era de dar gosto. E a simpatia de Mozart, sem limites. Nos apresentou à casa e ao propósito dela. Conhecemos alguns dos meninos (naquele momento já adultos) que fizeram história ao tocar Bach e Villa-Lobos entre pedras e mandacarus, quebrando um pouco esta sombra de ignorância perene que enevoa a cultura deste nosso lindo Brasil.

Nunca lembro de tirar fotos quando encontro estes personagens que entrarão na história... O mesmo foi quando conversei certa vez com o Stephen Hawking (um dia conto esta história) ou quando conheci sem querer o Fidel Castro ou o cardeal Ratzinger.

Por acaso, esta semana assisti ao filme (em cartaz nos cinemas) "A Orquestra dos Meninos", que conta a história de como Mozart criou a Fundação e o sonho de reunir crianças para fazer uma banda sinfônica. O filme surpreendeu-me pelo roteiro bem amarrado, atuações mais que eficientes de Murilo Rosa e Othon Bastos e por evitar a todo custo o pieguismo. Por isso nada mais falarei sobre Mozart. Se quer conhecê-lo assista ao filme. Abaixo um trecho do que você irá ver. Apenas gostaria de dizer que Mozart é um exemplo a ser seguido no empreendedorismo cultural de alta qualidade e de altruísmo sem limites.

O Brasil tem tanta coisa linda... Um pôr-do-sol em São Caitano, no alto do Cruzeiro, ao som de bachianas brasileiras, tocada por crianças que ninguém daria um centavo por seus futuros é uma destas situações para ficar na mente por toda a vida.

Livro sobre partículas elementares vira programa da TV brasileira

O discreto charme das partículas elementares, título publicado pela Editora Unesp, foi adaptado para a televisão e o resultado pode ser conferido no próximo dia 10 de novembro (segunda-feira), às 19h30, na TV Cultura. O objetivo, tanto do programa quanto do livro, é tornar acessível ao público leigo a Física das Interações Fundamentais. A data para a exibição da atração coincide com o “Dia Mundial da Ciência pela Paz e Pelo Desenvolvimento”, que leva o selo da ONU.

Veja abaixo um resumo do programa divulgado pela TV Cultura:


Em O discreto charme das partículas elementares, a história das partículas elementares, as “pequeninas” como carinhosamente as trata a autora, Maria Cristina B. Abdalla, é reconstruída desde as primeiras descobertas na área e a alvorada da teoria quântica até as novas manifestações da matéria. Refaz, assim, a trajetória da mudança de modelos, que acontece sempre quando da descoberta de uma partícula, levando a Física das Partículas a se transformar no que é hoje denominado Modelo Padrão da Física de Partículas.

Uma caminhada que persegue o mundo invisível dos quarks e léptons e avança até as grandes estruturas cosmológicas, sempre por meio de um estilo agradável, auxiliado por inúmeras ilustrações. Neste enlace do micro e do macrocosmo, Maria Cristina Abdalla nos desvenda as fascinantes “pequeninas” a partir das quais toda a matéria do universo observado é formada.

No programa da TV Cultura de São Paulo, Marcelo Tas atua como um apresentador de TV, do tipo chapeleiro maluco, e leva a personagem principal, Rafael (Giovanni Delgado), para uma viagem em um mundo paralelo, com informações sobre átomos, elétrons, quarks, léptons e bósons mediadores e também sobre a teoria do big bang (uma das explicações para a origem do universo). Neste cenário, onde 70% dos espaços são digitais, os atores interagem quase que o tempo todo com o virtual, como se fosse um videogame onde o protagonista precisa passar por diferentes níveis. “O programa utiliza uma linguagem moderna e lúdica para tratar de um assunto que costuma ser árido para os jovens. Tudo isso, construído com uma diversidade de computação gráfica que contribui para ensinar e tornar a atração bem interessante visualmente”, comenta Ricardo Elias (dos premiados “De Passagem” e “Os 12 Trabalhos"), diretor da atração.
Sobre a autora – Maria Cristina Batoni Abdalla é
professora livre-docente do
Instituto de Física
Teórica da Unesp, em São Paulo. Foi professora
associada
do ICTP-Trieste, na Itália, e trabalhou
no CERN, em Genebra, na Suíça.


Sítio do programa da TV Cultura:
http://www.tvcultura.com.br/particulas/

Para comprar o livro clique aqui.

Retirado do Boletim da Sociedade Brasileira de Física (SBF)
de 10/11/2008.

Matéria divulgada pela Prof. Isabel Tamara Pedron da
Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Partículas fantasma no acelerador Tevatron

O detector de colisões do Fermilab (ou Collision Detector at Fermilab, CDF), observou objetos misteriosos nas últimas semanas com propriedades físicas muito estranhas. O fenômeno inesperado foi visto a partir da produção de múons extras, parentes mais pesados dos elétrons.

O CDF é um dos experimentos localizados no grande acelerador Tevatron, em Illinois, EUA. O Tevatron é atualmente o acelerador mais poderoso em operação (1,9 TeV de energia de colisão) que será suplantado em breve pelo LHC (que terá 14 TeV).

O efeito é tão controverso que 200 dos 600 pesquisadores responsáveis pela descoberta se negaram a colocar o próprio nome no artigo que suporta o experimento de 69 páginas que foi lançado em 29 de outubro na página de pre-prints do Los Alamos Laboratory (http://arxiv. org/abs/0810. 5357).

As explicações para o fenômeno observado no acelerador são as mais diversas: incidência de uma partícula ainda não classificada, cordas hipotéticas ou mesmo modificações da física.

O fenômeno foi visto a partir de um espectro estranho em cem mil colisões ocorridas no acelerador, e tem um presença persistente. Os físicos de partículas sabem, dado o número de colisões relativamente pequeno, que isto não é apenas uma flutuação estatística.

"Estou no CDF desde 1992, mas nunca vi algo tão estranho", diz Tommaso Dorigo, colaborador no experimento e físico da Universidade de Pádua. "Precisamos tentar entender o que é isso."

O CDF foi feito para detectar partículas massivas exóticas, raramente vistas na natureza. Como a maioria dos experimentos da física de altas energias, ele não detecta diretamente tais partículas, mas procura evidências a partir da presença de partículas mais leves que mostram assinaturas da partícula exótica a partir de um possível decaimento.

O que deixou os físicos do CDF perplexos foi a presença de um excesso inesperado de múons na experiência. Isto mostra que um número maior de decaimentos ocorreu e algo "fantasmagórico"está por trás.

Jacobo Konigsberg, físico da Universidade da Flórida e colaborador no experimento diz que os cientistas passaram meses tentando explicar o fenômeno, mas na falta de uma boa explanação simplesmente acharam melhor publicar os resultados experimentais para que outros cientistas iniciassem um debate.

Alguns cientistas teóricos vêem no resultado um indício de uma partícula de matéria escura. No entanto, Adam Falkowski, físico teórico do CERN (centro de pesquisas europeu próximo a Genebra, Suíça, onde está montado o LHC), diz que uma explicação convincente demanda muito trabalho e precauções extras contra tentativas que forcem os dados a se encaixar em teorias muito particulares.

Existem ainda os céticos que acreditam que o experimento não tenha detectado de fato algo novo. Algumas críticas recaem sobre o Tevatron no que condiz a muitas confusões que decorrem da dificuldade de interpretar os dados do acelarador. Konigsberg concorda com as críticas e diz que espera que outros experimentos, incluindo o detector DO do próprio Fermilab e o Grande Colisor de Hádrons (LHC, do CERN) possam reproduzir tais aparições misteriosas.

Para ver mais:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Porquinhos e porcões

The Beatles - White Album

Piggies (G Harrison, tradução: Coimbra-Araújo's blog)




Have you seen the little piggies/
Você já viu os porquinhos
pequenos
Crawling in the dirt/
Se lambuzando na lama?

And for all the little piggies/
E para todos os porquinhos
pequenos
Life is getting worse/
A vida está cada vez pior

Always having dirt to play around in./
Sempre tendo apenas sujeira para brincar.


Have you seen the bigger piggies/
Você já viu os porquinhos maiores

In their starched white shirts/
Em suas camisas brancas engomadinhas?

You will find the bigger piggies/
Você encontrará os porquinhos maiores

Stirring up the dirt/
Remexendo na sujeira

Always have clean shirts to play around in./
Eles sempre têm camisas impecáveis para brincar.


In their sties with all their backing/
Em suas pocilgas lotadas de dinheiro

They don't care what goes on around/
Eles nem se importam com o que está rolando

In their eyes there's something lacking/
Em seus olhos existe um vazio
What they need's a damn good whacking./
O que eles precisam é de uma boa palmada.

Everywhere there's lots of piggies/
Em todo lugar há um monte de porquinhos

Living piggy lives/
Vivendo suas vidas de porco

You can see them out for dinner/
Você pode vê-los saindo para jantar

With their piggy wives/
Com suas esposas porquinhas

Clutching forks and knives to eat their bacon./
Segurando garfo e faca para comer seu bacon.



02 de novembro - dia internacional do vegano