quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Chuvas catarinenses têm relação com efeito estufa?

Eu tinha ouvido falar de chuvas em Santa Catarina. Como tenho assistido quase nenhuma televisão, fiquei um pouco por fora. Há dois dias, no entanto, resolvi assistir a telejornais de três emissoras. Fiquei chocado com as imagens. Pessoas mortas, 95% da população sem água, casas destruídas, desabrigados, ruas transformadas em rios, barreiras despencando, vazamento de gás combustível, etc. Uma situação no mínimo calamitosa. Os prejuízos estimados são de 600 milhões de reais. O presidente Lula está liberando cerca de 1 bilhão para Santa Catarina e mais alguns milhões para o Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, que também sofreram com a chuva. Esta é a hora de pensar em solidariedade. No entanto, também é importante procurar as causas para uma chuva tão intensa, haja vista que a repetição de fenômenos como este acabarão por tirar mais vidas e causar novo prejuízo econômico.

O que causou a chuva? O efeito estufa tem alguma relação?

De acordo com a análise dos meteorologistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), esta intensa chuva tem sido causada pelo estabelecimento de um bloqueio atmosférico no oceano
Atlântico que se formou durante a semana passada. Este bloqueio, que teve associado um intenso anticiclone sobre o oceano, favoreceu a intensificação dos ventos de quadrante leste e nordeste sobre a costa leste de Santa Catarina e do Paraná. Por outro lado, o bloqueio também tem associado um sistema de baixa pressão (vórtice ciclônico) em altitude (entre 4.000 m e 5.000 metros) que, nesta oportunidade, ficou estabelecido entre o leste de SC e o leste do PR.

A combinação
destes dois fatores, o vórtice ciclônico em altitude e o intenso anticiclone em superfície, favoreceu a intensificação das chuvas sobre Santa Catarina. A persistência desta situação meteorológica fez com que o fenômeno tenha sido ainda mais significativo devido aos grandes volumes registrados ao longo deste período.

Algumas pessoas do próprio CPTEC, como o Prof. Carlos Nobre (que participa do painel da ONU de mudanças climáticas, órgão ganhador do prêmio Nobel da Paz do ano passado),
frisa que as chuvas tem forte associação com o efeito estufa. "Isso é uma demonstração do que as mudanças climáticas são capazes, mesmo num estado como Santa Catarina com o melhor sistema de Defesa Civil do Brasil”, disse o especialista do INPE em palestra proferida no Seminário Franco-Brasileiro de Mudanças Climáticas, ocorrido na Universidade de Brasília no último dia 25 de novembro.

Apesar da opinião acima, nada prova que as chuvas de Santa Catarina tenham ocorrido como resultado das mudanças climáticas (tais mudanças ocorrem devido ao aumento de CO2 e outros gases estufa na nossa atmosfera). Acredito que a opinião do Prof. Carlos Nobre é apenas ilustrativa, mas mesmo assim válida. Digo válida porque o principal resultado das mudanças climáticas é a intensificação de fenômenos como chuvas, ciclones ou secas, dependendo da região. Um aumento de apenas alguns graus centígrados poderia causar um desequilíbrio capaz de derreter geleiras e destruir boa parte da biodiversidade. Chuvas como as ocorridas em Santa Catarina ou furacões como os que destruíram Nova Orleans seriam vistos com mais freqüência. Isso significaria mais mortes, mais gasto público, mais imposto por conseqüência.

Como ninguém quer isso, e todos sabem que estamos na crista da onda para frear os gases estufa, valem as atitudes individuais e a pressão sob governos. Em cada lugar deveria haver uma frente de atuação diferente. Por exemplo, 80% das emissões de CO2 da China estão associadas diretamente ao crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB). Poluir menos, portanto, significaria diminuir o crescimento do país. Nesse ínterim, os chineses deveriam pressionar para que o país tivesse uma taxa menor de crescimento. Isso soaria como absurdo no ouvido de muita gente; no entanto, se o chinesinho permitir que o sangue das próximas gerações recaia sobre a sua irresponsabilidade, teremos a "máquina do juízo final" em pessoa, permitindo de consciência tranqüila o abre-te Sésamo da caverna dos 4 Cavaleiros do Apocalipse. Nesse caso, crescimento econômico coincide com morte e destruição.

No Brasil, contudo, 55% das emissões estão relacionadas ao desmatamento. Desmatamento significa menos árvores para oxigenar; muitas vezes é feito via queimadas ou incêndios propositais para gerar invasão e o conseqüente uso capeão; tem motivações na criação maior de gado (e flatulência de gado, todos bem sabemos é um gás estufa dos mais poderosos; o sistema de transportes para levar o gado ao seu pasto, alimentar o gado, levar o gado ao abatedouro, levar a carne aos mercados e mais o sistema de refrigeração para manter a carne fresca leva a um gasto de energia absurdo) e plantação de soja (que ao contrário do que muitos pensam, serve para alimentar gado bovino e suíno, portanto mais flatulência). Tudo isso leva à transformação da floresta em savana, diminuição dos níveis de umidade na Amazônia e à aniquilação das espécies da flora e fauna. Como o nosso problema por enquanto não está diretamente ligado ao crescimento econômico, lutar contra o desmatamento deveria ser a bandeira de todo brasileiro. “Quando diminuir o desmatamento na Amazônia, o Brasil vai se tornar um dos países mais limpos do mundo, e sem que a sua economia sofra impactos negativos”, garantiu Carlos Nobre em seu seminário.

Agora, voltando à pergunta título: as chuvas de Santa Catarina foram provocadas pelo efeito estufa? Apesar da opinião do Prof. Carlos Nobre, ninguém sabe de fato. Mas uma coisa é certa. Mudanças climáticas transformariam as chuvas de Santa Catarina numa rotina quase que diária. Evitar isso é algo que está nas mãos da espécie animal que se diz a mais inteligente de todas: não meu caro Douglas Adams, não estou falando nem de ratos nem de golfinhos; falo daqueles descendentes de macacos que acham que o universo foi feito para eles...

Fonte de pesquisa: Portal Inpe e página internet do IPCC

Faz tempo que não falo sobre mudanças climáticas, um ano para ser exato. Que bom quebrar esse jejum. Desde 2001 eu dava palestras sobre o assunto e conversava com muitas pessoas. Parei de comer carne e nunca tive carro. Todos riram da minha cara. Hoje, o assunto mudanças climáticas se transformou em meio de ganhar dinheiro e adquirir fama. Como não quero dinheiro nem fama, deixo o assunto para os experts de plantão. Se me deixarem no meu sossêgo vegetariano-anti-carro-pessoal-lutador-contra-a-bancada-ruralista-destruidora-de-florestas, estará tudo certo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O encantado mundo dos profetas judeus


"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.

Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo de base a toda a crise.

Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.

No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores."

(Karl Marx em "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro e capital efetivo, 1867).

domingo, 23 de novembro de 2008

Um passeio socrático no shopping

No meu tempo de garoto tinha uma disciplina na escola chamada OSPB. Não tenho certeza se o nome era esse mesmo. Lembro que tratava sobre assuntos de política. Sei também que existia como uma herança da ditadura militar brasileira (hoje se não me engano, foi substituída pela disciplina de filosofia). Pois bem, a professora do curso, Joselma, saudosa Joselma, escolhera um livro diferenciado para seguir o conteúdo. O autor do livro, simples, mas questionador, era um tal de Frei Betto.

Anos depois, eu tinha meus 19 anos, um amigo meu de Natal, o Francisco, fora a Recife fazer um curso de introdução a sociologia, e um dos palestrantes do curso seria o mesmo Frei Betto do livro. Francisco me convidara. (Na verdade eu nem sabia que o palestrante seria o Frei Betto; e também eu nem sabia, apesar do livro, quem era o Frei Betto, e nunca pensara que qualidade de palestra, que tipo de assunto seria abordado.)

A palestra foi fascinante! Saí com a impressão de ter encontrado algo novo, capaz de mudar muitos de meus antigos conceitos. O Frei Betto falava bastante de um livro endemonizado no departamento onde eu fazia estágio (o departamento de física da Ufpe e o livro O Tao da Física de F Kapra). E falava bastante de um assunto que hoje se transformou em insígnia esotérica (o holismo, que é bem mais rico e profundo do que o conceito puramente místico que muita gente prega por aí). E fiquei admirado de um religioso católico falar sobre tudo aquilo. Para ser mais exato, hoje lembro que o mote principal da palestra fora o consumismo e os paradigmas do homem pós-moderno.

Uns meses depois, graças a minha querida amiga Moniquinha, descobri que o livro base para aquela palestra era O Ponto de Mutação, de Fritjof Kapra. Li o livro como um louco. No ano seguinte fiz uma releitura. E depois fui atrás do filme, estrelado por Liv Ullmann (no interessantíssimo papel de física). Não é o melhor livro da minha vida, possui uma série de exageros conceituais, mas foi o livro que abriu meu olhos para muitos aspectos que nunca pensara, como por exemplo o conceito de integração inequívoco entre o homem e seu meio ambiente (que essencialmente é o conceito de holismo, ou como prefere o Kapra, paradigma ecológico).

Depois daquela primeira oportunidade vi o frei dominicano mais umas duas vezes(isso mesmo, frei dominicano, inspiração para o personagem principal da mini-série global Hilda Furacão e personagem principal do recente filme Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton). Em uma nova palestra em Recife e em uma passeata contra a guerra do Iraque na Av. Paulista, em 2003. Na passeata de 2003, ele já estava ali como Secretário de Estado do governo Lula. Também lembro que vi e falei com o Oded Grajew, também secretário especial. Ambos tinham a proposta de inserir no governo novas bases paradigmáticas envolvendo cultura de paz e desenvolvimento sustentável. (O engraçado é que ambos, juntamente com o Cristóvam Buarque, saíram do governo Lula na mesma época, por motivos que prefiro não tergiversar agora.)

Sobre o fato de ter sido secretário de Lula, no eficiente documentário Entreatos, de João Moreira Salles, sobre a campanha de 2002, é interessante ver como o então presidenciável petista escolhe Frei Betto como mentor espiritual. (Se quiser ver Lula como ser humano, assista sem falta a esse documentário. Ele me aproximou ainda mais do presidente. Hehehe. É... Ao contrário do que pareça, sempre fui fascinado pela figura do Lula. E continuo -- apesar de minhas recentes sátiras demoníacas como aquela que preparei recentemente da Igreja Universal do Reino do Capeta.)

Apesar de não ser católico (e não precisa também ser protestante para admirar o Albert Schweizer, né?), admiro o Frei Betto, assim como Leonardo Boff, por serem seres muito preocupados com o equilíbrio social e ambiental, com discursos bastante críticos, firmes e coerentes. Lembro que na primeira vez que ouvi o Frei Betto, ele fazia uma comparação entre as catedrais góticas medievais e os shopping centers modernos. "Uma cidade para ser reconhecida na Idade Média", dizia ele, "tinha que ter uma catedral, assim como hoje precisa ter um shopping center". Lembrei-me disso porque ontem minha amiga Rejane Leimig mandou um email com um texto que continha grande parte daquela palestra. E para resumir o assunto, deixo o leitor com o trecho final, que é o que mais me fascinou quando eu tinha os meus 19 anos:

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'

Frei Betto (Antônio Carlos Vieira Christo), é jornalista e escritor - autor de 44 livros, com 3 milhões de exemplares vendidos em diversos países e idiomas. Entre eles está "Típicos Tipos" (A Girafa), prêmio Jabuti 2005. Foi um dos baluartes brasileiros da Teologia da Libertação na década de 1980 e Secretário Especial da Presidência Lula em 2003.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Caramba, E = MC2 só foi provada ontem !!!!

Eu e todo mundo sempre usamos a famosa fórmula E = mc2 do Einstein como um epigrama dogmático deste sucesso que é a Ciência dos tempos modernos. No entanto, não havia de fato um experimento que realmente mostrasse a veracidade desta fórmula. Ontem foi publicado na Science um artigo falando sobre a primeira experiência em que E=mc2 foi de fato comprovada.

Em 2005, fui a um congresso em Warwick, Inglaterra, para comemorar os 100 anos dos artigos de Einstein. Lembro que fiz amizade com um indiano que não era físico, mas tinha idéias amalucadas sobre o E=mc2. Ele tentava demonstrar no seu painel que esta fórmula estava errada. Como vi que os grandes cientistas do evento (o Prêmio Nobel Steve Chu, por exemplo) nem davam bola para o coitado (lembro que ele quase chegou a chorar, pois nunca tinha sentido na goela a secura do meio científico) não fiquei me preocupando tanto sobre o trabalho dele. Depois, observando cuidadosamente o painel, percebi que ele tinha certa razão. É porque o Einstein havia deduziu mesmo a equação de uma maneira "pouco formal". Mas isso não quer dizer que a fórmula esteja errada. Mais tarde é que o Richard Feynman mostrou o jeito de calcular e chegar realmente ao E=mc2.

E olha só. A fórmula ícone do mundo moderno não havia ainda sido comprovada experimentalmente! Por exemplo, o que acontece é que a massa do próton resulta principalmente da energia proveniente de partículas minúsculas, os quarks e os glúons. Isso teoricamente já era aceito. No entanto demonstrar experimentalmente é o equivalente a comprovar E=mc2. E foi isso que fez uma equipe internacional de físicos, confirmando assim "pela primeira vez" a hipótese apresentada pela famosa fórmula de Albert Einstein.

"Até hoje uma hipótese, o resultado foi pela primeira vez corroborado", ressalta oficialmente o Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS), que realizou a experiência.

Neurociência: novidades sobre a assinatura do ódio no cérebro

Raiva dirigida a um indivíduo provoca padrão único de atividade cerebral, revela pesquisa
Por Tatiane Leal
(Portal Ciência Hoje)

O ódio deixa sinais inequívocos no cérebro. É o que mostra uma pesquisa inglesa que mapeou as áreas cerebrais ativadas em voluntários enquanto viam fotos de desafetos. Os resultados mostram que existe um padrão único de atividade no cérebro em um contexto de ódio e que, embora bem diferentes, esse sentimento e o amor romântico ativam duas estruturas cerebrais em comum.

Os pesquisadores analisaram a atividade cerebral de 17 homens e mulheres que olhavam fotos tanto de pessoas odiadas – geralmente um ex-amor ou um adversário do tr
abalho – quanto de conhecidos neutros. O efeito provocado pelas fotos dos desafetos foi a ativação de um conjunto de áreas que formam o chamado circuito do ódio.

“O estudo mostra que o ódio certamente tem um efeito na atividade cerebral”, diz à CH On-line Semir Zeki, do University College London (Reino Unido). “Esse sentimento tem origem no cérebro, que é o centro de nossas emoções e da consciência”, completa o pesquisador, autor principal do artigo que apresenta os resultados do estudo, publicado em outubro na revista PLoS One.

Algumas áreas que pertencem ao circuito ativado pelo ódio estão ligadas ao planejamento e à execução de movimentos – o córtex pré-motor – e à previsão das ações de outras pessoas – o pólo frontal.

“Nossa hipótese é que a visão de uma pessoa odiada mobilize o sistema motor para uma possibilidade de ataque ou defesa”, avalia Zeki. “A previsão da ação do outro também seria importante no confronto com uma pessoa odiada.”

Outra estrutura envolvida no planejamento motor e ativada pelo ódio é o putâmen direito, também estimulado pelos sentimentos de medo, desprezo e repugnância. O padrão cerebral identificado pelos cientistas é distinto do relacionado a emoções como medo, perigo e agressividade, embora haja uma parte do cérebro associada à agressividade que é ativada por todos esses sentimentos.

Os pesquisadores já haviam realizado estudos semelhantes em relação ao amor romântico. A comparação entre os efeitos do ódio e do amor no cérebro mostrou que duas áreas – o putâmen e a insula – são ativadas pelos dois sentimentos.

Zeki destaca que amor e ódio, embora aparentemente antagônicos, se confundem e interagem em muitos momentos. “O dia-a-dia providencia exemplos em que essas conflitantes emoções se entrelaçam”, diz. E exemplifica: “Se um companheiro nos trai, o ódio resultante é provavelmente muito mais intenso do que se tivéssemos sido traídos por um estranho”.

Uma diferença encontrada entre os efeitos provocados pelos dois sentimentos foi o padrão de desativação de algumas regiões cerebrais. No caso do amor, zonas do córtex cerebral relacionadas ao julgamento e à razão são desativadas, o que faz com que o indivíduo seja menos crítico e exigente em relação à pessoa amada.

Já em situações de ódio, somente uma pequena região do córtex frontal fica desativada. “O padrão de desativação encontrado foi muito mais restrito em comparação ao observado nos estudos sobre o amor”, afirma Zeki. “A desativação provocada pelo ódio pode estar relacionada a uma mudança de atenção: o indivíduo pára de se preocupar com o espaço exterior e passa a ter uma experiência interna associada com a ansiedade”, explica.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados dizem respeito ao ódio a um indivíduo. Eles pretendem no futuro estudar os efeitos cerebrais do ódio contra grupos de pessoas, seja em função da raça, do gênero ou da opção política.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

10 mais influentes da História

Mês passado fiz uma releitura rápida do livro The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History, de Michael Hart. No livro há uma lista das 100 pessoas que mudaram o curso da história, na visão do autor. Abaixo a lista dos 10 primeiros e minhas humildes discordâncias e concordâncias:

1. Maomé (discordo: colocaria aqui não uma pessoa, mas uma equipe: a equipe do LEP-CERN (Acelerador de Elétrons-Pósitrons do Centro de Pesquisas Nucleares da Europa), na Suíça, deveria levar por ter colocado à disposição do mundo a WWW, versão atualizada de um sistema chamado ENQUIRE, e muito mais amigável que uma rede militar antiga chamada Arpanet; isso sem dúvida mudou muito profundamente o curso da história e eu até diria que você só está lendo estas minhas palavras graças à tal equipe; agora, se não vale colocar equipe, então fica o nome de uma pessoa, que foi o membro da equipe que bolou todo o projeto: o engenheiro Tim Berners-Lee do CERN)

2. Isaac Newton (discordo: depois que conheci pessoalmente a história do Newton lá no Trinity College de Cambridge, onde ele estudou e foi professor, acredito que a sua contribuição, apesar de grandiosa, não chega aos pés do que fez Gutemberg ao permitir que todos tivessem acesso à leitura através da invenção da tipografia -- sem isso é provável que a Europa ficasse mergulhada durante muito mais tempo na Idade Média; não que a idade média tenha sido um período ruim, mas foi um período em que poucos tinham acesso ao conhecimento. Também, com a possibilidade de ter uma bíblia impressa para todos, a reforma Luterana foi melhor sucedida; certo, Newton, Lucasiano da Universidade de Cambridge, foi extremamente influente, mais como político que como cientista, foi capaz de manipular a Europa inteira a seu favor, comprando brigas sem fim com os maiores filósofos e cientistas da época; se transformou em um semi-deus na Inglaterra e praticamente inaugurou o método científico; era o homem que cuidava do dinheiro da nação mais poderosa da época -- uma espécie de Alan Greenspan pós-feudal que ao mesmo tempo era alquimista e filósofo natural (filósofo natural, ou seja físico, matemático, geômetra e astrônomo ao mesmo tempo) -- e foi enterrado como um rei na Abadia de Westminister em Londres; qual o físico que não queria uma coisa assim?; no entanto, o mundo contemporâneo está entendendo melhor a personalidade deste gênio e compreendendo que muito do que ele fez foi por razões puramente egocêntricas; eu o colocaria lá na 9. posição (ver abaixo); depois que Einstein e Poincaré acabaram com a noção de tempo absoluto e Minkowski criou a noção de espaço-tempo, definitivamente Newton caiu de sua posição de top 2, segundo minha humilde opinião)

3. Jesus (discordo: acho que talvez Jesus tenha sido o maior ser humano da história, mas não o mais influente; as pessoas se tornaram cristãs, na verdade, graças a São Paulo, que foi de vila em vila pregando sobre Jesus e escrevendo cartas para Deus e o mundo falando coisas que provavelmente fizeram Jesus se remexer no seu túmulo -- se bem que está escrito que ele ressuscitou dos mortos)

4. Buddha (concordo: até o século 8 d.C. boa parte da Ásia era budista, e essa boa parte era a que detinha o maior poder filosófico e cultural daquela época, como Índia e China; eu colocaria aqui Maomé empatado com Buddha, porque Maomé, como grande religioso, também foi um grande militar expansionista; não que eu concorde com grandes generais expansionistas, mas o fato é que todos os generais que lhe sucederam lhe veneraram como um deus; e daí sua grande influência até hoje; e as grandes universidades do mundo existem por causa do empreendorismo cultural medieval do Islã, queiram ou não queiram)

5. Confúcio (concordo: a China é o que é por causa desse cara)


6. São Paulo (discordo: como coloquei anteriormente, acho que São Paulo foi mais influente do que se pensa; eu faria uma inversão de papéis e colocaria aqui Jesus; e sejamos francos: quando John Lennon disse que os Beatles eram mais famosos que Jesus, ele estava sendo realista; muita gente ficou com raiva do John Lennon, mas a realidade é que mesmo as pessoas que se dizem cristãs buscam mais aos ídolos midiáticos do que encontrar razões para idolatrar Jesus)


7. Tsai Lun (concordo: foi inventor do papel)



8. Gutemberg (discordo: como já me expressei, Gutemberg foi o responsável por uma revolução mundial de enormes proporções na área da divulgação cultural; ele está no topo da minha lista; colocaria aqui uma mulher no lugar: Teodora, esposa do imperador Justiniano; coloco basicamente porque historicamente está comprovado que quem moldou o pensamento medieval, quem resolveu os maiores cismas no cristianismo e quem foi o maior legislador da idade média foi Justiano; só que o problema é que Justiano era quase um marionete de Teodora; e até ousaria dizer que muitos destes imperadores, césares, reis, etc, etc, tiveram na verdade uma mulher manipulando suas idéias e decisões; é impressionante como o Michael Hart não tenha percebido isso, e a primeira mulher que aparece na lista, Elisabeth I, está lá pelo número 50)

9. Cristóvão Colombo (discordo: aqui eu colocaria o trio Descartes/Newton/Bacon -- e também Galileu -- que moldaram o método científico moderno e toda tecnologia atual só foi possível graças a este método; eles representam o que é hoje chamado de pensamento cartesiano ou mecanicista; muitas idéias do chamado materialismo científico e do positivismo foram germinadas graças a estas pessoas)


10. Albert Einstein (discordo: apesar de ser o fã n. 1 do Einstein, vamos ser realistas: se o Einstein nunca tivesse existido, o Max Planck, o Hilbert e o Poincaré -- quiçá o Weyl ou o Cartan -- teriam feito na mesma época um trabalho similar ao que ele fez; o século XX foi uma época em que muitos cientistas começaram a trabalhar pesado e o Einstein era apenas um deles; eu colocaria no lugar do Einstein filósofos como Sócrates/Platão/Aristóteles ou então uma pessoa que ninguém nunca se lembra porque ele vivia, no século XIX, na floresta numa simples cabana a escrever livros, mas influenciou desde Lincoln, Gandhi e Martin Luther King, e o filme Sociedade dos Poetas Mortos é praticamente uma homenagem a ele: Henry David Thoreau, ensaísta, poeta e filósofo estadunidense. Os movimentos abolicionistas de todo mundo naquela época tinham a marca de Thoreau e ele influenciou profundamente o pensamento de Wittegenstein -- da escola de Cambridge -- e os movimentos anarquistas europeus; o recente filme de Sean Penn, Into the Wild, é também uma grande homenagem a este filósofo)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Igreja Universal do Reino do Capeta

O vídeo a seguir é uma sátira que pretende ser saudável que criei neste último mês, nas horas vagas. Como eu não queria fazer um brincadeira envolvendo uma provável igreja de Jesus, achei melhor zoar com o capeta do que com o Jesus. Se o capeta quiser se vingar de mim, vai ter que desfazer o meu corpo fechado que eu preparei na santa igreja do conhecimento científico. Os personagens do vídeo são puramente fictícios. Se houver alguma semelhança com a realidade, é pura coincidência (ou não, hua hua hua hua hua!!!).

video

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Viajando pelo Brasil e meu encontro com o Maestro Mozart Vieira e os meninos de São Caetano no agreste Pernambucano

Por enquanto o meu conhecimento do Brasil se resume àquele do Tratado de Tordesilhas. Ou um pouco mais que isso. Você pode ver as andanças no mapa abaixo. A maioria feita de ônibus ou até mesmo tomando carona em Toyotas rurais lotadas de prostitutas.






















A primeira viagem fiz quando tinha cinco anos. Recife-São Paulo, de avião, para morar no habitat paulistano. Mas uma das melhores viagens que fiz, foi ao sertão nordestino. Não há nada mais bonito que o sertão: pernambucano, paraibano ou baiano. O pôr do sol é diferente. Os pássaros são magníficos. As estrelas tem as cores de um sonho bonito que não quer acabar.

Uma destas viagens fiz com um ônibus da empresa onde trabalhava. Fomos ao alto sertão do Pajeú, onde fica a cidade de Afogados da Ingazeira e também São José do Egito. Depois ao alto sertão de Pernambuco, onde fui à cidade de Inajá, que só possui uma rua, um dos menores índices de desenvolvimento do Brasil, cujo acesso só por meio de estrada de barro, mas mesmo assim o lugar com o maior número de galos-de-campina que vi na vida, esvoaçantes entre as árvores de algaroba. (Este foi o lugar onde salvei um galo-de-campina de uma gaiola, ao comprar de um garoto pobre a quem demos carona no meio da selva de cactos e mandacarus.) Conheci ao vivo os vaqueiros tão falados nas músicas de Luiz Gonzaga, fazendo o seu serviço de atravessar a caatinga com sua roupa de couro e chapéu típico, em busca de um novilho perdido. Dormi em pequenas hospedarias, que nunca tinha visto antes no Brasil e só existem por ali mesmo.

Depois, na volta para Recife, o serviço exigia ainda a visita a muitas cidades do Agreste Pernambucano, como Garanhuns, onde passamos no local onde nasceu Lula (Caetés), e o gigantesco motorista Boião (que comia buchada de bode no café da manhã, e mais Coca-Cola Light que era para não engordar) foi render graças à Santa Quitéria em Freixeiras (local repleto daquelas mãos e pés de cêra que os devotos deixam para agradecer às promessas).

Na passagem a São Caitano (ou S. Caetano da Raposa), caminhei no horário do almoço pelas ruas daquela terra de meus ancestrais, das famílias Gomes (do meu primo cineasta Marcelo Gomes), Pontes (do meu pentavô José Pedro de Pontes, fundador da cidade, dono da fazenda onde nasceu minha bisavó Lourdinha, onde Lampião e Corisco algumas vezes passaram) e Coimbra (de meu bisavô maestro e político, Luiz Coimbra), repleta de lembranças da minha juventude, do rio Ipojuca, do assustador cemitério, da pescaria no açude e da Pedra do Cachorro (que hoje é uma das maiores atrações turísticas do Nordeste).

Lá do outro lado do rio, no bairro Cabugá, aquela casa imponente. No alto de uma colina, próxima à antiga estação de trem, a casa onde moraram os Andrade, onde morou a minha querida tia Lucy. Casa cheia de histórias. E naquela casa estava (e acredito que ainda esteja) simplesmente a atual sede da Fundação Música e Vida, criada pelo maestro Mozart Vieira na década de 1990.

Ao adentrar na casa fui recebido por Mozart em pessoa, com sua barba bem aparada e pequenos óculos redondos. Estava terminando de apresentar uma aula de música para as crianças. Senti-me emocionado. A infra-estrutura da Fundação era de dar gosto. E a simpatia de Mozart, sem limites. Nos apresentou à casa e ao propósito dela. Conhecemos alguns dos meninos (naquele momento já adultos) que fizeram história ao tocar Bach e Villa-Lobos entre pedras e mandacarus, quebrando um pouco esta sombra de ignorância perene que enevoa a cultura deste nosso lindo Brasil.

Nunca lembro de tirar fotos quando encontro estes personagens que entrarão na história... O mesmo foi quando conversei certa vez com o Stephen Hawking (um dia conto esta história) ou quando conheci sem querer o Fidel Castro ou o cardeal Ratzinger.

Por acaso, esta semana assisti ao filme (em cartaz nos cinemas) "A Orquestra dos Meninos", que conta a história de como Mozart criou a Fundação e o sonho de reunir crianças para fazer uma banda sinfônica. O filme surpreendeu-me pelo roteiro bem amarrado, atuações mais que eficientes de Murilo Rosa e Othon Bastos e por evitar a todo custo o pieguismo. Por isso nada mais falarei sobre Mozart. Se quer conhecê-lo assista ao filme. Abaixo um trecho do que você irá ver. Apenas gostaria de dizer que Mozart é um exemplo a ser seguido no empreendedorismo cultural de alta qualidade e de altruísmo sem limites.

O Brasil tem tanta coisa linda... Um pôr-do-sol em São Caitano, no alto do Cruzeiro, ao som de bachianas brasileiras, tocada por crianças que ninguém daria um centavo por seus futuros é uma destas situações para ficar na mente por toda a vida.

Livro sobre partículas elementares vira programa da TV brasileira

O discreto charme das partículas elementares, título publicado pela Editora Unesp, foi adaptado para a televisão e o resultado pode ser conferido no próximo dia 10 de novembro (segunda-feira), às 19h30, na TV Cultura. O objetivo, tanto do programa quanto do livro, é tornar acessível ao público leigo a Física das Interações Fundamentais. A data para a exibição da atração coincide com o “Dia Mundial da Ciência pela Paz e Pelo Desenvolvimento”, que leva o selo da ONU.

Veja abaixo um resumo do programa divulgado pela TV Cultura:


Em O discreto charme das partículas elementares, a história das partículas elementares, as “pequeninas” como carinhosamente as trata a autora, Maria Cristina B. Abdalla, é reconstruída desde as primeiras descobertas na área e a alvorada da teoria quântica até as novas manifestações da matéria. Refaz, assim, a trajetória da mudança de modelos, que acontece sempre quando da descoberta de uma partícula, levando a Física das Partículas a se transformar no que é hoje denominado Modelo Padrão da Física de Partículas.

Uma caminhada que persegue o mundo invisível dos quarks e léptons e avança até as grandes estruturas cosmológicas, sempre por meio de um estilo agradável, auxiliado por inúmeras ilustrações. Neste enlace do micro e do macrocosmo, Maria Cristina Abdalla nos desvenda as fascinantes “pequeninas” a partir das quais toda a matéria do universo observado é formada.

No programa da TV Cultura de São Paulo, Marcelo Tas atua como um apresentador de TV, do tipo chapeleiro maluco, e leva a personagem principal, Rafael (Giovanni Delgado), para uma viagem em um mundo paralelo, com informações sobre átomos, elétrons, quarks, léptons e bósons mediadores e também sobre a teoria do big bang (uma das explicações para a origem do universo). Neste cenário, onde 70% dos espaços são digitais, os atores interagem quase que o tempo todo com o virtual, como se fosse um videogame onde o protagonista precisa passar por diferentes níveis. “O programa utiliza uma linguagem moderna e lúdica para tratar de um assunto que costuma ser árido para os jovens. Tudo isso, construído com uma diversidade de computação gráfica que contribui para ensinar e tornar a atração bem interessante visualmente”, comenta Ricardo Elias (dos premiados “De Passagem” e “Os 12 Trabalhos"), diretor da atração.
Sobre a autora – Maria Cristina Batoni Abdalla é
professora livre-docente do
Instituto de Física
Teórica da Unesp, em São Paulo. Foi professora
associada
do ICTP-Trieste, na Itália, e trabalhou
no CERN, em Genebra, na Suíça.


Sítio do programa da TV Cultura:
http://www.tvcultura.com.br/particulas/

Para comprar o livro clique aqui.

Retirado do Boletim da Sociedade Brasileira de Física (SBF)
de 10/11/2008.

Matéria divulgada pela Prof. Isabel Tamara Pedron da
Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Partículas fantasma no acelerador Tevatron

O detector de colisões do Fermilab (ou Collision Detector at Fermilab, CDF), observou objetos misteriosos nas últimas semanas com propriedades físicas muito estranhas. O fenômeno inesperado foi visto a partir da produção de múons extras, parentes mais pesados dos elétrons.

O CDF é um dos experimentos localizados no grande acelerador Tevatron, em Illinois, EUA. O Tevatron é atualmente o acelerador mais poderoso em operação (1,9 TeV de energia de colisão) que será suplantado em breve pelo LHC (que terá 14 TeV).

O efeito é tão controverso que 200 dos 600 pesquisadores responsáveis pela descoberta se negaram a colocar o próprio nome no artigo que suporta o experimento de 69 páginas que foi lançado em 29 de outubro na página de pre-prints do Los Alamos Laboratory (http://arxiv. org/abs/0810. 5357).

As explicações para o fenômeno observado no acelerador são as mais diversas: incidência de uma partícula ainda não classificada, cordas hipotéticas ou mesmo modificações da física.

O fenômeno foi visto a partir de um espectro estranho em cem mil colisões ocorridas no acelerador, e tem um presença persistente. Os físicos de partículas sabem, dado o número de colisões relativamente pequeno, que isto não é apenas uma flutuação estatística.

"Estou no CDF desde 1992, mas nunca vi algo tão estranho", diz Tommaso Dorigo, colaborador no experimento e físico da Universidade de Pádua. "Precisamos tentar entender o que é isso."

O CDF foi feito para detectar partículas massivas exóticas, raramente vistas na natureza. Como a maioria dos experimentos da física de altas energias, ele não detecta diretamente tais partículas, mas procura evidências a partir da presença de partículas mais leves que mostram assinaturas da partícula exótica a partir de um possível decaimento.

O que deixou os físicos do CDF perplexos foi a presença de um excesso inesperado de múons na experiência. Isto mostra que um número maior de decaimentos ocorreu e algo "fantasmagórico"está por trás.

Jacobo Konigsberg, físico da Universidade da Flórida e colaborador no experimento diz que os cientistas passaram meses tentando explicar o fenômeno, mas na falta de uma boa explanação simplesmente acharam melhor publicar os resultados experimentais para que outros cientistas iniciassem um debate.

Alguns cientistas teóricos vêem no resultado um indício de uma partícula de matéria escura. No entanto, Adam Falkowski, físico teórico do CERN (centro de pesquisas europeu próximo a Genebra, Suíça, onde está montado o LHC), diz que uma explicação convincente demanda muito trabalho e precauções extras contra tentativas que forcem os dados a se encaixar em teorias muito particulares.

Existem ainda os céticos que acreditam que o experimento não tenha detectado de fato algo novo. Algumas críticas recaem sobre o Tevatron no que condiz a muitas confusões que decorrem da dificuldade de interpretar os dados do acelarador. Konigsberg concorda com as críticas e diz que espera que outros experimentos, incluindo o detector DO do próprio Fermilab e o Grande Colisor de Hádrons (LHC, do CERN) possam reproduzir tais aparições misteriosas.

Para ver mais:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Porquinhos e porcões

The Beatles - White Album

Piggies (G Harrison, tradução: Coimbra-Araújo's blog)




Have you seen the little piggies/
Você já viu os porquinhos
pequenos
Crawling in the dirt/
Se lambuzando na lama?

And for all the little piggies/
E para todos os porquinhos
pequenos
Life is getting worse/
A vida está cada vez pior

Always having dirt to play around in./
Sempre tendo apenas sujeira para brincar.


Have you seen the bigger piggies/
Você já viu os porquinhos maiores

In their starched white shirts/
Em suas camisas brancas engomadinhas?

You will find the bigger piggies/
Você encontrará os porquinhos maiores

Stirring up the dirt/
Remexendo na sujeira

Always have clean shirts to play around in./
Eles sempre têm camisas impecáveis para brincar.


In their sties with all their backing/
Em suas pocilgas lotadas de dinheiro

They don't care what goes on around/
Eles nem se importam com o que está rolando

In their eyes there's something lacking/
Em seus olhos existe um vazio
What they need's a damn good whacking./
O que eles precisam é de uma boa palmada.

Everywhere there's lots of piggies/
Em todo lugar há um monte de porquinhos

Living piggy lives/
Vivendo suas vidas de porco

You can see them out for dinner/
Você pode vê-los saindo para jantar

With their piggy wives/
Com suas esposas porquinhas

Clutching forks and knives to eat their bacon./
Segurando garfo e faca para comer seu bacon.



02 de novembro - dia internacional do vegano

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Halloween versus Cosme e Damião


Quando eu era pequeno, morava em São Paulo. Numa vila de bairro cheia de crianças. Um dia me deram um saquinho com doces. Nela estava escrito: Cosme e Damião. Eu tinha uns sete anos e foi a primeira vez que ouvi falar dos santos gêmeos. Na verdade sempre foi um costume, ao menos no Brasil, dar doces para as crianças no dia 29 de setembro, dia destes padroeiros. Dizem que eram santos médicos do século 3 que se recusavam a consultar por dinheiro (ou seja, com certeza os anti-padroeiros da classe médica moderna, huahuahua).

Ultimamente (e quando digo "ultimamente" quero dizer "mais de vinte anos") nunca mais ouvimos falar em Cosme e Damião. Talvez quem freqüente a Umbanda tenha uma intimidade maior. Fora isso, Cosme e Damião talvez nada mais signifique. Há muito tempo nada significa para médicos. E agora, significa apenas um "já ouvi falar" na cabeça dos pais das crianças.

Na última semana participei pela primeira vez do equivalente saxão globalizado de Cosme e Damião, que é a festa do dia das bruxas, ou Halloween para os íntimos. Esse nome tem origem numa contração do anglo arcaico Hallowe'en para a véspera do dia de todos os santos (All Hallows Eve). E parece que é uma festa de origem celta (os celtas habitaram desde a Espanha até a Escócia e Irlanda). Enfim, os imigrantes irlandeses e escoceses levaram essa coisa para os Estados Unidos no século 19, o que acabou virando febre local e agora efeito global.

Nunca na minha vida imaginei sair por aí com um saquinho a dizer "gostosuras ou travessuras". No condomínio em que moram meus pequenos primos parece que já é algo instituído há anos. Como nada escondo, participei sim da brincadeira. Mas também não escondo que fiz muitas reflexões no final do dia, principalmente depois de conversar sobre o assunto com dois dos meus melhores amigos: Filipe Luna (jornalista do programa Metropolis da TV Cultura) e Guilherme Luna (um dos maiores advogados de São Paulo).

Originalmente Cosme e Damião também não era uma festa brasileira. Foi introduzida por portugueses no século 16. As festas originais tinham relação com estações do ano, colheita e os índios eram os protagonistas. Com a vinda dos ibéricos (de herança judeu-árabe-celta-cristã-gótica), novas festas entraram no calendário, principalmente as festas cristãs. É possível que a festa de Cosme e Damião, como era conhecida por nossos avós, seja um sincretismo criado por nossos antepassados afro-descendentes e portugueses senhores de engenho. Uma festa que provavelmente participava da formação de uma identidade brasileira pré-globalização.

Agora, o conceito de identidade brasileira passa por uma forte transformação nesta geração Coca-Cola youtubizada. E seja lá o que aconteça, já percebi que Cosme e Damião será uma festa esquecida.

Infelizmente.

Sempre existe uma moda regida por grupos capazes de controlar a sociedade via centenas de tipos de mecanismos. Tais grupos jogaram Cosme e Damião no esquecimento. E Halloween acabará virando coisa normal. Assim foi com a Igreja Católica um dia. E quiçá com a Igreja Universal do Reino de Deus no futuro...

Neste momento só nos resta pensar se educar nossos filhos à base de "gostusuras e travessuras" seja realmente uma boa idéia. Eu particularmente rasguei minha fantasia de bruxo. Por enquanto no meu entender ainda é cedo para mergulhar tão profundamente na piscina do nosso querido tio Obama Sam. Domo Arigatô Gozaimashtá!