quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Amanhã 2009

Nesse nosso calendário cristão do ocidente, amanhã será um novo ano. Entretanto, para judeus e árabes o ano novo tem uma data totalmente diferente. Os budistas, taoístas e a diversidade hindu também usam outras datas. Comercialmente, no entanto, esse mesmo calendário usado por brasileiros e demais cristandade ocidental acaba predominando como referência, dado o domínio econômico baseado no eixo anglo-saxônico.

Discussões à parte, desejo ao nobre leitor deste blog um feliz ano novo. Tal que ano novo signifique uma nova oportunidade de recriar as motivações para a construção de um mundo interno mais saudável, o que significa a esperança de um mundo externo mais pacífico.

A quem Gino e Geno mais o padre devem agradecer

Adolescentes do sexo masculino odeiam a missa. Em quase sua totalidade.

Adolescentes do sexo masculino odeiam Gino e Geno. Ou ao menos gostam até certo momento e depois passam a odiar.

As missas estão lotadas de adolescentes do sexo masculino. Ao menos nos locais onde se gosta de Gino e Geno isso é verdadeiro.

Os shows de Gino e Geno estão lotados de adolescentes do sexo masculino. Ao menos nos locais onde as missas estão lotadas, a premissa é verdadeira.

A quem o padre e também Gino e Geno deveriam agradecer?

Às adolescentes do sexo feminino? No caso específico de Gino e Geno, como diz a música que eles mesmos cantam, além da mulher deveriam também agradecer à bebida?

Resta saber por qual razão as adolescentes do sexo feminino gostam de ir à missa e ao show de Gino e Geno. A missa, vá lá, tem uma série de fatores sociais. Gino e Geno, pelo amor de Deus, em suas letras tratam a mulher como o mais rasteiro objeto de consumo. Mas mesmo assim, acredite se quiser, recebem uma horda de mocinhas que dançam animadas ao som de "Bebo pa carai".

O que sempre elas dizem: até que tem aquele "ritmo gostoso" de rodeio, ambiente para dançar e experimentar os beijos. Hum, peraí. Os beijos!

E se os meninos não fossem ao show de Gino e Geno? Não haveriam os beijos!

Se os meninos não fossem ao show de Gino e Geno, apesar de lamentavelmente acabarem sendo taxados de mariquinha, será que trariam a falência indubitável à dupla sertaneja, que perceberia a triste sina de ter audiência só por causa dos beijinhos?

Calma, o raciocínio acima pode estar completamente errado. Porque na missa não há beijinho e nem bebida e nem dança.

Mas tem a paquera!

Paquera na missa pode trazer como conseqüência beijinho no Gino e Geno? Se isto for verdade, eis uma das explicações possíveis para o grandioso fenômeno do homo sacrus-profanus que vê-se hoje em dia. Ou também para aquele fenômeno de transformar a letra de "beber, cair e levantar" em "adorar, louvar e rezar", mantendo ritmo e melodia.

Pois é. Paquerar, beijar, ficar, agarrar e tudo o mais. São todos farinha-do-mesmo-saco do fantástico e natural mundo da caça ao sexo.

O engraçado é pensar que missa e Gino e Geno são palcos perfeitos para a estratagema. "Estratagema do cão", diria o padre, "mas se é para vir à missa, tudo bem", completa. Ou seja, o estratagema do cão é ir à missa? "Não", diriam Gino e Geno, "estratagema de Deus, ajudando a nóis e nossa família, uai. Nóis levando a alegria e a boa música".

É, caros padre e Gino e Geno... No fundo ninguém liga para o que vocês dizem: só querem uma desculpa para se aproveitar da grande aglomeração na esperança de satisfazer as sagradas escrituras da bíblia hormonal. E quem paga o preço é o coitado que não agüenta mais o hino desafinado da igreja e a falta de boas opções culturais na praça...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Lembrando 2008 - Melhores restaurantes

Nem só de pão vive o homem. Mesmo assim, vai abaixo uma lista dos lugares onde mais gostei de comer. Absolutamente não se trata de um guia gastronômico e os locais algumas vezes estão longe de ser os melhores. Mas podem servir como dica para quem estiver por aí afora. Também, como sou um pé-rapado, dificilmente eu conheceria alguns dos listados abaixo se não fosse pelo generoso convite dos grandes amigos.

Creperia La Capannina (ótimos crepes e mesa de queijos, na inolvidável companhia de José Araújo e Diana Araújo), Recife, Brasil

La Gondola (boa pizza, ótimo antepasto) Ponta Negra, Natal, Brasil

Il Pagliaccio (ótimas massas, peça aqui um excelente Chianti toscano, em pleno West London, na companhia de Amanda Hart e Jacopo Garofalo), Londres, Reino Unido

Casa Braz (excelente pizza, na companhia de Filipe Luna - TV Cultura), Alto de Pinheiros, São Paulo, Brasil

Macunaíma (o melhor self-service em que já comi, na companhia do poeta Luis Geraldo Falcão), Recife, Brasil

SeaFood Café (vulgo "sifu": excelente sopa, o resto nem tanto), St Ives, Cornualha

The Orchard (excelente chá da tarde no bosque preferido de Virginia Woolf e Bertrand Russell, na companhia de Guilherme Luna e Leonardo Luna), Grantchester, Cambridge, Reino Unido

Le Café de La Plage (ótimo café da manhã parisiense), Paris, França

Café & Arte (ótimas massas, destaque para o nhoque de mandioquinha, na companhia da alta tecnologia de Campinas: Jo Ueyama, Nelson Uto, Sergio Sakai, Emerson Takahashi e Liliana Periotto e do professor da UFABC Roldão da Rocha), Barão Geraldo, Campinas, Brasil

La Vecchia Signora (bom restaurante italiano, mas preço abusivo, na minha própria companhia), Tivoli Gardens, Copenhagen, Dinamarca

Restaurante Peixe na Telha Porto de Galinhas, Brasil

Cantina do Gigio (excelente massa verde e antepastos, na companhia de Maria José Luna e Marcos Nazareno Luna), Jardins, São Paulo, Brasil

Azzurro (um restaurante italiano que me surpreendeu, custo/benefício muito bom, na companhia de Rejane Leimig e André Tognoli), Londres, Reino Unido

La Tasca (ótimo restaurante espanhol em plena Inglaterra), Cambridge, Reino Unido

Pizzaria Forno a Lenha (boa pizza, na minha própria companhia), Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil

The Turf Tavern (ótimo pub, com um excelente risoto de legumes, na companhia de Joseph Colon e Edith Losada), Oxford, Reino Unido

Tate Britain Café (ótimo chá inglês, na companhia de Amanda Hart), Londres, Reino Unido

Strada (excelentes massas, Guilherme Luna e Leonardo Luna), Cambridge, Reino Unido

Maison do Bonfim (ótimo restaurante franco-brasileiro em pleno alto da Sé de Olinda), Olinda, Brasil

The Anchor (um excelente pub inglês, com ótimos pratos), Cambridge, Reino Unido

The Eagle (excelente pub inglês de 1525, onde foi descoberto o DNA, na companhia de Guilherme Luna, Leonardo Luna), Cambridge, Reino Unido

Obs.: Sobre a descoberta do DNA no The Eagle, leia o artigo na Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Eagle_Pub

domingo, 28 de dezembro de 2008

Dicas de países baratos

Depois de viajar para a Índia e perceber que meu dinheiro rendia muito naquele país (comprei por exemplo uma caixa de mármore da Cachemira, com pinturas rústicas e muito bonitas, por apenas 100 rúpias, o equivalente a 2 dólares), decidi fazer uma pesquisa sobre os lugares mais baratos para se viajar. Ontem, no sítio da revista Viagem, encontrei uma série de informações interessantes neste sentido. Disponibilizo abaixo, com base na matéria da revista, uma lista de países muito baratos e ao mesmo tempo com belas atrações turísticas. A lista é feita baseada no livro inédito The World's Cheapest Destinations (Os Destinos Mais Baratos do Mundo), e da entrevista realizada com o autor Tim Leffel.

Dos 21 lugares que constam do livro, foram escolhidos sete imperdíveis - onde gastam-se de 10 a 50 dólares por dia tranqüilamente. Luiz Jurandir Simões, economista e professor da Universidade de São Paulo, afirma que, mesmo para nós, brasileiros, com reais no bolso, os destinos são uma pechincha. "Todos eles têm mão-de-obra mais barata e infra-estrutura mais modesta", diz. Se você ainda não se convenceu, confira os preços: ficar em um bangalô à beira-mar em Bali custa 8 dólares; um jantar de classe em Marrakesh sai a 35 dólares; e, na Turquia, para um bilhete de trem em primeira classe, guarde 33 dólares.

A lista dos sete países, com respectivas informações está abaixo:

Indonésia

Tailândia

Turquia

Marrocos

Laos

Bolívia

Guatemala

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cidadão Kane e além

A Cahiers du Cinéma, publicação francesa considerada uma das mais importantes críticas do cinema mundial, publicou neste ano um livro em que elege os cem filmes obrigatórios em qualquer cinemateca. Foram reunidos cerca de setenta críticos, diretores e outros profissionais ligados à sétima arte para a escolha das produções.

O melhor filme escolhido foi "Cidadão Kane" (1941), estrelado e dirigido por Orson Welles. À época, Welles tinha apenas 25 anos e já tinha se tornado famoso em 1939 ao transmitir por rádio a invasão dos marcianos aos EUA, narrando "Guerra dos Mundos", de H. G. Wells, como se fosse uma história de verdade e ao vivo.



Em 2007, a American Film Institute já tinha feito uma lista dos cem melhores filmes estadunidenses de todos os tempos.

E aí está: "Cidadão Kane" também figura como melhor filme nesta lista da AFI.

Conclusão: mesmo que você conheça o filme e discorde das listas, assim como eu discordo, é incontestável o resultado de uma pesquisa estatística bem elaborada, que resumiria a opinião de muitos. E ainda mais se existem duas pesquisas, no caso as listas citadas. Logo, apesar de "Cidadão Kane" não ser o filme da minha vida, considero o resultado da lista válido.

Vamos ao filme em si: acho-o extraordinário, cinco estrelas, e aborda um tema de vital importância, que é o das gigantescas conseqüências que a manipulação da mídia pode gerar sobre a sociedade e sobre o indivíduo que cria tal manipulação.

O filme, dado o seu espírito ousado e perturbador, acabou não levando o Oscar. Levou o de melhor roteiro, incontestavelmente o melhor roteiro já escrito para o cinema até aquele momento. Complementarmente, "Cidadão Kane" faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüências sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática, algo tecnicamente revolucionário para a época. Tudo isto certamente cegava as produções concorrentes, mas mesmo assim não garantiu a estatueta nua, o que mostra que o Oscar desde então já havia se tornado um prêmio no mínimo desconfiável.

O roteiro, co-escrito por Orson Welles, é magnífico e conta a história de um menino pobre, mas ambicioso, Charles Kane, que abandona os pais para se tornar filho adotivo de um banqueiro milionário. Na maioridade herda os negócios do "pai"e decide se embrenhar num dos menos rentáveis, que é um jornal sem muita fama. Por meio de diversas manobras agressivas e populistas consegue transformar seu veículo de comunicação no mais influente e no mais manipulado. Por conseqüência Kane percebe que tem o "mundo a seus pés" e decide usar isto para entrar com força na cena política. O personagem central vai, aos poucos, perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos. Pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.

Também, a trajetória de Kane foi comparada a partir de então com a de muitos políticos e empresários da imprensa. O Brasil teve um verdadeiro cidadão Kane em Assis Chateaubriand. Coisa mais recente, a BBC de Londres faz a comparação entre Kane e Roberto Marinho, falecido dono da Rede Globo. O documentário é conhecido como "Além do Cidadão Kane". Foi produzido em 1993, motivado pela vitória de Fernando Collor em 1989, quando ganhou as eleições para presidente após uma manipulação maciça engendrada pela Rede Globo. Nunca tal documentário foi veiculado na televisão brasileira: foi proibido judicialmente. No entanto, aqui temos nós os dourados dias de internet. E abaixo repasso para vocês o documentário na íntegra.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Lula, o décimo oitavo passageiro

Newsweek: Lula é 18ª pessoa mais influente do mundo
Agência Estado, 22/12/2008

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, figura como a 18ª pessoa mais influente do mundo numa lista elaborada pela revista americana Newsweek para delinear a nova estrutura de poder global. Na edição com data de 5 de janeiro de 2009, o periódico publica reportagem especial sobre a ascensão de Barack Obama ao posto de pessoa mais influente do mundo e aponta os 49 políticos, grupos e personalidades com mais potencial de destaque durante o mandato do próximo presidente americano.

Ao justificar a escolha de Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a Newsweek escreve que, "depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003", o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes. Encabeçada por Barack Obama, a lista da Newsweek conta com o presidente da China, Hu Jintao, em segundo lugar, e o da França, Nicolas Sarkozy, em terceiro.

Os quarto, quinto e sexto lugares são ocupados, na ordem, pelos presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão - Ben Bernanke, Jean-Claude Trichet e Masaaki Shirakawa, respectivamente. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, aparece em sétimo lugar, seguido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo chefe de governo da Rússia, Vladimir Putin. O décimo lugar é ocupado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita.

Lula aparece à frente de figuras como o papa Bento XVI (37º), o milionário saudita no exílio Osama bin Laden (42º) e o dalai-lama (46º). No texto de apresentação, a Newsweek admite que a elaboração da lista é "altamente subjetiva e arbitrária", mas assegura que as escolhas foram cuidadosamente avaliadas e representam a tendência do novo equilíbrio de poder no mundo. As informações estão no site aberto da Newsweek.

Reforçada a idéia de vida fora da Terra

Existe um ramo da ciência chamado Exobiologia, que é o estudo da vida além daquela encontrada no planeta Terra. Como não existe de fato evidências concretas sobre vida inteligente fora do nosso orbe, o principal foco atual desta área é a avaliação de microorganismos provindos de meteoros ou outros objetos extraterrestres.

As notícias que um exobiólogo analisa com cuidado são mormente aquelas relacionadas à descoberta de água ou dióxido de carbono em sistemas fora da Terra.

Por exemplo, quando se descobre gelo em Marte, ou nas luas Titã ou Europa, um fôlego a mais surge nas pesquisas, já que água ou carbono sempre podem ser relacionados à existência de vida (pelo menos "vida" conforme o conceito pré-estabelecido para a palavra).

Há exatas duas semanas, foi anunciada a descoberta de dióxido de carbono em um planeta quente fora do nosso sistema solar. A estrela está a 63 anos-luz da Terra, a descoberta foi feita pelo telescópio Hubble e anunciada pela NASA, e o planeta está bem próximo da estrela e tem o tamanho aproximado de Júpiter.

O planeta em si é quente demais para conter vida - cerca de 1.000 graus Celsius na superfície. Mas os astrônomos disseram que as observações são a demonstração cabal de que a química básica para a vida pode ser mensurada em planetas que orbitam outras estrelas.

Em março, eles já haviam achado ingredientes do metano no planeta, um dos cerca de 300 já localizados em torno de outras estrelas. Também há sinais de vapor d'água nesse lugar.

O nome de classificação do planeta é HD 189733b. Acima e à direita você pode ver uma concepção artística. Para ler mais sobre o assunto:

http://www.nasa.gov/mission_pages/hubble/science/hst_img_20080319.html

Nelson Freire e o Prêmio Gramophone

O prêmio Gramophone (veja link na minha lista à esquerda de links de premiações da música erudita) é considerado o Oscar da música.

Em geral os grandes maestros de música erudita consideram as gravações de obras de música clássica como filmes longa-metragem da história do cinema, onde se exige um imenso trabalho técnico, profissionais de escol e trilhões de ensaios e tomadas. Estes maestros respeitam o repertório de música popular, mas comparam estas obras aos filmes de curta-metragem, que são pequenos mas não por isso obras menores.

Não sei se compactuo desta opinião. Música, assim como todas as outras artes, é algo difícil de julgar. Minha opinião é a que se você gosta de determinada obra, seja erudita ou popular, então ponto final, nada mais a discutir.

Mas que a música erudita é trabalhosa é inconteste. É como um teorema matemático. Um teorema matemático não significa necessariamente algo espetacular. Mas quando bem empregado é capaz de criar por exemplo a física quântica e por conseqüência este computador que faz com que o leitor observe este texto neste exato momento.

Como eu estava dizendo, o prêmio Gramophone é considerado o Oscar da música. No ano passado, o disco que o levou foi o "Nelson Freire e Orquestra Gewandhaus", pelo selo Decca, com a gravação dos concertos para piano de Brahms.

Abaixo apresento um trecho do documentário de João Moreira Salles (2003) sobre a gravação do concerto número 2 de Brahms por Nelson Freire. Veja a dificuldade técnica e aprecie como é sofisticado o som, assim como os melhores teoremas matemáticos do mercado.

Nelson Freire é brasileiro, de Minas Gerais, e atualmente considerado um dos melhores pianistas do mundo e já trabalhou com regentes de renome como o compositor Pierre Boulez (França), e os diretores musicais Lorin Maazel (EUA) e Kurt Masur (Alemanha). Ele tem até um sítio no portal da gravadora Decca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Curiosidades sobre Josef Mengele no Brasil

Estou passando um tempo na cidade de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, quase na fronteira com o Paraguai. Aqui é uma colônia alemã fundada pelos idos de 1950. Dizem que Josef Mengele, o famoso carrasco nazista, ficou por aqui por um tempo, quando estava se escondendo do Mossad, o serviço secreto israelense. Fiquei curioso e fui buscar algumas informações:

1. Mengele nasceu na Baviera, em Gutzburg, entrou no partido nazista em 1938 e foi médico do campo de concentração de Auschwitz, Polônia. Tinha umas idéias malucas que tentavam provar que Hitler e todos os seus asseclas tinham razão ao dizer que os alemãs eram arianos, portanto uma "raça" superior e que os judeus, juntamente com os negros, faziam parte da "raça" mais inferior de todas. Daí abria a cabeça de um judeu sem anestesia e observava as reações, inventou essa tal de câmara de gás e uma dezena de remédios malucos e venenosos para serem ministrados sadicamente.

2. Já Hitler inventou, ou melhor dizendo reinventou, aquele símbolo da suástica porque de fato a suástica é um emblema sagrado daqueles arianos que moraram na Índia e na Pérsia há 5000 anos atrás. O que Hitler não sabia é que os verdadeiros arianos eram do Kasaquistão, foram morar na Índia, Pérsia e Turquia. Muitos judeus se misturaram aos arianos durante o cativeiro na Babilônia. Por outro lado, as etnias teuto-saxônicas nada tem a ver com os povos das estepes arianas. Conclusão: os judeus são mais arianos que os alemães. Resta agora saber se o suicídio de Hitler ocorreu no momento em que ele descobrira este paradoxo, ainda por cima conectado àquele fato de que nas Olímpiadas de Berlim os negros sempre ganhavam dos loiros em todas as competições, incluída a competição para ver quem tinha a maior vara de salto. Ou será que foi simplesmente, segundo a versão corrente, porque ele estava com medo dos soviéticos? Medo de quê? Algo além do medo de ser prisioneiro? Hum... É, os soviéticos eram os mais arianos dos arianos e estariam chegando a Berlim para reinvidicar o fato e portanto provocariam humilhação generalizada; portanto era melhor não ver este dia chegar e logo "matar-me-ei", pensou Hitler com seus botões, "judeu ou russo algum ver-me-á dando o braço a torcer: aufwiedersehen munda cruel".

3. Em 1960 Mengele chegou ao Brasil, após passar algum tempo no Paraguai e anteriormente na Argentina. Talvez por essa época ele tenha passado por Marechal Rondon. Antes ele morava numa colônia alemã do Paraguai, vulgo perfume de Koln falsificado, chamada Hohenhau, ficou preocupado que o Mossad o descobrisse, o que acarretaria alguns problemas dado o conhecimento inconteste dos métodos "amigáveis" do serviço secreto israelense e decidiu vir para o Brasil.

4. No seu diário, Mengele, que agora era paraguaio, conseguindo cidadania paraguaia através do próprio Strossner, disse à sua esposa que uma vez em solo brasileiro era melhor se separarem, já que ela não merecia ser esposa de um homem procurado por todos os serviços secretos do mundo. Esperto esse Josef: percebeu que poderia brincar de médico com os descendentes femininos da raça da tribo dos bundos e provar de uma vez por todas que ele, autêntico ariano paraguaio, era capaz mais uma vez de utilizar seu instrumento médico, agora nas cobaias subdesenvolvidas de terra brasilis.

5. O objetivo de Mengele era chegar ao estado de São Paulo. Antes ele deve ter feito um tour pelo oeste do Paraná: tomou sorvete em uma das milhares de sorveterias de Marechal Rondon, utilizou-se de seu instrumento médico milhares de vezes em Umuarama, vulgo Umulherama, comprou calça jeans em uma das trilhões de lojas de roupa de Cianorte, cheirou uma na Coca-Mar de Maringá, conheceu uns ingleses paraguaios em Londrina e finalmente cruzou a fronteira para São Paulo, antes tomando conhecimento da famosa família Massafera de Jacarezinho, principal distribuidora de produtos BBB falsificados num negócio da China.

6. Na diocese de São Carlos, na longíqua cidadezinha de Nova Europa, ficou numa fazenda de uns alemães. Mentiu dizendo que era lavrador e foi trabalhar na enxada com o nome falso de Fritz. Desconfiaram que ele mentia porque um dia pegaram ele ouvindo Mozart. Que diabo de lavrador é esse que não gosta de Gino e Geno, Victor e Leo, Calypso e Créu? Fritz, fora da minha fazenda já!

7. Fugindo desesperado, foi morar na casa de uns conhecidos alemães em São Paulo. Nessa época dizem que ele estava tão ansioso que ficava mordiscando o próprio bigodão. Ocorreu que todo dia ingeria uma porção do seu prato preferido, ou seja, o seu próprio bigode, e seu intestino ficou obstruído por um bolo de cabelos, causando grande dor e desconforto. Como ele tinha medo de ir ao hospital, aturou a dor por muito tempo, ficou severamente doente. Um conhecido o levou para o pronto atendimento. Nessa época Mengele já possuía passaporte brasileiro, falsificado com suas próprias mãos: ele colara uma foto sua por cima da de um alemão naturalizado brasileiro de 45 anos. No entanto, Mengele tinha 60 anos, e após apresentar o passaporte na recepção, causou desconfiança em todo o hospital. O médico responsável foi chamado. Depois de algumas explicações, aceitaram que fosse internado: a incrível justificativa foi que na confecção do passaporte a Polícia Federal havia cometido um erro de quinze anos na data de nascimento. "Como o Brasil é perfeito!", pensou Mengele.

8. Durante a sua velhice, Josef recebeu em São Paulo a visita do filho adolescente, Rolf, que morava na Áustria. Todos na Áustria sabiam que Rolf era filho do carrasco nazista, e portanto é fácil de imaginar quão sinuosa deve ter sido a adolescência do garoto. Provavelmente os amiguinhos do menino deveriam xingá-lo da seguinte forma: "Rolf seu filho da... Seu filho de Mengele!". Segundo as memórias de Rolf, o principal tema das conversas que os dois tiveram em São Paulo foi: "pai, como é que o senhor acreditava nessa balela de raça superior?" Ao que Josef respondia: "filho, não é balela, é a mais pura verdade: somos descendentes puros dos arianos, que sobreviveram à morte de Atlântida e recuperaram o anel nibelungo por meio de Sigfried, e que nas noites de natal firmemente esperam a chegada do bom velhinho e seus duendes verdes, que insisto em dizer, não são os mesmos das aventuras do homem aranha, e sobretudo choramos quando o coelhinho da páscoa esquece de nos trazer os gostosos ovinhos de chocolate".

9. Em 1979, após pensar milhares de vezes em se suicidar, Mengele viajou com uma família amiga para a praia de Bertioga. Dizem que ficou na praia a olhar para o horizonte e dizer: "para lá está a minha querida Alemanha". Depois entrou na água, e ninguém sabe porque foi nadando, nadando, caiu numa corrente forte e se afogou. Pediu socorro, correram atrás, socorreram, mas já era tarde, tinha engolido muita água e morreu. Foi enterrado secretamente em Embu das Artes, imaginem só, aquela cidadezinha que tem uma feirinha de artesanato. Só em 1985 descobriram o corpo. O pessoal da Unicamp fez a exumação e constatou que aquele era mesmo o corpo de Mengele. Em 1992 fizeram um exame de DNA confirmando a constatação anterior.

10. Resta saber como o Mossad, o serviço secreto mais eficiente do mundo, nunca conseguiu chegar a Mengele. (Se chegasse, meu amigo, seria um créu generalizado, sem direito a cadenzas mozartianas.) Este é um grande mistério e sou incapaz de imaginar uma resposta. Dizem que Josef sempre tinha identidade falsa, andava sempre por pequenas colônias alemãs, subornava aqueles que por um acaso descobrissem sua verdadeira identidade e chegou mesmo a se esconder numa favela. Sofreu como um cão, ficou doente centenas de vezes, morreu de uma maneira indigna para os moldes de honra do partido nazista.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O incrível refrigerante preto que ninguém sabe do que é feito


Sucos Kapo

Sprite

Fanta

Nestea (por incrível que pareça)

Burn

Kuat

Aquarius Fresh

Minute Maid Mais

Schweppes

E mais

Dasani, Taí, Mate Leão, GuaraPower

E "naturalmente"
Coca-Cola
Coca-Cola Zero
Coca-Cola Light

Eis a grande e surpreendente família da empresa que fabrica o misterioso refrigerante preto. Não preciso mostrar estatísticas para afirmar com total razão que a maior parte da bebida consumida durante os almoços brasileiros provém da família acima.

Nada contra empresas de refrigerantes que queiram vender os seus produtos lotados de aditivos químicos de efeito duvidoso sobre o organismo humano.

O que não me cheira muito bem é a querida The Coca-Cola Company. Desde há muito tempo já não gosto de refrigerantes e sucos artificiais (como esse nosso Kapo, versão atualizada e líquida do antigo pozinho de tinta Ki-Suco). Mas meu desconfiômetro pipocou quando fiquei sabendo que queriam acabar com uma bem sucedida barraquinha de sucos lá na universidade onde estudo. E quem estava investindo no assunto era a própria reitoria da universidade. O argumento era que sucos naturais, como não são industrializados, poderiam se estragar e causar danos à saúde do consumidor. E depois descobri que a nossa Coca-Cola do Brasil estava por trás do lobby. Por que será? Sucos feitos na hora capazes de provocar danos à saúde?

Semana passada percebi pasmo que em todas as mesas de um restaurante onde almocei estavam garrafas de Coca-Cola vazias. Será isto "natural"?

Não emitirei juízo. Nem ficarei evocando aqueles velhos boatos de desentupir pia com Coca-Cola. Só não venha me dizer o nobre capitalista que a presença da Coca-Cola significa livre mercado. Se livre mercado e monopólio forem a mesma coisa, jogo a toalha. E você, meu caro amigo socialista, anarquista, judeu, árabe, católico, ateu, neonazista, pastor da igreja universal do reino de deus: por que ainda bebes o tal do incrível refrigerante preto que ninguém sabe de que é feito?

É, eu já sei a sua resposta: "porque é gostoso".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Andando por Campinas 2

No tópico anterior perguntei se Campinas seria uma cidade encantadora. E minha opinião é que ela está longe de o ser.

Campinas é grande. Tem diversas atrações culturais. Mas é difícil por exemplo saber sobre estas atrações através da internet por exemplo. Não existe um órgão que divulgue amplamente o que está acontecendo. Existem espaços individuais como o CPFL. Mas a última vez que rodei procurando uma agenda cultural, há dois dias para ser mais exato, foi difícil encontrar.

Existe todo um potencial. Mas cidade grande dificilmente consegue ser encantadora no Brasil. Porque problemas sociais acabam se acumulando aleatoriamente. E a cidade fica feia, maltratada pelo crescimento descontrolado. Isso é difícil para qualquer governo, ainda mais se existe má vontade política e desorganização comunitária.

Vejo no entanto uma nesga de brilho nessa situação, ao menos para Campinas.

Certo, Campinas é grande, mas não é tão caótica quanto São Paulo. Portanto existiria uma flexibilidade maior de lidar com situações adversas. É... No entanto, dizem que Campinas consegue unir as dificuldades das cidades grandes com a mesquinhez das cidades pequenas. Aparentemente parece um comentário injusto. Mas Campinas, fruto de fazendas de grandes barões, dos escravos que ali trabalharam, mais os italianos que chegaram para trabalhar depois, acabou se transformando em um local de certa intolerância social. E por isso o comentário sobre "mesquinhez de cidade pequena" talvez caiba. O campineiro descedente de italiano criou em sua mente o fato imaginário de que Campinas é Milão. As conseqüências disto são muitas, mas não ousarei ficar tergiversando sobre o assunto. Basta opinar por enquanto sobre se esta nossa cidade tem ou não tem um promissor futuro.

Para tanto, deixem-me contar rápido fato. Andando por estes dias pelas ruas do centro me deparei sem querer com o antigo pátio ferroviário da cidade. Está bem do lado da nova-gigantesca-polêmica rodoviária. É um pátio com mais de 15 km2, porém totalmente desativado. Um museu a céu aberto, palco da exportação do café no fim do século 19 e início do século 20. Tijolinhos empilhados sem sentido, trilhos enferrujados e locomotivas sucateadas. Depois que houve aquela opção pelo transporte rodoviário, quando o café já não era mais a estrela paulista, quando as pessoas começaram a ter o seu carrinho, pobre do trem que foi parar na sucata. Para alguém que não sabe o que existe nos bastidores, parece uma situação perdida. Mas eis os bastidores, e eis o porquê de eu acreditar que há uma nesga de brilho: em 2005 Campinas foi palco do lançamento do programa "Brasil Ferrovias", inaugurado pelo presidente Lula. Com previsão de transportar 3 mil pessoas por hora (ou 17 milhões por ano), o projeto é orçado em US$ 11 bilhões. O novo meio de transporte terá organização a partir de representantes de empresas e do governo do Japão e pensa-se na implatação de um tal de trem bala entre Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro.

A viagem sem paradas de Campinas a São Paulo levaria 24 minutos. De São Paulo ao Rio, 80 minutos, tempo inferior ao gasto em uma viagem de avião (em média 90 minutos, incluindo o check-in). De ônibus, a viagem dura sete horas. Na opção do trem com seis paradas em várias cidades, o trajeto completo duraria pouco mais de duas horas.

A motivação principal para a passagem por Campinas é transportar passageiros entre os aeroportos de São Paulo e o de Viracopos. E poderia gerar muitas conseqüências, como por exemplo transformar Campinas em uma cidade modelo no Brasil para criar talvez uma futura indômita mania por transporte ferroviário neste nosso gigantesco país dominado por asfalto.

Pensei em tudo isto agora que acabei de assistir a um concerto de Natal nesta mesma Campinas dos comentários anteriores. Um concerto com crianças nas janelas da sede do jóquei clube. Longe de ter a magia dos corais do Kings College de Cambridge. No entanto eis mais uma atração que com insistência pode criar uma futura tradição cultural de qualidade. Misture estes dois ingredientes, o de uma cultura de qualidade nascente e o de promissor sistema de transporte, à organização social, divulgação correta da agenda, entusiasmo por comparecer e um pouco de humildade dos campineiros com alma milanesa, que eis que vejo uma luz no fim do túnel.

Já não moro em Campinas. Nem sei onde moro para dizer a verdade. Mas bastou uma andança de trinta minutos pelo centro desta cidade para criar uma pequena comoção misto de nostalgia e desejos de prósperos anos novos.

Andando por Campinas 1

Campinas é um daqueles lugares que está tentando a todo custo se transformar em cidade encantadora.

Sim, é a cidade de Carlos Gomes, da Unicamp, possui um dos maiores shoppings do Brasil (o Pátio Dom Pedro) e um complexo industrial/empresarial gigantesco (Nextel, IBM, HP e por aí vai).

Com vários arranha-céus, tem cerca de dois milhões de habitantes. Ou mais, segundo um taxista engraçado, que me disse que o IBGE nunca conta os campineiros que moram em bairros mais afastados e que Campinas tem mais de 12 milhões de habitantes. É, de fato o número de condomínios fechados que existem pelas redondezas não é brincadeira. Muita gente rica que vem não sei de onde. Estão querendo até derrubar uma mata antiga (a Mata de Sta Genebra) para construir condomínio fechado. Absurdo, né? Mas para as grandes empreiteiras nada parece absurdo. Se ainda não existem os 12 milhões, já já chegaremos a esse número depois que derrubarem a Mata (500 mil ricos em seus condomínios, mais 11,5 milhões de pobres em suas favelas construídas via invasões)...

Mas Campinas consegue ser encantadora?

Acho que está longe.

Explico-me no "Andando por Campinas 2".