quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

10 Melhores filmes 2009

Aí vai minha lista dos 10 mais de 2009.

Up - Altas Aventuras (de Pete Docter e Bob Peterson, EUA): a Pixar tem acertado quase sempre, e é a segunda vez que considero um filme da Pixar o melhor do ano (o outro Ratatouille em 2007: adorei Paris e a gastronomia francesa no olhar pixariano); aqui temos um vovô nostálgico em paisagem exuberante, roteiro magnífico, voltei à infância. Os dez primeiros minutos são memoráveis e a singularidade da narrativa é fascinante.

Entre os Muros da Escola (de Laurent Cantet, França): não foi à toa que ganhou Cannes; questionamentos sobre ser aluno e professor na pós-modernidade. A cena em que o professor chama a aluna de vadia e o resultado disso já valem o filme.


Distrito 9
(de Neill Blomkamp, África do Sul): e se os alienígenas viessem? E se eles fossem aparentemente mais fracos? E se eles fossem "feios"? Este filme é um passeio sobre o que seria a vinda de alienígenas "fracos, feios e nojentos" e sua segregação em uma favela no meio de uma cidade grande do terceiro mundo. Efeitos visuais eficientes. A trama evoca a tônica de clássicos como "A Mosca" (o humano se transformando em "monstro"), "Cidade de Deus" (os favelados e toda violência que podem oferecer) e "Alien" (o horror que seres alienígenas são capazes de causar).

Um Lugar ao Sol (de Gabriel Mascaro, Brasil): documentário ousado sobre a vida dos brasileiros que moram em coberturas de luxo. O próprio discurso de muitos dos entrevistados parece cavar uma cova rumo ao ridículo. Reflexão social de primeira linha que certamente será pouco lembrada pelo público nos próximos anos. Mas faço questão de enfatizar que este é um dos filmes de que mais gostei em 2009 e quiçá em minha vida. Tive o prazer de me encontrar com o diretor em Recife e fazer algumas perguntinhas. Certamente é o melhor filme brasileiro de 2009, se bem que ainda não vi o novo de Marcelo Gomes (que dizem que arrebentou a boca do balão).

Star Trek (de J. J. Abrams, EUA): a história do Cap. Kirk, Dr. Spock e nave enterprise é repaginada numa versão rica em efeitos visuais excelentes, evocação correta da física e astrofísica, diálogos eficientes e jocosos. O melhor roteiro que já vi em ficção científica sobre viagem no tempo e universos paralelos.



Deixe Ela Entrar (de Tomas Alfredson, Suécia): benvinda surpresa, ousada e de estética incrível, história de vampiros que humilha sem dó "Crepúsculo", "Lua Nova" e toda tralha do gênero.



Bastardos Inglórios (de Quentin Tarantino, Alemanha): sátira de primeira linha aos "patéticos arianos". Christopher Waltz, no papel de Cel. Landa, rouba o filme e se consagra, na minha humilde opinião, como o melhor ator de 2009. A primeira cena, ou capítulo 1 "Numa França dominada pelos Nazistas", é sensacional, homenagem clara aos filmes de Sergio Leone. A cena da taberna francesa, bem como o finale no cinema francês, merecem menção honrosa. O filme é falado em quatro idiomas.

A Partida (de Yojiro Takita, Japão): Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, um filme sensível às fases da vida humana, mormente no que concerne à morte. A história de um violoncelista que se torna embalsamador de cadáveres, seguindo a curiosa tradição funerária japonesa. Os preconceitos, alegrias e tristezas que advêm da profissão são abordados com esmero.

Avatar (de James Cameron, EUA): ficção científica e criação biológica soberba de um mundo totalmente novo, com fauna, flora e mitologia próprias. É isso que James Cameron faz neste filme de efeitos visuais excepcionais, orquestrados pela WETA de Peter Jackson. Os personagens artificiais pela primeira vez parecem ter olhares autenticamente humanos.

Se Beber não Case (de Todd Philips, EUA): existe uma fina linha que separa o besteirol (aqui "americano") da comédia inteligente. Se Beber não Case é um exemplo claro de como um filme aparentemente besteirol consegue transpor a linha e se tornar humor inteligente de primeira.

Minhas fotos na Cornualha: uma homenagem






Imprensa suspeita...

É engraçado ver algumas atitudes da imprensa brasileira. É tão engraçado que existem alguns jornalistas independentes (ou que tentam ser independentes, como Paulo Henrique Amorim) que acusam muitos dos setores mais poderosos da imprensa de serem golpistas.

Por exemplo, acabo de chegar de viagem do Paraná e agora encontro-me em Recife. Circulando pela cidade me deparo com um outdoor do Diário de Pernambuco, jornal mais antigo em circulação do Brasil, fazendo propaganda de Eduardo Campos, governador de Pernambuco.

No outdoor lê-se: Eduardo Campos, o melhor Governador do Brasil; homenagem do Diário de Pernambuco.

Nada contra Eduardo Campos. Quer dizer, tenho algumas restrições, mas em geral o considero um governador razoável com muito rabo preso.

Nada contra o Diário de Pernambuco. É um jornal como os outros: sempre dando muita notícia policial, política e econômica, nada de ciência e quase nenhuma cultura.

Agora, utilizar-se de um outdoor para promover a imagem de um governador, mesmo fora da época de campanha eleitoral, a meu ver é no mínimo suspeito, condenável e medíocre.

Fica aqui o meu repúdio à atitude do Diário de Pernambuco.

Louvar as atitudes de um governador não é algo ruim em si. No entanto, que confiança teremos num jornal que assim procede? Que notícias políticas serão realmente confiáveis, limpas e neutras no Diário de Pernambuco?

domingo, 27 de dezembro de 2009

O presidente Lula e os vasos comunicantes

Carlos Chagas

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009 | 06:59


Tendo cursado o Primário e, depois, uma Escola Técnica, o presidente Lula não recebeu aulas de Física. Não é culpa dele, assim, ignorar o elementar princípio dos vasos comunicantes, aquela brincadeirinha que fazia os alunos torcerem para ver que tubo de ensaio encheria primeiro de água, alimentado pelo principal. No fim, era sempre a mesma coisa: os vasos interligados terminavam com o conteúdo nivelado em poucos segundos.

Por ignorar essa lição planetária, o presidente da República vem sistematicamente incorrendo em erro fundamental, todas as vezes em que se refere à Previdência Social e às pretensões dos aposentados com vencimentos acima do salário mínimo. Inconformados com reajustes sempre inferiores aos do menor salário nacional, esses vasos trincados vão sendo nivelados por baixo. Quem se aposentou com quatro salários mínimos, em poucos anos estará recebendo dois, com o risco de, em breve, vê-los transformados em um. Encontram-se os aposentados garfados em seu poder aquisitivo, mesmo tendo trabalhado e descontado por quarenta anos na base dos quatro salários mínimos.

Mas tem mais, em termos de vasos comunicantes. Mesmo admitindo-se que a Previdência Social dê prejuízo, coisa de que muitos ex-ministros discordam, nada mais natural do que outras fontes de receita do estado venham contribuir para nivelar as despesas. O Imposto de Renda, por exemplo, dá um lucro dos diabos. Os demais impostos, taxas e contribuições, também. Nada mais natural, em se tratando de um país uno e indivisível, do que a existência de um caixa único.

Cai o presidente Lula na conversa malandra das elites financeiras e de seus representantes na equipe econômica. O chefe do governo sacrifica os aposentados em nome do que seria um sacrilégio em Física, a negação do princípio dos vasos comunicantes.

Ainda agora o governo anuncia um reajuste de quase 9% para os aposentados de salário mínimo, e de pouco mais de 6% para os que se aposentaram com valores superiores. Importa repetir, em pouco tempo o Brasil inteiro que parou de trabalhar estará recebendo apenas o salário mínimo.

A malandragem? Ora, para evitar esse empobrecimento inevitável, o cidadão que passe a investir na previdência privada, aquela que faz a alegria dos bancos e das financeiras.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ontem me perguntaram...

Ontem me perguntaram quem eu achava os mais admiráveis e os mais burros.

Os mais admiráveis, respondi, fazendo plágio flagrante de um tal email de Madre Teresa de Calcutá que circula por aí, são as crianças.

Os mais burros. Para mim não há muita discussão. Depois de anos de estudo sobre clima, depois de trilhões de observações sobre todas as desvantagens, acredito que hoje o mais burro é quem investe o seu dinheiro em um carro. Quer dizer, investir não é a palavra, porque carro é um "desinvestimento". Imagine-se numa balbúrdia no meio de um trânsito infernal, buzinas para lá e para cá, impostos para pagar, seguro para pagar, medo de ser assaltado, ficar à mercê do vaievem do preço dos combustíveis, desvalorização precoce, e acima de tudo, poluição sonora e acima acima ainda poluição do meio ambiente.

É isso que acho.

Quem me perguntou achou o discurso meio radical e disse que o carro era uma necessidade primária.

Sinceramente, acho isso uma grande desculpa. A desculpa para justificar o estatus social ou o fato de a pessoa se achar inferiorizada caso não tenha um carro.

É isso mesmo: carro grande, pinto pequeno.

Quem tem dinheiro que ande de táxi e dê empregos a milhares de motoristas. E no dia que precisar de um carro, quiser dirigir um, vá até a rent car mais próxima e alugue um.

Ponto final.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A indústria e nós, seus cobaias. Cap 3: Telefones Celulares 2

Continuando a discussão de como a indústria em geral utiliza de meios experimentais "altamente" científicos para testar seus produtos em seus clientes, e prosseguindo com o debate sobre telefonia celular, vejam o seguinte estudo.

O uso do celular deve matar mais que o cigarro em alguns anos, segundo estudo de um médico australiano publicado na internet. Vini Khurana, um neurocirurgião que recebeu 14 prêmios em 16 anos, pede que a população use o aparelho o mínimo possível, principalmente quando se trata de crianças.

O médico analisou cerca de cem trabalhos científicos publicados sobre o tema para chegar às suas conclusões. Segundo ele, há ao menos oito estudos clínicos que indicam uma ligação entre o uso de celulares e certos tipos de tumor no cérebro.

"Já há previsões de que esse perigo tenha mais ramificações para a saúde pública do que o amianto ou o fumo. Isso gera preocupações para todos nós, especialmente com a geração mais nova", afirma Khurana, que é professor de neurocirurgia na Faculdade Nacional de Medicina da Austrália, no estudo.

A comparação entre as mortes causadas por cigarro e por celular se deve ao fato de, atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas usarem esses aparelhos, número três vezes maior que o de fumantes, afirmou ele ao jornal "The Independent".

Para Khurana, ainda não há mais dados sobre o assunto pelo fato de a intensificação no uso dos celulares ainda ser recente. Ele afirma que o período de "incubação" --tempo entre o início da utilização do aparelho e o diagnóstico do câncer em um indivíduo-- dura de dez a 20 anos.

"Entre os anos de 2008 e 2012, nós teremos atingido o tempo apropriado para começar a observar definitivamente o impacto dessa tecnologia global nos índices de câncer de cérebro", diz ele.

Para evitar o problema, Khurana sugere, entre outras medidas, que as pessoas evitem ao máximo o uso do celular, dando preferência ao telefone fixo. Ele pede também moderação no uso de Bluetooth e de headsets (fone de ouvido com microfone) sem fio. Outra dica, de acordo com o médico, é usar o viva-voz para falar, mantendo o celular a pelo menos 20 cm da cabeça.

Em janeiro deste ano, o governo francês pediu "prudência" no uso de celular pelas crianças, apesar de não ter dados científicos que comprovem os malefícios do aparelho para a saúde.

O ministério pediu que as "famílias sejam prudentes e saibam usar estes aparelhos", lembrando que é recomendado o uso moderado do celular, principalmente pelas crianças, "que são mais sensíveis porque seus organismos ainda estão em desenvolvimento".

Fonte: Folha Online, 31/03/2008

Discussão sobre relatórios científicos correlatos:

http://coimbraviajando.blogspot.com/2009/10/industria-e-nos-seus-cobaias-cap-1.html

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Café da manhã dos brasileiros

Hoje cedo, acessando a página de um grande jornal do Brasil, observo com curiosidade antropológica as notícias mais lidas:

1) Leila Lopes é encontrada morta dentro de casa

2) Leila Lopes: polícia civil cogita overdose e vai investigar morte

3) Mãe é presa por acorrentar o filho dentro de casa

4) Travesti é assassinado em bairro nobre


Eis o cardápio de café da manhã de nós, povo brasileiro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Projeto Hippocampus em Porto de Galinhas

Como também sou funcionário público federal, o feriadão de finados da segunda-feira 02/11 veio acompanhado do feriado deslocado do dia do funcionário público na sexta-feira 31/10. Santos feriados que só me conquistam na hora em que precisa-se viajar para esfriar um pouco a cabeça. (Se não viajo, trabalho, e portanto feriado sem viagem é dia sem feriado mesmo.)

Um casal de amigos do Recife, superamigos, convidou-me para um descanço em Serrambi, praia do litoral sul pernambucano, próxima a Porto de Galinhas.

No domingo fomos de bugre à faixa de praias do município de Ipojuca, que compreende Maracaípe, Porto de Galinhas, Cupe e Muro Alto.

Vi muitas coisas lindíssimas naquele passeio. Mas o que mais me interessou foi o projeto "Hippocampus" em Porto de Galinhas.

Há um rio na região chamado Maracaípe, e no local onde ele desemboca no mar existe toda uma grande área dominada por mangue onde se reproduzem algumas espécies de cavalos-marinhos, especialmente a denominada Hippocampus Reidi e a Hippocampus Erectus.

O espaço possui um pátio com a aquicultura dos animais supracitados, estudos biológicos das espécies nativas e principalmente as bonitas iniciativas de preservação do habitat (i.e. o mangue do Maracaípe, infelizmente depredado pelo turismo não-sustentável) e o projeto de inclusão social onde crianças participam dos estudos e desenvolvem atividades lúdicas ao redor das diretrizes do Hippocampus.

Aqui na postagem vocês podem ver filmes com as espécies estudadas no projeto. Abaixo o sítio do projeto. Uma boa opção para quem quiser ver pesquisa e inclusão nas praias de Pernambuco.

http://www.institutoaqualung.com.br/info_hippocampus_52.html

domingo, 8 de novembro de 2009

In manere sive natura

Ó aquilo que não se consegue definir, aquela vontade interior de atingir algo que não sabemos o que é, mas aqui está bem diante de nosso íntimo. Tu és a vontade de se alcançar a verdade, de se alçar à mudança, de se tornar algo brilhante. És tão intrínseco que te tornas invisível ao maior telescópio e ao microscópio de tunelamento.

In manere sive natura, eu sei quem és, mas não sei te definir. Eu sei que muitos te evocam de forma simplista. Fazem comércio em teu nome e dizem te conhecer e dizem falar por ti.

In manere sive natura, eu te vi numa flor. Eu te vi numa igreja. Eu te vi num terreiro de macumba. Eu te vi no excremento da vaca e na mosca que ali estava. Eu te vi na palavra Satan e te vi na palavra Deus. Eu te vi nos olhos do ateu, na mente do cientista, na flagrância de uma flor, na perspicácia de um político, no cuidado de uma mãe, na destreza dos malabaristas, no algodoar das nuvens, na difração do arcoíris.

Tu não és homem, tu não és mulher, tu não és galinha, pato ou águia, nem samambaia, baobá, cogumelo, alga. Tu não és um extraterrestre. Nem sei se és tu ou nós ou ele ou ela.

Só sei quem tu não és. Não és Jesus, não és Krisna, não és Buda, não és Maomé, não és Moisés, nem és Yahwé. Tupã, Allah, Osiris, Zeus, Ormuz, Brahma, Odin, Oxalá também sei que tu não és. Mesmo assim, te vi no nome de todos eles. Mesmo nos nomes mais esquisitos como Satan, Sheitan ou Maya.

Tu não estás nem no dogma da religião, nem no dogma da ciência. Nem no orgulho do intelectual, nem na vaidade das modelos.

Tu não és o big bang ou o designer inteligente.

Só sei quem tu não és.

E não sei te definir, pois te definir é papel do clero ou do filósofo, os quais não sou nem quero ser.

Não sei quem és. Só sei que te vi na negação do meu amigo ateu, na dúvida do meu companheiro agnóstico e na certeza do meu compadre religioso. Mesmo assim, muitas vezes, vejo tuas mãos mais presentes nas mãos de ateus que nas mãos de religiosos, vejo-te mais límpido na limpidez de agnósticos que no fanatismo de pastores. Tu não és aquilo que pastores, ateus ou agnósticos dizem. Porque sei que não é possível definir aquilo que está in manere sive natura.

Por isso, nunca poderei me classificar como ateu, agnóstico ou religioso. São rótulos tão enfraquecidos diante de uma imanência que não consigo ver, mas aí está.

Joguei minha razão pela janela, pois só por intuição é possível te sentir.

Ah, perdoa-me chamar-te por tu. Porque assim seria personificar algo que desde o início propus-me a não personificar. Portanto és pois in manere siva natura, e não se discute mais o assunto.

Que os homens, essa pequena faceta fractal de um corpo tão gigante deste in manere sive natura, que pelo menos parem de brigar por algo que não entendem e nunca entenderão... E que parem de brigar por qualquer coisa, que esta seria uma forma digna de pertencer a este corpo tão lindo e invisível.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A indústria e nós, seus cobaias. Cap 1: O Bolo Amarelo

Nesta semana, pensando seriamente no modo de produção em que estamos vivendo na atualidade, que não sei que nome dar, mas certamente um modo de produção baseado na fabricação de bens em países de mão de obra barata (China, Indonésia e por aí vai), bens que são regidos por empresas situadas nos EUA, Europa ou Japão, e que tem suas ações na bolsa de valores funcionando como joguete e catalisador do funcionamento eficiente do sistema.

Ou seja, as empresas de bolo amarelo (yellow cake) fabricam o bolo na China e vendem na cidade grande em troca de lastro-ouro (vide o Cap 2: Telefones Celulares).

Um grande amigo, cientista e companheiro de papos em Campinas, Daniel Boriero, passou-me o seguinte vídeo, que nem precisa ser comentado, dada a tamanha nitidez do que significa fazer bolos amarelos gostosos a baixo custo. O filme é de Nick Cross, premiado diretor de animações. Enjoy.

sábado, 24 de outubro de 2009

A indústria e nós, seus cobaias. Cap 2: Telefones Celulares

Quando os portugueses chegaram ao Brasil perceberam que os indígenas tinham ouro e prata, mas não valorizavam as pedras a ponto de morrer por elas. Como já sabemos, europeus em geral morriam facilmente por causa de ouro. Eram doentes por ouro e pedras preciosas. Quer dizer, são ainda.

Os portugueses tiveram a ideia de oferecer pentes e espelhinhos em troca de ouro. Os indígenas concordaram.

Todos sabemos que, na origem de sua definição, dinheiro significa lastro-ouro. Ou seja, teoricamente, para cada nota em circulação existe uma quantia de ouro depositada no banco central que garante que aquela nota vale alguma coisa. (Se bem que hoje em dia não sei bem se é assim mesmo...)

Ultimamente existem os espelhinhos modernos construídos por filandeses (espelhinhos da Nokia), noruegueses (espelhinhos da Ericsson, que agora também é japonesa, Sony), e naturalmente, espelhinhos estadunidenses (exempli gratia, Motorola, Apple, LG, BlackBerry, et coetera).

Assim, o lastro-ouro de países ditos em desenvolvimento é todo consumido na compra de espelhinhos ditos telefones celulares. Não é mesmo, meu caro índio?

Os espelhinhos são criados lá em terras de além mar pelas tais empresas citadas e fabricados a baixo custo por uma leva de pobres crianças da tribo dos chins.

Assim, os índios, além de serem os detentores do valioso lastro-ouro, também podem facilmente ser os cobaias de um espelhinho porcamente testado em humanos.

Só nesta semana, li dois relatórios científicos oficiais e um parecer da OMS sobre os queridos espelhinhos modernos. Finalmente, depois de mais ou menos 10 anos de testes em cobaias índios, alguns resultados estão sendo publicados.

Relatório número 1: Escrito pela International EMF Collaborative, especialista em assuntos relacionados a campos eletromagnéticos. Título: Celulares e tumores cerebrais: 15 razões para preocupação. Conclusão do relatório: diz que o uso constante de celulares por mais de 10 anos sugere o desenvolvimento de tumores cerebrais, com confiabilidade de 98%. Página do relatório:

http://www.radiationresearch.org/pdfs/15reasons.asp

Relatório número 2: Escrito pela EWG, organização ecológica estadunidense. Título: Radiação celular: revisão científica sobre riscos de câncer e saúde infantil. Conclusão do relatório: o uso constante de aparelhos de telefonia celular pode causar tumores no cérebro e a utilização destes aparelhos por crianças pode ser ainda mais arriscada. Página do relatório:

http://www.ewg.org/cellphone-radiation/

Parecer da OMS: Resultados preliminares indicam que o uso do telefone celular pode ter relação com vários tipos de câncer. Tais resultados foram divulgados hoje pelo jornal "The Daily Telegraph". O estudo ainda será publicado oficialmente na literatura científica, e está sendo coordenado pela Dr. Elisabeth Cardis, do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal) de Barcelona. A OMS possui um estudo em aprofundamento sobre o impacto de campos eletromagnéticos na saúde. Veja por exemplo em

http://www.who.int/peh-emf/en/

Minha conclusão pessoal: há exatamente oito anos, meu professor de Eletromagnetismo, Antônio Belfort, falava dos prováveis riscos para o cérebro do uso de telefones celulares, devido a faixa de transmissão ser em microondas, faixa esta a que as moléculas de água poderiam ser bastante sensíveis. Como sempre soube que por trás do boom de celulares existia a pressão das empresas de além mar pelo extravio de cada vez mais lastro-ouro, resolvi nunca comprar um. Meu pensamento é o de que esta indústria usa a mesma estratégia usada pela indústria farmacêutica: não é possível que vivamos sem aspirina, portanto devemos comprá-la constantemente. Já eu, nunca tive o tal espelhinho e vivo bem: me sinto com tamanha liberdade que não tenho tempo para pensar em ser vaidoso.

Agradeço a Cláudio Barreto e Tamara Pedron que me passaram muitas das informações contidas na presente postagem. Ambos, assim como eu, acreditam que celulares não são uma boa ideia, e por isso não precisamos deles.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como não ter câncer. Cap 1: A Oncologia Pirata

Faz muito tempo que estudo métodos anticancerígenos naturais por pura curiosidade. Um dos motivos principais: após presenciar a morte de alguns parentes, percebi que todos tiveram em comum tratamentos caros, dolorosos e extremamente experimentais.

O Hospital Sírio-Libanês por exemplo. Quanto será que fatura por ano com operações, quimioterapias, radioterapias, petscans e outros pet tratamentos caríssimos e de eficiência duvidosa?

Um tio meu por exemplo, gastou cerca de 25 mil reais com um tratamento sem resultados no Sírio-Libanês. Os médicos foram altamente incompetentes e estimularam uma esperança totalmente ilusória. Disseram que tinham removido o tumor e um mês depois foi detectado no petscan um tumor quatro vezes maior no local da operação. Após a constatação do fato, os responsáveis disseram que o tumor não havia voltado e aquilo era um problema no imageamento. Mas que problema no imageamento traria uma morte fatal um mês depois com dores lascinantes?

Portanto, o tratamento químico mais uma vez recai em um dos grandes e graves problemas humanos atuais: o jogo terrorista da indústria farmacêutica que mantém os médicos reféns de um ciclo vicioso sem fim.

Dado o fato, resolvi, há 12 anos fazer o meu boicote pessoal contra a indústria farmacêutica: nunca mais tomei remédios alopáticos. Minto, tomei ano passado, por causa de uma dor de cabeça resistente em Cuiabá (santo calor): uma aspirina que gerou uma alergia, que gerou a necessidade de tomar cortisona, antialérgico na veia e comprimidos antialérgicos.

Portanto, a aspirina que tomei só me fez corroborar a ideia de nunca mais voltar a tomar alopáticos se houver alguma maneira natural de resolver o problema.

Como não ter câncer. Cap 2: Alternativas Eficientes

Uma das técnicas de que tomei conhecimento há uns 15 anos sobre o câncer foi a técnica de visualização de Simonton. A primeira vez que li sobre Simonton foi no livro "Ponto de Mutação" de Fritjof Kapra.

Simonton, um médico dos EUA, começou a partir da década 1960 uma série de experiências de visualização com pacientes com câncer. Era uma espécie de hipnose, onde se sugeriam visualizações de paisagens ou mesmo de interações com o sistema imunológico.

O que foi constatado é que visualizações que remetiam à autocura eram extremamente eficientes, e a grande porcentagem dos pacientes que passavam pelo processo obtiam boas reduções do tamanho dos tumores malignos. O que não acontecia é claro com o grupo de pacientes que estavam no experimento mas não participaram da técnica de visualização.

Outras leituras foram aquelas que fiz de livros naturistas. Há exatamente 12 anos eu estava me tornando vegetariano. E portanto comecei a ler muita coisa que me oferecesse alternativas proteicas ao consumo de carne. E me deparei com um livro chamado "A Cura do Câncer através da Alimentação Natural". Não estou lembrando o nome do autor, me desculpem.

No livro, percebi que muitos alimentos podem ter princípios ativos eficientes no estímulo do sistema imunológico e na própria eliminação de células cancerosas.

Como não ter câncer. Cap 3: Exercícios Físicos

Outro fator que percebi ao longo dos anos foi aquele relacionado aos exercícios físicos. Este fator em particular foi se tornando claro a partir do número de pesquisas que fui acompanhando em revistas científicas como a Nature ou revistas especializadas em medicina.

Tudo que andei lendo indica que os exercícios aeróbicos como corrida, natação, caminhada, futebol, vôlei, etc, estimulam de forma eficiente o sistema imunológico.

O sistema imunológico é vital para manter o equilíbrio do organismo. E um sistema imunológico saudável significa ter poucas doenças contagiosas e manter o controle de células desequilibradas.

Como assim manter o controle de células desequilibradas? O que quero dizer é que no nosso organismo, temos células desequilibradas aos montes! O que acontece é que nosso sistema imunológico dá conta de boa parte destas células. No entanto, pode acontecer, que algumas não sejam destruídas e comecem a se reproduzir descontroladamente. É assim que surge o câncer.

Uma coisa que ninguém sabe é por que o sistema imunológico em certo momento não consegue identificar o tumor como algo que deva ser eliminado.

É aí que entra o aspecto psicológico, talvez o aspecto mais importante para se manter uma saúde perfeita.

Como não ter câncer. Cap 4: Estado Psicológico

Assim, como estamos psicologicamente afeta a produção de certos hormônios, o que afeta consequentemente o estado de nossa pele, de nosso cabelo, etc. Um estado psicológico "alto astral"é altamente eficiente em manter o sistema imunológico alerta.

Estados deprimidos causam por consequência sistemas imunológicos desatentos, colocando o corpo como um ninho eficiente para a proliferação das serpentes dos diversos tipos de câncer que existem.

Não sou muito fã do Deepak Chopra, mas li uma coisa muito interessante num livro que tem um nome muito sem sentido "Saúde Quântica". Acho que é totalmente sem sentido porque o termo quântico no livro é usado mais como licença poética do que fato científico. Mas deixando um pouco de lado este tipo de discussão, Chopra coloca o aspecto meditativo como essencial para manter um aspecto psicológico saudável e por consequência um sistema imunológico saudável. No livro ele fala que 10 minutos diários de meditação seriam suficientes.

Acredito que o ápice de informações úteis, de caráter realmente médico, que menciona tudo isso que falei até agora, está contido num livro publicado há dois anos na França. Chama-se "Anticancer -- prévenir et lutter grâce à nos défenses naturelles". Existe uma edição deste livro publicada em português. Acredito que é a melhor publicação do gênero divulgação científica sobre câncer e métodos naturais de cura que até agora chegou ao meu conhecimento. Se bem que nem sou médico nem sou da área. Mas gosto de pesquisá-la há pelo menos uns 10 ou 15 anos.

Como não ter câncer. Cap 5: Livro "Anticâncer"

Este tal livro intitulado "Anticâncer", foi escrito por um médico neuropsiquiatra francês chamado David Servan-Schreiber, que fez doutorado em psicologia cognitiva com o Prêmio Nobel Herbert Simon.

Servan-Schreiber teve câncer no cérebro e chegou a receber o diagnóstico de 6 meses de vida. O fato é que ele ficou curado e escreveu o livro 15 anos depois do diagnóstico. O que ele fez? Inicialmente, ele não abandonou o tratamento convencional com radio e quimioterapia. Apesar de eu acreditar que esse tipo de tratamento está permeado por um mercenarismo inconteste, o que o Schreiber recomenda é não abandonar o que a medicina ocidental orienta.

No entanto, aí vem no meu entendimento o segredo do sucesso do tratamento: Schreiber adotou de forma intensa exatamente todos os requisitos que até agora eu havia estudado: alimentação altamente saudável, meditação transcedental, exercícios físicos e um tratamento psicológico direcionado a uma forte valorização da vida (não só da humana, mas como a de toda a natureza).

O livro é fantástico, pois traz um resumo dos artigos publicados por Schreiber na revista Science, uma súmula de bons hábitos, alimentos indicados e o tim-tim por tim-tim de como o câncer é desenvolvido fisiologicamente e como ele pode ser destruído pelo sistema imunológico.

Uma frase surpreendente, que nunca seria dita num livro de medicina há 20 anos atrás: "A inflamação desempenha um papel-chave na progressão dos cânceres. Nós podemos agir para reduzi-la em nosso organismo graças a meios naturais ao alcance de todos."

O livro tem algumas lâminas ilustrativas muito úteis. Das lâminas já pode-se perceber a que o livro veio, os alimentos mais benéficos, fatores de proteção, etc. Sobre os fatores de proteção, por exemplo, posso até reproduzir os itens do livro:

Melhor alimentação: dieta mediterrânea, cozinha indiana, cozinha asiática.
Pior alimentação: dieta ocidental tradicional.

Melhores fatores psicológicos: domínio da própria vida, leveza, serenidade.
Piores fatores psicológicos: depressão e sentimento de impotência.

Melhor atividade física (mínima): 30 minutos de caminhada 6 vezes por semana.
Atividade física ineficiente: menos de 20 minutos de atividade física por dia.

Melhores fatores ambientais: meio ambiente limpo (sem poluição ou contaminantes).
Piores fatores ambientais: fumaça de cigarro, poluição atmosférica, poluentes domésticos.

Sobre a dieta mediterrânea, por exemplo, ele fala sobre o consumo diário de vinho. No entanto, ele mostra que cientificamente o consumo de uma taça é altamente anticancerígeno. E o engraçado é que o consumo de mais de uma taça é altamente cancerígeno.

Pois é. Nada como o caminho do meio...

domingo, 4 de outubro de 2009

Tributo a Vonnegut 2

Kago, um pequeníssimo ser alienígena que trouxera a tecnologia automotiva dos besouros de ferro, chegara à Terra com esperança de salvar o seu próprio planeta da devastação.

Um século depois da chegada do pequeno Kago, todas as formas de vida naquela bola azul-esverdeada que um dia havia sido pacífica, úmida e saudável estavam morrendo ou mortas. Por toda parte havia cascas de grandes besouros que os homens haviam produzido e idolatrado. Eram os automóveis. Eles haviam matado tudo.

O próprio Kago morreu muito antes do planeta. Estava tentando falar sobre os malefícios do automóvel num bar em Detroit. Mas era tão minúsculo que ninguém prestava atenção nele. Deitou-se para descansar por um instante, e um operário automobilístico bêbado o confundiu com um fósforo de cozinha. Matou Kago raspando-o insistentemente na parte de baixo do balcão.

Coisas da vida.

(In "Café da manhã dos campeões")

sábado, 26 de setembro de 2009

Tributo a Vonnegut

Antes de entrar no assunto, agradeço enormemente ao nobre primo Guilherme Luna por me introduzir nos mistérios vonnegutianos, e sem delongas, eis o que tais mistérios revelam:

Professores de crianças nos Estados Unidos escreviam a seguinte data nos quadros-negros ano após ano, dizendo que os alunos a memorizassem com orgulho e alegria:

1492

Os professores diziam que naquele ano o continente em que viviam havia sido descoberto pelos seres humanos. Na verdade, milhões de seres humanos já estavam vivendo vidas plenas e inventivas no continente em 1492. Esse foi simplesmente o ano em que piratas dos mares começaram a enganá-los, roubá-los e matá-los.

E havia outra tolice ruim que se ensinava às crianças: que os piratas dos mares acabaram criando um governo que se tornou um farol da liberdade a seres humanos de todos os lugares. Havia retratos e estátuas desse suposto farol imaginário para que as crianças vissem. Era como uma casquinha de sorvete pegando fogo.

Na verdade, os piratas do mar que tinham mais a ver com a criação do novo governo possuíam escravos humanos. Eles usavam humanos como maquinário e, mesmo depois que a escravatura foi abolida, por ser tão constrangedora, eles e seus descendentes seguiram vendo os seres humanos comuns como máquinas.

Os piratas do mar eram brancos. As pessoas que já viviam no continente quando os piratas chegaram eram cor de cobre. Quando a escravidão foi introduzida no continente, os escravos eram negros.

Cor era tudo.

(In Café-da-manhã dos campeões)

sábado, 12 de setembro de 2009

Programas da TV aberta para ver (e não ver)

Como assisto pouquíssimo a programas de tv, não sou o mais indicado para qualquer tipo de avaliação. No entanto, há um tempo atrás fiz algumas avaliações de programas da tv aberta, que somadas com o que tenho assistido ultimamente poderia sim ser uma referência alternativa. Abaixo, cinco estrelas = excelente, uma estrela = péssimo, bombinha = como derreter o cérebro sem sair do sofá.

1) Observatório da Imprensa (Tv Brasil)

2) Vila Sesamo (Tv Brasil)

3) Metropolis (Tv Cultura)

4) Quem tem medo da música clássica? (Tv Senado)

5) Conexão Roberto d'Avila (Tv Brasil)

6) Provocações (Tv Cultura)

7) Clássicos (Tv Cultura)

8) Cocoricó (Tv Cultura)

9) 3 a 1 (Tv Brasil)

10) A Grande Música (Tv Brasil)

11) Canal Livre (Band Tv)

12) Nossa Língua (Tv Cultura)

13) Planeta Terra (Tv Cultura)

14) Roda Viva (Tv Cultura)

15) Jornal Brasil (Tv Brasil)

16) Iluminuras (Tv Justiça)

17) Jornal da Cultura (Tv Cultura)

18) Vitrine (Tv Cultura)

19) Sr. Brasil (Tv Cultura)

20) CQC (Band Tv)

21) Globo Universidade (Globo)

22) Repórter Eco (Tv Cultura)

23) Sem Censura (Tv Brasil)

24) Expedições (Tv Brasil)

25) Menino Maluquinho (Tv Brasil)

26) Chaves (Sbt)

27) Jornal da Band (Band Tv)

28) Janela Janelinha (Tv Brasil)

29) Cartão Verde (Tv Cultura)

30) Furfles (MTV)

31) 15 minutos (MTV)

32) Fala Brasil (Record)

33) Bom Dia Brasil (Globo)

34) Domingo Espetacular (Record)

35) Dia Dia (Band Tv)

36) Jornal da Noite (Band Tv)

37) Jornal da Globo (Globo)

38) Rede TvNews (Rede Tv)

39) Pânico na Tv (Rede Tv)

40) Show Business (Band Tv)

41) Globo Rural (Globo)

42) Show do Milhão (Sbt)

43) Programa do Jô (Globo)

44) Jornal da Record (Record)

45) Raul Gil (Record)

46) Sábado Animado (Sbt)

47) Altas Horas (Globo)

48) Globo Reporter (Globo)

49) Hoje em Dia (Record)

50) Lobão (MTV)

51) Tv Globinho (Globo)

52) Hebe (Sbt)

53) Hermes e Renato (MTV)

54) Jornal Nacional (Globo)

55) Tv Fama (Rede Tv)

56) Novelas Globo (Globo)

57) Novelas Record (Record)

58) Ídolos (Record)

59) Fantástico (Globo)

60) Show do Tom (Record)

61) Super Pop (Rede Tv)

62) Amaury Jr. (Rede Tv)

63) Jornal Hoje (Globo)

64) Fala que Eu te Escuto (Record)

65) A Praça é Nossa (Sbt)

66) Video Show (Globo)

67) Globo Esporte (Globo)

68) A Noite é uma Criança (Band Tv)

69) Mais Você (Globo)

70) Programa Silvio Santos (Sbt)

71) Caldeirão do Hulk (Globo)

72) Marcia (Band Tv)

73) Escolinha (Band Tv)

74) Domingão do Faustão (Globo)

75) Gugu (Onde estiver)

76) Zorra Total (Globo)

77) Turma do Didi (Globo)

78) Novelas SBT (Sbt)