sexta-feira, 26 de junho de 2009

Essa admiro mais que Michael Jackson

Giulia Olsson tem 14 anos e estuda no ensino médio na Flórida. Nos últimos meses, ela vendeu limonada na rua, lavou carros, disparou e-mail por várias partes do mundo para arrecadar dinheiro destinado à orquestra sinfônica de Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Conseguiu levantar R$ 30 mil.

Giulia está, nesse momento, ensinando violino para as crianças da sinfônica e vai se apresentar na Sala São Paulo --a história detalhada está no www.catracalivre.com.br.

É uma lição para celebridades como Ivete Sangalo e Caetano Veloso, entre outras celebridades brasileiras, que vem conseguindo dinheiro público para seus shows. Uma das justificativas dadas pelo Ministério da Cultura para aprovar a concessão do benefício à turnê de Caetano Veloso (um benefício totalmente dentro da lei, diga-se), é que Ivete Sangalo, montada nos seus milhões de reais, com plateias cheias, também ganhou --assim como Maria Bethânia.

Todas essas celebridades fariam melhor a elas mesmas e ao país se, como Giulia, pelo menos compartilhassem suas experiências com estudantes.

Enquanto uma menina de classe média se empenha em ajudar uma comunidade, transformando dinheiro privado em ação pública, a Lei Rouanet tem permitido o contrário --dinheiro público voltado a interesses privados.

(Texto de Gilberto Dimenstein, Folha de S. Paulo, 25/06/2009)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Coca-Cola é isso aí: bunda murcha, paralisia muscular

Sempre me preocupei com a quantidade de refrigerante que as pessoas bebem. Em especial, a quantidade de Coca-Cola. Já notaram que na hora do almoço, nos restaurantes, quase todo mundo tem uma latinha ou garrafa de Coca-Cola na mesa?

Se você não bebe cerveja, sempre haverá o "aceita então um refrigerante?", como se refrigerante fosse a opção saudável para as bebidas alcoolicas. Basta ler o rótulo, na parte dos ingredientes de qualquer guaraná, bebida de cola ou de laranja, para perceber que há alguma coisa errada em tudo isso...

Em 2007, o consumo anual de refrigerante ao redor do mundo ultrapassou o nível de 552 bilhões de litros, o equivalente a mais de 80 litros por pessoa por ano. A projeção até 2012 é que este número aumente para quase 100 litros por ano por pessoa. Só nos Estados Unidos, o número já chegou a 212 litros por pessoa. Cerca de 90% equivale a refrigerante de cola.

Um dos mais importantes periódicos médicos do mundo, publicado pela Wiley InterScience, o International Journal of Clinical Practice, da Inglaterra, publicou na sua última edição (vide a capa na figura acima), um artigo editorial assinado pelo Professor Dr. C. D. Parker, da Case Western School of Medicine, intitulado "Cola induced hipokalaemia: a super sized problem" (hipocaliémia induzida por refrigerante de cola: um problema super gigante). É possível ter acesso ao conteúdo em pdf do artigo (em inglês) no link

C. D. Parker, IJCP, 63 (2009) 833.

A principal conclusão do estudo é que doses diárias de refrigerantes à base de cola fazem os músculos "murcharem". Segundo o autor, isso acontece porque a bebida provoca a eliminação excessiva de potássio pelo organismo, mineral envolvido em todos os processos de contrações musculares. Os sintomas representam o chamado quadro de hipocaliémia, com variação entre fraqueza muscular até paralisia profunda.

O problema torna-se crônico quando o consumo atinge dois litros por dia. Nesses casos, pode ocorrer hipocaliémia crônica, i.e. paralisia muscular e os pacientes precisam de suplementação oral ou venosa para repor o mineral perdido.

Um outro estudo, publicado pelo Dr. Moses Elisaf, da Universidade de Ioannina, Grécia, complementa que o aumento de consumo de refrigerante de cola tem acarretado uma série de problemas de saúde, como desmineralização dos dentes, síndrome do desenvolvimento metabólico, úlceras, gastrites e diabetes. Segundo ele, bebidas de cola, como a Coca-Cola, deveriam estar na lista da OMS de drogas perigosas capazes de causar doenças crônicas.

Tudo isso me deixa ainda mais triste quando lembro que empresas como a Coca-Cola, apesar de seu "serviço humanitário" à saúde, continua disparada como uma das empresas mais rentáveis, cujos lobbies são capazes de fechar empresas que vendam sucos naturais. Quer fazer um teste? Vá até um shopping center e tente encontrar alguém que venda suco de fruta feito na hora.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Efeito estufa dos hambúrgueres

Por Nathan Fiala

(Trecho do texto publicado no Ecological Economics, vol. 67, n. 3, pag 412, 2008)

A maioria das pessoas está ciente de que carros, energia elétrica gerada a carvão e até fábricas de cimento afetam negativamente o meio ambiente. Entretanto, até recentemente, o alimento que consumimos não entrava na discussão.

De acordo com um relatório de 2006 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), no entanto, nossos hábitos alimentares, e especificamente a carne da nossa dieta, tem gerado mais gases do efeito estufa -- dióxido de carbono (CO2), metano, óxido nitroso e outros -- lançados na atmosfera, que o transporte ou a indústria.

Os gases do efeito estufa aprisionam a energia solar, consequentemente aquecendo a superfície terrestre. Devido ao fato de cada gás do efeito estufa variar de potência, são comumente expressos como uma quantidade de CO2 com o mesmo potencial de aquecimento global.

O relatório da FAO indica que os atuais níveis de produção de carne contribuem com um percentual entre 14% e 22% dos 36 bilhões de toneladas de CO2-equivalente de gases do efeito estufa produzidos anualmente no mundo. Isso significa que produzir cerca de 200 gramas de hambúrguer para um lanche, uma rodela de carne com espessura de um centímetro, libera tanto gás de efeito estufa na atmosfera quanto dirigir um carro por uns 16km.

Só para título de comparação, as emissões de CO2-equivalente oriundas da produção de meio de quilo de batatas equivale a dirigir um carro por 302 metros, de meio quilo de maçãs = 354 m, meio quilo de aspargos = 478 m, meio quilo de frango = 1,3 km, meio quilo de carne suína = 4,5 km. Segundo a FAO, os principais países que causam impacto nesse sentido são: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália.

(Nathan Fiala é avaliador de projetos econômicos e de desenvolvimento do Banco Mundial em Washington D.C., EUA e pesquisador da University of California.)