segunda-feira, 31 de agosto de 2009

+ 5 000 acessos

Neste mês, o blog Viajando na Cultura obteve mais de cinco mil acessos. Para um blog cultural, de autor completamente desconhecido, com menos de um ano de atividade, me parece um bom número.

Fazendo um review das postagens, durante este período foram publicadas minhas memórias jocosas de Oxford, Praga e Austrália, as lembranças da época em que morei na escada de um prédio, considerações sobre concertos e interpretações de música erudita e óperas, textos surreais sobre ciência e cultura em geral, didatismos sobre política e economia e asperezas sobre o nosso mundo pós-moderno, cujos protagonistas principais foram desde a Universal do Reino de Deus ao engula e digira do Senado Federal.

Enfim, continuarei com a proposta original do blog, mas seguirei uma tendência mais cronista científica a partir de agora. Sem perder a ginga surreal de hit parades como a do Marte Gigante, ou Urina e o Poder, ou Coca-Cola e Bunda Murcha, ou 2100: O Ano em que Descobriremos que Fomos Enganados, ou Os 5 Maiores Nazistas de Todos os Tempos, ou Curiosidades sobre Josef Mengele, ou Jeremias e a Teoria de Randall-Sundrum, ou Por que Ninguém Roncou?

domingo, 23 de agosto de 2009

Não perca: Marte gigante contra-ataca!

No dia 28 de agosto deste ano, um dia após o grande fenômeno do Marte gigante, quando o planeta vermelho ficará do tamanho da Lua, e a profecia dos Maias se cumprirá, teremos um efeito diferenciado sobre os astrônomos do observatório de Vancouver, Canadá.

Um vírus extremamente letal entrará na corrente sanguínea daqueles cientistas, e às 14h13min suas veias ficarão totalmente latejantes, o efeito da dupla lua criará um excesso de pelos na face, seus narizes começarão a crescer, transformando-se em focinhos grotescos, e a partir daquele instante, uma geração nova de lobisomens começará a dominar o planeta Terra!

Além disso, do centro da Terra, os seres intraterrenos começarão a sair, habitando entre nós, duendes de todas as raças, e seus primos elfos, orcs e gnomos, enlouquecerão e virarão elfo-lobisomens, que lutarão na maior batalha de todos os tempos contra a nova raça de humano-lobisomens.

Como Marte estará próximo, marcianos de duas etnias, a verde e a marrom, terão a oportunidade de invadir a Terra, e segundo a profecia Maia, cruzarão os seus genes com os lobisomens, criando a raça mais poderosa de todas, os lobisomens-hulk. Tudo se complica porque os lobisomens-hulk gostam de se alimentar de sacis-pererês, o que será avassalador para nós brasileiros. Seremos o principal país alvo da invasão dos lobis-hulk, pois como já sabemos, aqui detemos a maior população de sacis em nossas florestas. Por isso, sugiro que a partir de 28 de agosto fechemos as nossas portas, quem tiver porão que lá se esconda e comecemos a partir de agora a guardar nossos mantimentos!

Mas como a esperança sempre estará viva em nossos corações, Papai Noel não deixará que isso fique incólume e sairá com suas renas, Rodolfo, rena do nariz vermelho à frente, e toda a legião de magos, Harry Potter ressurrecto, Merlin, e o principal mágico do momento, o brasileiro Paulo Duque, para deter os lobis-hulk comedores de pobres sacis.

Não fique assustado. Tenho certeza que o velho mago Paulo Duque saberá fechar o caso magistralmente!

Obrigado a quem mandou o email avisando sobre o Marte gigante! Agora sim, poderemos nos proteger! Obrigado Maias! Obrigado internauta inteligente!

A tempo: para os desavisados, há exatamente 6 anos circula na internet a lenda de que no dia 27 de agosto de 200x, onde x é igual ao ano em que o email circula, Marte ficará do tamanho da Lua. Acredito plenamente na informação, tanto quanto tudo que postei acima: em saci, papai-noel e no duque.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Noções sobre ANARQUISMO

Anarquismo é uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias.


Assim, não haveria necessidade de autoridades ou governos uma vez que a administração da vida social, objetivando a garantia plena da liberdade, só poderia ser exercida por aqueles que a compõem e a tornam efetiva, seja na agricultura, na indústria, no comércio, na educação e outras esferas da sociedade. A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e agrupando-se livremente, ou seja, com entrada e saída livre, em cooperativas e estas em federações.

Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem. A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do grau elevado de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas. Outro equívoco banal é se considerar anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens. Isso, segundo teóricos, ocorre em virtude de atos individuais, extremos e isolados de violência serem vinculados a anarquistas ou ao próprio Anarquismo - na maioria das vezes, deliberadamente. À ausência de ordem - idéia externa aos princípios anarquistas -, dá-se o nome de "anomia".


Passando da conceituação do Anarquismo à consolidação dos seus ideais, existe uma série de debates em torno da forma mais adequada para se alcançar e se manter uma sociedade anárquica. Eles perpassam a necessidade ou não da existência de uma moral anarquista, de uma plataforma organizacional, questões referentes ao determinismo da natureza humana, modelos educacionais e implicações técnicas, científicas, sociais e políticas da sociedade pós-revolução. Nesse sentido, cada vertente do Anarquismo tem uma linha de compreensão, análise, ação e edificação política específica, embora todas vinculadas pelos ideais-base do Anarquismo. O que realmente varia, segundo os teóricos, são as ênfases operacionais.


A Liberdade é a base inconteste de qualquer pensamento, formulação ou ação anarquista, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os anarquistas. Assim, entre os anarquistas, a Liberdade deixa apenas o plano abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prática, sendo o símbolo e a dinâmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o princípio básico para qualquer pensamento, ação ou sociedade ser definida como anarquista é que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente), quanto pragmaticamente (no âmbito das ações), no conceito de Liberdade. Liberdade física, de gênero, de pensamento, de ação, de expressão, de usufruto consciente dos recursos humanos, socias e naturais, de negociação e interação, de apoio mútuo, de relacionamento e vinculação sentimental, de fé e espiritualidade, de produção intelectual e material e de realização coletiva e pessoal. Para a encarnação da Liberdade, no entanto, é necessária a erradicação completa de qualquer forma de autoridade.


Para os anarquistas, todo tipo de divisão da sociedade - em todos os apectos - que não possua uma funcionalidade plena no campo humano deve ser completamente descartada, seja pelos antagonismos infundados que ela gera, seja pela burocracia contraproducente que ela encarna na organização social, esterilizando-a. Logo, a idéia de "pátria" é negada pelos anarquistas.


A questão persecutória por excelência entre os anarquistas no decorrer da história é: como seria possível uma Sociedade Anarquista se cada ser humano pensa de uma forma diferente? Não seria permeada por inúmeros conflitos, guerras, antagonismos? A resposta a essa questão, defendida pela maior parte dos anarquistas, é a de que apenas o desenvolvimento virtuoso da educação (Pedagogia Libertária) – permeada pela autodidática, interesse natural, relativismo cultural e antidogmatismo – proveria as pessoas do desenvolvimento humano efetivo. Assim, embora os conflitos façam parte da Sociedade Anarquista – e a desenvolvam estruturalmente por essa relação dialética –, eles seriam transferidos do plano físico – como é o caso das guerras atuais – para o plano do diálogo – como prima a Democracia Direta.

domingo, 16 de agosto de 2009

Noções sobre COMUNISMO

O Comunismo é um sistema econômico, bem como uma doutrina política e social, cujo objetivo é a criação de uma sociedade sem classes, sem Estado, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a consequente abolição da propriedade privada e caracterizada pelo controle dos meios de produção pelos trabalhadores através de associações livres de produtores.


O Comunismo tenta oferecer uma alternativa aos problemas que são entendidos como inerentes à economia capitalista e ao legado do imperialismo e do nacionalismo. De acordo com a ideologia comunista, a forma para superar esses problemas seria a derrocada da rica burguesia, tida como classe dominante, em prol da classe trabalhadora - ou proletariado – para estabelecer uma sociedade pacífica, livre, sem classes, ou governo.


O pensamento comunista é normalmente considerado parte de um mais amplo movimento socialista, originário nos trabalhos de teóricos da Revolução Industrial e Revolução Francesa, que remontam às obras de Karl Marx. As formas dominantes do comunismo, como o Leninismo, o Trotskismo e o Luxemburguismo, são baseadas no Marxismo; mas versões não-Marxistas do comunismo (como o Comunismo Cristão, e o Anarcocomunismo) também existem e estão crescendo em importância, desde a Queda da União Soviética.


Muitas vezes o socialismo e o comunismo são empregadas erroneamente como sinônimos, porém, na concepção original de Karl Marx, elas seriam duas etapas diferentes do processo revolucionário que deveria acabar com as estruturas capitalistas. A verdadeira diferença entre a primeira fase da sociedade comunista e a segunda, como Marx explica em Crítica ao programa de Gotha, não tem relação com o Estado, mas com a forma de produção e distribuição. Durante o socialismo como a sociedade acaba de sair do capitalismo, e portanto de uma guerra civil, o homem ainda estaria moralmente vinculado a sociedade precedente e, por isso, ainda traria em si os estigmas e valores da velha sociedade, e como a produção não era abundante o suficiente para atender todas as necessidades sociais ela deveria ser distribuida segundo o trabalho. Quanto à segunda fase Marx esclarece: "Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravocrata dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades." ("Critica ao Programa de Gotha").


Complementarmente, em "Do Socialismo Utópico ao Cíentifico" Engels explica que o Estado desaparece junto com as classes sociais, pois se Estado é um aparelho de dominação de uma classe sobre outra não pode permanecer durante o comunismo, pois essa é uma sociedade sem classe. Engels mostra que o próprio proletariado desaparece com a revolução e, portanto não pode haver um Estado Operário numa sociedade sem operários. Assim segundo ele, o Estado Operário dura apenas no período revolucionário.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo

Noções sobre SOCIALISMO

Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica advogando a propriedade pública ou coletiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação. O Socialismo moderno surgiu no final do século XVIII tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora que criticavam os efeitos da industrialização e da sociedade sobre a propriedade privada. Karl Marx afirmava que o socialismo seria alcançado através da luta de classes e de uma revolução do proletariado, tornando-se a fase de transição do capitalismo para o comunismo.

Ao longo das décadas o chamado Socialismo real alterou profundamente a semântica do termo "Socialismo" que hoje é, erroneamente associado por alguns, ao totalitarismo e ao desrespeito a certos direitos humanos. O desafio que enfrentam alguns teóricos de hoje é associar a idéia de socialismo à democracia e devolver valores humanísticos em seus ideais, que apesar de serem incluídos na teoria marxista original, nunca foram postos em prática. De fato, atualmente, muitas correntes de pensamento divergem acerca do socialismo. Algumas não crêem que as experiências taxadas de socialistas (URSS sendo o maior exemplo) possam realmente ser assim consideradas, por não terem se mantido fiéis às propostas dos pensadores originais - já que os meios de produção pertenciam ao Estado controlado por burocratas e não ao povo trabalhador.


Além disso, o Estado aumentou o seu controle ao invés de diminuir, ainda havia salários e, portanto, a existência da mais valia, fonte de lucro da burguesia. Deste modo, não acabou a exploração e sim modificou-se quem explorava, conservando os mesmos instrumentos de exploração do capitalismo.


Outras correntes consideram necessária a adequação do socialismo ao contexto atual e crêem que tanto as definições dos pensadores originais como o socialismo posto em prática não se adequam à atualidade. O grande consenso que há é o de trabalhar para alcançar a justiça social, o que faz com que as definições clássicas de socialismo, bem como as publicações a seu respeito, sirvam mais como orientação histórica do que como "manuais ideológicos" ou definições exatas (pelo menos para a maioria dos pensadores).


Sendo assim, alguns críticos do socialismo clássico (e aí se incluem não apenas defensores de outros sistemas político-econômicos, mas também uma significativa parcela dos socialistas modernos) acreditam que o modelo de transição proposto por Karl Marx em sua teoria não tenha mais fundamento nos tempos de hoje. Por outro lado, muitas correntes socialistas ainda procuram se manter fiéis aos conceitos de Marx a respeito da Revolução Socialista e da fase de transição ao comunismo, conceitos que ainda consideram válidos em sua essência, com uma ou outra atualização para os dias atuais.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo

sábado, 15 de agosto de 2009

Noções sobre CAPITALISMO

O Capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção e pela existência de mercados livres. Na historiografia ocidental, a ascensão do capitalismo é comumente associada ao ocaso do feudalismo, ocorrido na Europa no final da Idade Média. Outras condições comumente associadas ao capitalismo são: a presença de agentes que investem em troca de um lucro futuro; o respeito a leis e contratos; a existência de financiamento, moeda e juro; a ocupação de trabalhadores segundo um mercado de trabalho. As sociedades modernas possuem, em geral, economias mistas, adotando conceitos análogos aos capitalistas, com restrições.

Ao final do século XX, os Estados Unidos e a Inglaterra passaram a difundir a teoria neoliberal. Segundo esta teoria, para evitar futuras crises a receita seria privatizar empresas estatais que pudessem ser substituídas com vantagens pela iniciativa privada, aperto fiscal no sentido de zerar o déficit fiscal, controle da inflação, câmbio flutuante e superávitis em comércio exterior.


Esta política passou por dois grandes testes: a crise dos países asiáticos e a crise da Rússia, que foram controladas com o auxílio do FMI, não sem antes de destruir quase a metade de seus PIB's. Não sendo capazes, desta forma, de produzir uma recessão mundial.


Apesar desses avanços macroeconômicos, a pobreza e a desigualdade continua alta na América Latina. Cerca de uma em cada três pessoas (165 milhões no total) ainda vivem com menos de $2 por dia. Aproximadamente um terço da população não tem acesso à eletricidade e ao saneamento básico, estima-se ainda que 10 milhões de crianças sofram de mal-nutrição. Esses problemas não são, contudo, novos, a América Latina já era a região com maior desigualdade econômica do mundo na década de 1950, e continua a ser desde então, durante períodos de substituição da importação direcionadas pelo Estado e (subseqüentemente) liberalização orientada ao mercado.


No consenso de Washington os Estados-Nação, em uma assembléia presidida pelos Estados Unidos, escolheram o Capitalismo como o sistema econômico legítimo da era Contemporânea, por melhor representar os interesses liberais das empresas junto do sistema de Governo. Este fato está intrinsecamente conectado ao avanço da Globalização, que é nada mais do que a expressão dos interesses da classe empresária dominante, melhor representada pelas multinacionais.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que você acha da prática abaixo?

Nas ilhas Faroe, Dinamarca, jovens encurralam golfinhos e baleias para cortá-los com foices. Isso faz parte de um rito de passagem tradicional. O que você pensa sobre o assunto? Tradição que deve ser respeitada ou massacre e crime ambiental?

Gostaria de agradecer à Prof. Heloisa Flora Bastos, da UFRPE, por ter avisado sobre o fato.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cuba pode ensinar professores brasileiros a ensinar?

Martin Carnoy é engenheiro elétrico, economista e atualmente professor de educação na Universidade Stanford, EUA. Recentemente ele lançou o livro (já traduzido para português) "A vantagem acadêmica de Cuba", lançado pela Ediouro. Para promover o livro e discutir o assunto, ele veio ao Brasil nos últimos dias.

Avaliações internacionais revelam que o desempenho de estudantes cubanos em matemática e linguagem é bastante superior ao dos brasileiros. Segundo Carnoy, há uma razão para essa performance diferenciada na ilha de Fidel: lá a qualificação dos docentes é melhor e o envolvimento, maior.


Em vez de aplicação de modelos do setor privado no ensino, Carnoy sugere coisas simples: ensinar o professor brasileiro a ensinar; acompanhar seu desempenho em sala de aula; estabelecer ligações entre alunos e professores.


A boa formação do magistério em Cuba é traduzida em alta cobrança aos estudantes - e isso cria um círculo virtuoso, já que os melhores alunos acabam se tornando professores no futuro. "Tudo isso acontece, porque o sistema apoia o professor, ensinando-o a lecionar", disse o pesquisador ao site UOL. Veja a matéria completa no UOL aqui. Segundo o estadunidense, no Brasil, a maior parte dos docentes não é formada nas melhores universidades - que, por sua vez, pouco abordam a didática das disciplinas.


Hoje, em entrevista muito interessante à Folha de S. Paulo, Carnoy mostra o fracasso da única experiência de bônus por desempenho nos Estados Unidos e o sucesso do modelo cubano de ensino. Abaixo veja algumas das passagens que achei mais interessantes na entrevista.


Página do Prof Carnoy em Stanford:
http://ed.stanford.edu/suse/faculty/displayRecord.php?suid=carnoy


Algumas passagens da entrevista à Folha:

FOLHA - Qual a metodologia do estudo?
CARNOY
- Como economista, usei dados macro para explicar as diferenças entre os países nos testes de matemática e linguagem. Fizemos análises com visitas a escolas e filmamos aulas de matemática e analisamos as diferenças entre as atividades em classe. Há uma grande diferença, pais cubanos têm renda baixa, mas são altamente educados, em comparação com os do Brasil. O estudo foi finalizado em 2003 e depois comparamos Costa Rica e Panamá. Na Costa Rica, há coisas engenhosas, aulas com duas horas, em que se pode realmente ensinar algo. Supervisionar a resolução de problemas de matemática e, principalmente, discutir resultados e erros. Os alunos cubanos têm aulas acadêmicas das 8h às 12h30. Depois, almoço. Voltam às 14h e ficam até as 16h30, quando têm uma sessão de TV por 40 minutos. A seguir, artes e esportes, mas com o mesmo professor.


FOLHA - Ter o mesmo professor durante quatro anos (como os cubanos) é uma vantagem?
CARNOY
- Quatro anos, pelo menos. Mas os alunos não mudam de um ano para outro. No Brasil, se alunos e professores mudam muito de escola, como fazer isso? Se a ideia é tão boa, se funciona, deveríamos fazer algo para que pelo menos professores não mudassem tanto.


FOLHA - O que mais chamou a sua atenção nas aulas no Brasil?
MARTIN CARNOY
- Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do município, que dirigem a escola e vão lá de vez em quando; 60% das crianças repetem o ano, e professoras pensam que isso é natural porque acham que as crianças simplesmente não conseguem aprender. Fiquei impressionado, o livro [didático usado na sala de aula] era difícil de ler. Precisaria ter alguém muito bom para ensinar aquelas crianças com ele. Ficaria surpreso se qualquer criança conseguisse passar [de ano]. Vi escolas na Bahia, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio… [entre outros].

FOLHA - Melhorar o ensino público provocaria uma avanço na educação como um todo, inclusive nas escolas particulares?
CARNOY
- Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá. Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos treinados do que os de Taiwan. Os melhores professores no Brasil têm em média desempenho abaixo da média do professorado de países desenvolvidos. Investir e melhorar a escola pública, que é a base de comparação dos pais, elevaria o resultado das melhores escolas particulares também. Professores são bons em pedagogia, mas não no conhecimento a ser ensinado. Não treinam muito matemática e não sabem como ensiná-la.

FOLHA - O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba vive sob ditadura?
CARNOY
- Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas [ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores saibam ensinar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Quando Plutão foi rebaixado

Aproveitando as comemorações do Ano Internacional da Astronomia, e a nova Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), que está acontecendo no Brasil, abaixo um breve relato da minha viagem a Praga em 2006, onde expus minha pesquisa na Assembleia da IAU, experiência em que tive oportunidade de participar das discussões sobre a natureza de Plutão e da votação onde ele se transformou de planeta para planeta-anão.

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Praga, 18 de agosto de 2006. (Sexta-feira)

A viagem foi bastante cansativa... A gente dorme pouco, tem o fuso-horário, a conexão em Paris... Mas vale a pena! Vim conversando com o Rama, Professor da USP, e orientador de meu amigo Alberto.

Praga é uma cidade lindíssima, povo educado e cordial. Nao vi até agora nenhuma sujeira no chão. Trouxe um dicionário de tcheco, e como poucas pessoas aqui falam inglês, foi engraçado tentar treinar tcheco no metrô. Ahoj! Dobri den! Etc e tal.

Cheguei ao hotel e fui direto para a Assembleia. Assisti a um concerto muito bonito e a uma palestra sobre os buracos negros galáticos. Mas com mente cansada e com fuso horário, fica difícil. O Congresso é imenso, acho que o maior congresso que fui na vida. Isso é um pouco ruim, mas ao mesmo tempo interessante: gente do mundo inteiro para trocar experiência científica.

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Praga, 20 de agosto de 2006. (Domingo)

Passei o fim de semana passeando pelas ruas de Praga. A cidade é encantada, com todas aquelas torres pontiagudas, escuras e com pontas douradas. Subi em algumas delas para ter um panorama geral da cidade.

Três atrações me chamaram mais a atenção: assistir à ópera Don Giovanni de Mozart, no States Theatre, o local original onde foi encenada pela primeira vez, passear na praça onde Kafka morava (ali há a igreja onde Brahe está sepultado, longa vida a Tycho Brahe, e o relógio astronômico, coisa raríssima de se ver por aí), e a famosa ponte Carlos (foto acima), onde é possível acessar o palácio de Praga, local que fora sede do Sacro Império Romano na época de Kepler.

Confesso que lágrimas brotaram quando atravessei as pontes do Moldávia, e ao mesmo tempo ouvir no meu mp3 player a sinfonia Ma Vlast (Meu País) de Smetana. Muito lindo. Cisnes brancos e pretos e o marulhar do leito.

Existe um turismo científico muito vivo em Praga. Aqui moraram Kepler, Brahe, Einstein e Doppler. E existem muitas indicações das casas por onde estes personagens passaram. Turisticamente é uma cidade perfeita.

A arquitetura é bastante peculiar. E guarda o ar de séculos passados. Por isso em geral muitas produções cinematográficas (como Amadeus, p.ex.) são filmadas aqui.

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Praga, 21 de agosto de 2006. (Segunda-feira)

Passei o dia com meu orientador, Prof. Letelier. Almoçamos e jantamos juntos. Conversamos bastante sobre várias coisas, mas principalmente sobre o artigo que estamos escrevendo juntos. Acreditamos que seja um ótima novidade sobre curvas de galáxias, utilizando relatividade geral. Fechamos que será submetida para a Nature (fiquei muito feliz quando o Letelier propôs isso!!).
Estamos ajustando o texto para o desafio. Inclusive apresentaremos o trabalho aqui em Praga.

Durante a Assembleia reencontrei diversos amigos e professores. Discuti com a Vice-Presidente da IAU, Prof. Barbuy, e com o Prof. Laerte, lá da Usp, sobre as características de Plutão e polêmica sobre o provável "rebaixamento". O IAU quer aprovar 53 novos planetas (coitadas das crianças...). Mas existe uma séria oposição a esta ideia. A oposição quer reduzir o número a 8 e transformar os outros em objetos transnetunianos (incluindo Plutão). Enfim, me parece que amanhã sai uma decisão sobre o assunto.

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Praga, 22 de agosto de 2006. (Terça-feira)

Hoje votei para decidir algo sobre os planetas. Bem historico, né? Foi uma votação preliminar para se decidir qual a melhor opção: 53 novos planetas, ou transformar Plutão em transnetuniano. Fui a favor da última opção, devido às características peculiares de Plutão, que mais se assemelha a um cometa em órbita elíptica com alta excentricidade (diferentemente dos planetas comuns). No entanto, por enquanto nada fechado.

Hoje pela manhã houve uma palestra que me interessou bastante, sobre cálculos de estruturas autogravitantes. Conversei também umas coisas boas do trabalho com o Letelier.

À noite saí com uns brasileiros da Usp, uns tchecos e indianos, tomei uma cerveja de Pilsen (regiao tcheca) e voltei para casa eram umas 23h, meio exausto.

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Praga, 24 de agosto de 2006. (Quinta-feira)

Hoje é o dia da votação definitiva.

Ontem, foi tempo livre, e fiz outro tour por Praga. Obtive na Assembleia um livreto de locais de turismo científico em Praga e visitei a casa de Einstein e o observatório onde Brahe fazia alguns trabalhos.

Acabei de votar (foto acima). Votei para que Plutão perca o cargo. E a decisão final foi tomada agora há poucos minutos. Plutão fica como o primeiro pluton, ou planeta anão. Perde portanto o estatus de planeta. Fora os oito planetas (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno), quaisquer outros objetos serão simplesmente categorizados como "objetos do sistema solar".

Baseei meu voto nos seguintes argumentos: Plutão tem estrutura de cometa, feito em boa parte de gelo sujo, tem órbita destacada e altamente excêntrica, suas dimensões são diferenciadas dos outros planetas, e outros novos 53 objetos têm características semelhantes às de Plutão. Portanto, se estes 53 novos objetos não podem se tornar planetas, Plutão consequentemente deverá ser rebaixado. E é isso...

Amanhã faço minha trouxa e passo o fim de semana em Paris.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Barraco no Senado: Renan versus Tasso no ringue



Me parece que finalmente o sistema de capitanias hereditárias começou a estrebuchar no nordeste brasileiro.

Só não sei quando acabará.

Barraco entre Simon, Darth Collor e Renan

Bases dos EUA na Colômbia

Sou totalmente favorável à abertura das fronteiras e do fim perene do ego patriota que gera guerras sem razão. No entanto, na atual fase da história, sem que os maiores países comecem tal processo, seria um suicídio territorial que países menores como os da América do Sul pensassem em qualquer tipo de abertura de fronteiras. Assim, concordo em gênero, número e grau com Mauro Santayana, no seu artigo abaixo:

Conflito nos Andes

Mauro Santayana

Jornal do Brasil, 06/08/2009

Nada nos poderá dizer Uribe que não saibamos. Ele pertence a uma oligarquia de brancos de origem europeia, que gostariam de transformar a Colômbia em estado associado norte-americano, como é Porto Rico. Não entendem esses grandes senhores que Porto Rico é uma ilha, como também o Havaí, e que o destino da Colômbia está ligado ao futuro da América do Sul, a que pertence, na história e na geografia.

A imprensa colombiana defende o presidente Uribe, afirmando que Chávez quer instalar bases russas na Venezuela. O Brasil, em razão de sua história, se opõe à presença de tropas norte-americanas em sua vizinhança e não deve aceitar as russas. Amanhã ou depois, a China talvez queira ter também suas forças no continente.

O Brasil tem toda autoridade para essa postura. Quando, na luta contra o Eixo, cedemos a projeção oriental sobre o Atlântico aos Estados Unidos, para a base de Natal, deixamos estabelecido que essa presença seria temporária, enquanto durasse a guerra. Logo depois do armistício, o governo de Truman quis negociar o arrendamento da área e a permanência das bases – já na previsão de confronto com os soviéticos. Vargas não aceitou discutir o assunto – e os americanos se foram. Durante toda a história, só sofremos, na primeira fase da guerra da Tríplice Aliança, a presença de tropas inimigas na margem esquerda do Rio Paraguai. Logo que nos foi possível, as expulsamos dali. O Brasil não admite outra bandeira sobre seu território.

O presidente Lula declarou que não podemos impedir que a Colômbia faça o que quiser em seu país. Trata-se de seu direito soberano, até mesmo, se assim o desejar, de transformar-se, de jure, em protetorado de Washington – o que já é de fato. Mas é preciso que nos reservemos o direito de tomar todas as medidas, a fim de impedir a violação de nossas fronteiras, incluídas as que se situam no espaço aéreo. Ao que se sabe, essa posição será reafirmada, com firmeza, na conversa de hoje com Uribe. Convém levar o mesmo statement ao governo de Alan Garcia. O presidente do Peru apoiou o seu colega colombiano, em termos mais do que elogiosos. É provável que o Peru de Garcia seja também candidato a acolher ianques armados em seu solo. Não façam de seu território uma plataforma para a violação da soberania dos outros países da América do Sul. E se enganam, se imaginam que podem dividir os nossos povos. Os governos são temporários, mas é imanente a consciência de que devemos continuar a construir a unidade de nossa pátria grande, da qual sejam cidadãos de pleno direito os ameríndios e os descendentes de europeus, asiáticos e africanos, que aqui aportaram nos últimos cinco séculos.

Não temos por que tomar partido no confronto verbal entre Bogotá e Caracas, mas isso não nos impede de identificar os interesses estrangeiros que se encontram por detrás dos incidentes registrados. Há sempre os que acendem o forno alheio, a fim de assar seu pão. Temos, mais do que o direito, o dever da franqueza na conversa com os vizinhos. Não somos senhores de suas portas, que podem abrir-se aos hóspedes que escolherem. Temos, porém, o dever de lhes dizer que nos incomodam quando oferecem sua casa a hóspedes que pretendem nos bisbilhotar com binóculos eletrônicos, ou cavar trincheiras junto à cerca.

Foram interesses estranhos, ligados à exploração dos recursos naturais do continente, que promoveram, no século 19, a Guerra do Pacífico, entre o Chile e o Peru, com consequências penosas para a Bolívia – que perdeu seu acesso ao mar. Naquele tempo, tratava-se da riqueza em fosfato do guano do litoral e das ilhas próximas, utilizado como fertilizante na Europa: um conflito pelo excremento de aves. No século 20, houve a Guerra do Chaco, pelo petróleo da região – e mais uma vez com o sacrifício maior dos bolivianos. É normal que Evo Morales seja definitivo na objeção à presença de tropas norte-americanas em nossas cercanias. O Barão do Rio Branco nos livrou de uma guerra com a Bolívia, no caso do Acre, e de lesão de nossa soberania no Pantanal, no caso da Colônia do Descalvado, que provavelmente nos exigiriam penosos sacrifícios para a libertação do solo pátrio. Em todos esses casos, foram os estranhos, americanos e europeus, a fomentar a discórdia, a fim de apoderar-se dos despojos.

Não aceitamos assistir, depois das guerras do Pacífico e do Chaco, a um conflito nos Andes setentrionais – e menos ainda com a presença de tropas de fora.

Comentário de Paulo Henrique Amorim: no Globo, Míriam Leitão defende com ardor a instalaçãoo de base americana na Rua Lopes Quintas , no Rio, bem em frente à TV Globo. Ela é inarredável: está sempre do lado oposto ao interesse nacional.