sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A indústria e nós, seus cobaias. Cap 1: O Bolo Amarelo

Nesta semana, pensando seriamente no modo de produção em que estamos vivendo na atualidade, que não sei que nome dar, mas certamente um modo de produção baseado na fabricação de bens em países de mão de obra barata (China, Indonésia e por aí vai), bens que são regidos por empresas situadas nos EUA, Europa ou Japão, e que tem suas ações na bolsa de valores funcionando como joguete e catalisador do funcionamento eficiente do sistema.

Ou seja, as empresas de bolo amarelo (yellow cake) fabricam o bolo na China e vendem na cidade grande em troca de lastro-ouro (vide o Cap 2: Telefones Celulares).

Um grande amigo, cientista e companheiro de papos em Campinas, Daniel Boriero, passou-me o seguinte vídeo, que nem precisa ser comentado, dada a tamanha nitidez do que significa fazer bolos amarelos gostosos a baixo custo. O filme é de Nick Cross, premiado diretor de animações. Enjoy.

sábado, 24 de outubro de 2009

A indústria e nós, seus cobaias. Cap 2: Telefones Celulares

Quando os portugueses chegaram ao Brasil perceberam que os indígenas tinham ouro e prata, mas não valorizavam as pedras a ponto de morrer por elas. Como já sabemos, europeus em geral morriam facilmente por causa de ouro. Eram doentes por ouro e pedras preciosas. Quer dizer, são ainda.

Os portugueses tiveram a ideia de oferecer pentes e espelhinhos em troca de ouro. Os indígenas concordaram.

Todos sabemos que, na origem de sua definição, dinheiro significa lastro-ouro. Ou seja, teoricamente, para cada nota em circulação existe uma quantia de ouro depositada no banco central que garante que aquela nota vale alguma coisa. (Se bem que hoje em dia não sei bem se é assim mesmo...)

Ultimamente existem os espelhinhos modernos construídos por filandeses (espelhinhos da Nokia), noruegueses (espelhinhos da Ericsson, que agora também é japonesa, Sony), e naturalmente, espelhinhos estadunidenses (exempli gratia, Motorola, Apple, LG, BlackBerry, et coetera).

Assim, o lastro-ouro de países ditos em desenvolvimento é todo consumido na compra de espelhinhos ditos telefones celulares. Não é mesmo, meu caro índio?

Os espelhinhos são criados lá em terras de além mar pelas tais empresas citadas e fabricados a baixo custo por uma leva de pobres crianças da tribo dos chins.

Assim, os índios, além de serem os detentores do valioso lastro-ouro, também podem facilmente ser os cobaias de um espelhinho porcamente testado em humanos.

Só nesta semana, li dois relatórios científicos oficiais e um parecer da OMS sobre os queridos espelhinhos modernos. Finalmente, depois de mais ou menos 10 anos de testes em cobaias índios, alguns resultados estão sendo publicados.

Relatório número 1: Escrito pela International EMF Collaborative, especialista em assuntos relacionados a campos eletromagnéticos. Título: Celulares e tumores cerebrais: 15 razões para preocupação. Conclusão do relatório: diz que o uso constante de celulares por mais de 10 anos sugere o desenvolvimento de tumores cerebrais, com confiabilidade de 98%. Página do relatório:

http://www.radiationresearch.org/pdfs/15reasons.asp

Relatório número 2: Escrito pela EWG, organização ecológica estadunidense. Título: Radiação celular: revisão científica sobre riscos de câncer e saúde infantil. Conclusão do relatório: o uso constante de aparelhos de telefonia celular pode causar tumores no cérebro e a utilização destes aparelhos por crianças pode ser ainda mais arriscada. Página do relatório:

http://www.ewg.org/cellphone-radiation/

Parecer da OMS: Resultados preliminares indicam que o uso do telefone celular pode ter relação com vários tipos de câncer. Tais resultados foram divulgados hoje pelo jornal "The Daily Telegraph". O estudo ainda será publicado oficialmente na literatura científica, e está sendo coordenado pela Dr. Elisabeth Cardis, do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal) de Barcelona. A OMS possui um estudo em aprofundamento sobre o impacto de campos eletromagnéticos na saúde. Veja por exemplo em

http://www.who.int/peh-emf/en/

Minha conclusão pessoal: há exatamente oito anos, meu professor de Eletromagnetismo, Antônio Belfort, falava dos prováveis riscos para o cérebro do uso de telefones celulares, devido a faixa de transmissão ser em microondas, faixa esta a que as moléculas de água poderiam ser bastante sensíveis. Como sempre soube que por trás do boom de celulares existia a pressão das empresas de além mar pelo extravio de cada vez mais lastro-ouro, resolvi nunca comprar um. Meu pensamento é o de que esta indústria usa a mesma estratégia usada pela indústria farmacêutica: não é possível que vivamos sem aspirina, portanto devemos comprá-la constantemente. Já eu, nunca tive o tal espelhinho e vivo bem: me sinto com tamanha liberdade que não tenho tempo para pensar em ser vaidoso.

Agradeço a Cláudio Barreto e Tamara Pedron que me passaram muitas das informações contidas na presente postagem. Ambos, assim como eu, acreditam que celulares não são uma boa ideia, e por isso não precisamos deles.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como não ter câncer. Cap 1: A Oncologia Pirata

Faz muito tempo que estudo métodos anticancerígenos naturais por pura curiosidade. Um dos motivos principais: após presenciar a morte de alguns parentes, percebi que todos tiveram em comum tratamentos caros, dolorosos e extremamente experimentais.

O Hospital Sírio-Libanês por exemplo. Quanto será que fatura por ano com operações, quimioterapias, radioterapias, petscans e outros pet tratamentos caríssimos e de eficiência duvidosa?

Um tio meu por exemplo, gastou cerca de 25 mil reais com um tratamento sem resultados no Sírio-Libanês. Os médicos foram altamente incompetentes e estimularam uma esperança totalmente ilusória. Disseram que tinham removido o tumor e um mês depois foi detectado no petscan um tumor quatro vezes maior no local da operação. Após a constatação do fato, os responsáveis disseram que o tumor não havia voltado e aquilo era um problema no imageamento. Mas que problema no imageamento traria uma morte fatal um mês depois com dores lascinantes?

Portanto, o tratamento químico mais uma vez recai em um dos grandes e graves problemas humanos atuais: o jogo terrorista da indústria farmacêutica que mantém os médicos reféns de um ciclo vicioso sem fim.

Dado o fato, resolvi, há 12 anos fazer o meu boicote pessoal contra a indústria farmacêutica: nunca mais tomei remédios alopáticos. Minto, tomei ano passado, por causa de uma dor de cabeça resistente em Cuiabá (santo calor): uma aspirina que gerou uma alergia, que gerou a necessidade de tomar cortisona, antialérgico na veia e comprimidos antialérgicos.

Portanto, a aspirina que tomei só me fez corroborar a ideia de nunca mais voltar a tomar alopáticos se houver alguma maneira natural de resolver o problema.

Como não ter câncer. Cap 2: Alternativas Eficientes

Uma das técnicas de que tomei conhecimento há uns 15 anos sobre o câncer foi a técnica de visualização de Simonton. A primeira vez que li sobre Simonton foi no livro "Ponto de Mutação" de Fritjof Kapra.

Simonton, um médico dos EUA, começou a partir da década 1960 uma série de experiências de visualização com pacientes com câncer. Era uma espécie de hipnose, onde se sugeriam visualizações de paisagens ou mesmo de interações com o sistema imunológico.

O que foi constatado é que visualizações que remetiam à autocura eram extremamente eficientes, e a grande porcentagem dos pacientes que passavam pelo processo obtiam boas reduções do tamanho dos tumores malignos. O que não acontecia é claro com o grupo de pacientes que estavam no experimento mas não participaram da técnica de visualização.

Outras leituras foram aquelas que fiz de livros naturistas. Há exatamente 12 anos eu estava me tornando vegetariano. E portanto comecei a ler muita coisa que me oferecesse alternativas proteicas ao consumo de carne. E me deparei com um livro chamado "A Cura do Câncer através da Alimentação Natural". Não estou lembrando o nome do autor, me desculpem.

No livro, percebi que muitos alimentos podem ter princípios ativos eficientes no estímulo do sistema imunológico e na própria eliminação de células cancerosas.

Como não ter câncer. Cap 3: Exercícios Físicos

Outro fator que percebi ao longo dos anos foi aquele relacionado aos exercícios físicos. Este fator em particular foi se tornando claro a partir do número de pesquisas que fui acompanhando em revistas científicas como a Nature ou revistas especializadas em medicina.

Tudo que andei lendo indica que os exercícios aeróbicos como corrida, natação, caminhada, futebol, vôlei, etc, estimulam de forma eficiente o sistema imunológico.

O sistema imunológico é vital para manter o equilíbrio do organismo. E um sistema imunológico saudável significa ter poucas doenças contagiosas e manter o controle de células desequilibradas.

Como assim manter o controle de células desequilibradas? O que quero dizer é que no nosso organismo, temos células desequilibradas aos montes! O que acontece é que nosso sistema imunológico dá conta de boa parte destas células. No entanto, pode acontecer, que algumas não sejam destruídas e comecem a se reproduzir descontroladamente. É assim que surge o câncer.

Uma coisa que ninguém sabe é por que o sistema imunológico em certo momento não consegue identificar o tumor como algo que deva ser eliminado.

É aí que entra o aspecto psicológico, talvez o aspecto mais importante para se manter uma saúde perfeita.

Como não ter câncer. Cap 4: Estado Psicológico

Assim, como estamos psicologicamente afeta a produção de certos hormônios, o que afeta consequentemente o estado de nossa pele, de nosso cabelo, etc. Um estado psicológico "alto astral"é altamente eficiente em manter o sistema imunológico alerta.

Estados deprimidos causam por consequência sistemas imunológicos desatentos, colocando o corpo como um ninho eficiente para a proliferação das serpentes dos diversos tipos de câncer que existem.

Não sou muito fã do Deepak Chopra, mas li uma coisa muito interessante num livro que tem um nome muito sem sentido "Saúde Quântica". Acho que é totalmente sem sentido porque o termo quântico no livro é usado mais como licença poética do que fato científico. Mas deixando um pouco de lado este tipo de discussão, Chopra coloca o aspecto meditativo como essencial para manter um aspecto psicológico saudável e por consequência um sistema imunológico saudável. No livro ele fala que 10 minutos diários de meditação seriam suficientes.

Acredito que o ápice de informações úteis, de caráter realmente médico, que menciona tudo isso que falei até agora, está contido num livro publicado há dois anos na França. Chama-se "Anticancer -- prévenir et lutter grâce à nos défenses naturelles". Existe uma edição deste livro publicada em português. Acredito que é a melhor publicação do gênero divulgação científica sobre câncer e métodos naturais de cura que até agora chegou ao meu conhecimento. Se bem que nem sou médico nem sou da área. Mas gosto de pesquisá-la há pelo menos uns 10 ou 15 anos.

Como não ter câncer. Cap 5: Livro "Anticâncer"

Este tal livro intitulado "Anticâncer", foi escrito por um médico neuropsiquiatra francês chamado David Servan-Schreiber, que fez doutorado em psicologia cognitiva com o Prêmio Nobel Herbert Simon.

Servan-Schreiber teve câncer no cérebro e chegou a receber o diagnóstico de 6 meses de vida. O fato é que ele ficou curado e escreveu o livro 15 anos depois do diagnóstico. O que ele fez? Inicialmente, ele não abandonou o tratamento convencional com radio e quimioterapia. Apesar de eu acreditar que esse tipo de tratamento está permeado por um mercenarismo inconteste, o que o Schreiber recomenda é não abandonar o que a medicina ocidental orienta.

No entanto, aí vem no meu entendimento o segredo do sucesso do tratamento: Schreiber adotou de forma intensa exatamente todos os requisitos que até agora eu havia estudado: alimentação altamente saudável, meditação transcedental, exercícios físicos e um tratamento psicológico direcionado a uma forte valorização da vida (não só da humana, mas como a de toda a natureza).

O livro é fantástico, pois traz um resumo dos artigos publicados por Schreiber na revista Science, uma súmula de bons hábitos, alimentos indicados e o tim-tim por tim-tim de como o câncer é desenvolvido fisiologicamente e como ele pode ser destruído pelo sistema imunológico.

Uma frase surpreendente, que nunca seria dita num livro de medicina há 20 anos atrás: "A inflamação desempenha um papel-chave na progressão dos cânceres. Nós podemos agir para reduzi-la em nosso organismo graças a meios naturais ao alcance de todos."

O livro tem algumas lâminas ilustrativas muito úteis. Das lâminas já pode-se perceber a que o livro veio, os alimentos mais benéficos, fatores de proteção, etc. Sobre os fatores de proteção, por exemplo, posso até reproduzir os itens do livro:

Melhor alimentação: dieta mediterrânea, cozinha indiana, cozinha asiática.
Pior alimentação: dieta ocidental tradicional.

Melhores fatores psicológicos: domínio da própria vida, leveza, serenidade.
Piores fatores psicológicos: depressão e sentimento de impotência.

Melhor atividade física (mínima): 30 minutos de caminhada 6 vezes por semana.
Atividade física ineficiente: menos de 20 minutos de atividade física por dia.

Melhores fatores ambientais: meio ambiente limpo (sem poluição ou contaminantes).
Piores fatores ambientais: fumaça de cigarro, poluição atmosférica, poluentes domésticos.

Sobre a dieta mediterrânea, por exemplo, ele fala sobre o consumo diário de vinho. No entanto, ele mostra que cientificamente o consumo de uma taça é altamente anticancerígeno. E o engraçado é que o consumo de mais de uma taça é altamente cancerígeno.

Pois é. Nada como o caminho do meio...

domingo, 4 de outubro de 2009

Tributo a Vonnegut 2

Kago, um pequeníssimo ser alienígena que trouxera a tecnologia automotiva dos besouros de ferro, chegara à Terra com esperança de salvar o seu próprio planeta da devastação.

Um século depois da chegada do pequeno Kago, todas as formas de vida naquela bola azul-esverdeada que um dia havia sido pacífica, úmida e saudável estavam morrendo ou mortas. Por toda parte havia cascas de grandes besouros que os homens haviam produzido e idolatrado. Eram os automóveis. Eles haviam matado tudo.

O próprio Kago morreu muito antes do planeta. Estava tentando falar sobre os malefícios do automóvel num bar em Detroit. Mas era tão minúsculo que ninguém prestava atenção nele. Deitou-se para descansar por um instante, e um operário automobilístico bêbado o confundiu com um fósforo de cozinha. Matou Kago raspando-o insistentemente na parte de baixo do balcão.

Coisas da vida.

(In "Café da manhã dos campeões")