domingo, 4 de outubro de 2009

Tributo a Vonnegut 2

Kago, um pequeníssimo ser alienígena que trouxera a tecnologia automotiva dos besouros de ferro, chegara à Terra com esperança de salvar o seu próprio planeta da devastação.

Um século depois da chegada do pequeno Kago, todas as formas de vida naquela bola azul-esverdeada que um dia havia sido pacífica, úmida e saudável estavam morrendo ou mortas. Por toda parte havia cascas de grandes besouros que os homens haviam produzido e idolatrado. Eram os automóveis. Eles haviam matado tudo.

O próprio Kago morreu muito antes do planeta. Estava tentando falar sobre os malefícios do automóvel num bar em Detroit. Mas era tão minúsculo que ninguém prestava atenção nele. Deitou-se para descansar por um instante, e um operário automobilístico bêbado o confundiu com um fósforo de cozinha. Matou Kago raspando-o insistentemente na parte de baixo do balcão.

Coisas da vida.

(In "Café da manhã dos campeões")

Um comentário:

  1. E aquele conto do ser extraterrestre que se comunicava sapateando e flatulando..hahahahaha...que imagem absurda. Se cuida, Carlos, advirto que Vonnegut em doses muito altas podem causar inquietação, desconforto e crises existenciais. hahahaha

    forte abraço

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