quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Projeto Hippocampus em Porto de Galinhas

Como também sou funcionário público federal, o feriadão de finados da segunda-feira 02/11 veio acompanhado do feriado deslocado do dia do funcionário público na sexta-feira 31/10. Santos feriados que só me conquistam na hora em que precisa-se viajar para esfriar um pouco a cabeça. (Se não viajo, trabalho, e portanto feriado sem viagem é dia sem feriado mesmo.)

Um casal de amigos do Recife, superamigos, convidou-me para um descanço em Serrambi, praia do litoral sul pernambucano, próxima a Porto de Galinhas.

No domingo fomos de bugre à faixa de praias do município de Ipojuca, que compreende Maracaípe, Porto de Galinhas, Cupe e Muro Alto.

Vi muitas coisas lindíssimas naquele passeio. Mas o que mais me interessou foi o projeto "Hippocampus" em Porto de Galinhas.

Há um rio na região chamado Maracaípe, e no local onde ele desemboca no mar existe toda uma grande área dominada por mangue onde se reproduzem algumas espécies de cavalos-marinhos, especialmente a denominada Hippocampus Reidi e a Hippocampus Erectus.

O espaço possui um pátio com a aquicultura dos animais supracitados, estudos biológicos das espécies nativas e principalmente as bonitas iniciativas de preservação do habitat (i.e. o mangue do Maracaípe, infelizmente depredado pelo turismo não-sustentável) e o projeto de inclusão social onde crianças participam dos estudos e desenvolvem atividades lúdicas ao redor das diretrizes do Hippocampus.

Aqui na postagem vocês podem ver filmes com as espécies estudadas no projeto. Abaixo o sítio do projeto. Uma boa opção para quem quiser ver pesquisa e inclusão nas praias de Pernambuco.

http://www.institutoaqualung.com.br/info_hippocampus_52.html

domingo, 8 de novembro de 2009

In manere sive natura

Ó aquilo que não se consegue definir, aquela vontade interior de atingir algo que não sabemos o que é, mas aqui está bem diante de nosso íntimo. Tu és a vontade de se alcançar a verdade, de se alçar à mudança, de se tornar algo brilhante. És tão intrínseco que te tornas invisível ao maior telescópio e ao microscópio de tunelamento.

In manere sive natura, eu sei quem és, mas não sei te definir. Eu sei que muitos te evocam de forma simplista. Fazem comércio em teu nome e dizem te conhecer e dizem falar por ti.

In manere sive natura, eu te vi numa flor. Eu te vi numa igreja. Eu te vi num terreiro de macumba. Eu te vi no excremento da vaca e na mosca que ali estava. Eu te vi na palavra Satan e te vi na palavra Deus. Eu te vi nos olhos do ateu, na mente do cientista, na flagrância de uma flor, na perspicácia de um político, no cuidado de uma mãe, na destreza dos malabaristas, no algodoar das nuvens, na difração do arcoíris.

Tu não és homem, tu não és mulher, tu não és galinha, pato ou águia, nem samambaia, baobá, cogumelo, alga. Tu não és um extraterrestre. Nem sei se és tu ou nós ou ele ou ela.

Só sei quem tu não és. Não és Jesus, não és Krisna, não és Buda, não és Maomé, não és Moisés, nem és Yahwé. Tupã, Allah, Osiris, Zeus, Ormuz, Brahma, Odin, Oxalá também sei que tu não és. Mesmo assim, te vi no nome de todos eles. Mesmo nos nomes mais esquisitos como Satan, Sheitan ou Maya.

Tu não estás nem no dogma da religião, nem no dogma da ciência. Nem no orgulho do intelectual, nem na vaidade das modelos.

Tu não és o big bang ou o designer inteligente.

Só sei quem tu não és.

E não sei te definir, pois te definir é papel do clero ou do filósofo, os quais não sou nem quero ser.

Não sei quem és. Só sei que te vi na negação do meu amigo ateu, na dúvida do meu companheiro agnóstico e na certeza do meu compadre religioso. Mesmo assim, muitas vezes, vejo tuas mãos mais presentes nas mãos de ateus que nas mãos de religiosos, vejo-te mais límpido na limpidez de agnósticos que no fanatismo de pastores. Tu não és aquilo que pastores, ateus ou agnósticos dizem. Porque sei que não é possível definir aquilo que está in manere sive natura.

Por isso, nunca poderei me classificar como ateu, agnóstico ou religioso. São rótulos tão enfraquecidos diante de uma imanência que não consigo ver, mas aí está.

Joguei minha razão pela janela, pois só por intuição é possível te sentir.

Ah, perdoa-me chamar-te por tu. Porque assim seria personificar algo que desde o início propus-me a não personificar. Portanto és pois in manere siva natura, e não se discute mais o assunto.

Que os homens, essa pequena faceta fractal de um corpo tão gigante deste in manere sive natura, que pelo menos parem de brigar por algo que não entendem e nunca entenderão... E que parem de brigar por qualquer coisa, que esta seria uma forma digna de pertencer a este corpo tão lindo e invisível.