terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cahiers du Cinema: n. 4 - Aurora

Aurora (Sunrise: a Song of Two Humans, F W Murnau, 1927), como os melhores filmes mudos da década de 1920, também é uma produção estadunidense dirigida por um alemão. Nele, a vida de um pacato casal que mora numa pequena cidade nas margens de um lago é perturbada por uma garota que vem da cidade grande, e que, não vendo graça na monótona vida interiorana, decide seduzir o jovem esposo. Todas as noites, sem pejo algum, o rapaz passa a sair escondido de casa para encontrar-se com a garota ambiciosa. A surpresa vem do fato de que já de início o espectador conhece os planos sinistros do roteiro: que o jovem mate a esposa e fuja com a moça descarada para a cidade grande. Isso de início me causou estranheza porque surge de forma bastante repentina. No entanto, o desenvolvimento dramático de tal plano é uma das sequências mais interessantes que já vi, sendo o grande trunfo de Murnau e provavelmente a causa para levar o filme à quarta posição na lista do Cahiers du Cinema. Também a discussão sobre o contraste entre vida no campo e vida na cidade grande é um ponto alto da película. No entanto, o filme perde intensidade em muitos momentos, graças ao uso do pastelão gratuito (a cena do porco soa totalmente sem sentido e sem graça) e dos vários instantes de "enchimento de linguiça" usados claramente para atrair as famílias estadunidenses da época. Três estrelas. Abaixo o trailler.

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