domingo, 3 de janeiro de 2010

O filme "Lula" é propaganda política?


Resposta: Claro que não.

Como vocês observarão no decorrer do presente blog, uma das coisas que mais tento é enxergar o governo Lula de forma transparente, aplaudindo as atitudes iluminadas e expondo criticamente as derrapadas insalubres.

Lula é importante como baluarte no diálogo sobre uma revolução no pensar de líderes sobre o meio ambiente e uma economia sadia. Lula não é um bom exemplo de como criar massa política a todo o custo, alla machiavelli.

Portanto, ponto pacífico, aqui não pago pau a Lula como faz Paulo Henrique Amorim no seu blog, e nem jogo ovos gratuitamente como fazem Diogo Mainardi e toda sua corja da revista Veja. (A tempo, para mim, tomar partido entre Serra e Lula é como ter que escolher entre o São Paulo e o Inter de Porto Alegre; um exercício muito complicado já que os dois são é mesmo socialdemocratas e eu um anarquista de carteirinha...)

Lula tem quase 90% de popularidade no Brasil.

Ele precisa de propaganda para se promover mais? Não.

"Lula, o filho do Brasil", dirigido por Fábio Barreto, é um ótimo exercício de como falar da vida de um presidente que ainda está em exercício sem recorrer ao glamour do enaltecimento político alla Goebbels em seus filmes sobre Hitler. É um exercício muito difícil, porque certamente há muita gente que nem viu o filme e já o está destruindo só porque é um filme sobre Lula e como "Lula é um analfabeto intransigente, bronco, arrogante e prepotente, logo não merece existir um filme sobre sua vida".

O filme não explora a vida política de Lula nos anos 1980 e 1990, tentando focar a relação do presidente com sua luta sindical durante a ditadura militar, e a importância que algumas mulheres tiveram em sua vida: as esposas Lurdes e Marisa, mas sobretudo a mãe, dona Lindu.

Dona Lindu, interpretada acima da média por uma Glória Pires impressionantemente presente, é praticamente o foco do filme. O ciclo de vida do filme tem relação com o nascimento de Lula e com a morte de D Lindu. A maioria das reflexões desenvolvidas giram em torno do que D Lindu poderia dizer sobre as atitudes que Lula toma.

E Dilma nisso tudo? Nem aparece, nem existe. Ela poderá ser beneficiada por causa do filme? Logicamente que sim. Certamente será! Mas mesmo assim, o filme não é propaganda política, porque não foi feito com esse intuito, e nem tem esse intuito, pois está longe de expor as conquistas e curriculum do presidente nos anos em que ele realmente fez alguma coisa pelo país.

O filme, baseado no livro de Denise Paraná, é sobre um brasileiro, que por acaso se chama Lula, que viaja do nordeste ao sudeste, assim como muitos outros, pobre, em situação delicada, pequeno e acompanhando sua mãe, e outros tantos irmãos. Apertados no paudearara. Estuda, luta, sofre e se destaca como líder sindical. Isso está muito bem apresentado, acompanhado da intensa, surpreendente e armorial trilha sonora de Jacques Morelembaum e fotografia perfeita de Gustavo Hadba, principalmente na ambientação do agreste nordestino.

O roteiro flui, a edição não é lá as mil maravilhas, mas o roteiro flui. Muitas cenas poderiam ter maior intensidade dramática como a hora em que Lula perde o dedo. Confesso também que o romance de Lula e Lurdes soou bastante piegas, o que não ocorreu para o caso do namoro Lula/Marisa. Enfim, a intensidade do roteiro poderia ser melhor explorada, mas como eu disse, tudo flui mesmo assim.

O estreante Rui Ricardo Diaz se sai muito bem, sem transformar o personagem em paródia do Lula da vida real. Convence. Somente nos discursos mais exaltados percebemos a fala rouca alla Lula.

Fico quase a concluir que o filme saiu realmente bom porque o diretor não queria pagar mico com o presidente do Brasil. E como gosto de bom cinema, não reclamo se foi assim mesmo, afinal o filme está muito agradável de se ver. Friso que não é um filme excelente, mas é agradável.

Dou minhas três estrelas e meia.

E ressalto: "Lula, um filho do Brasil" não é propaganda política, embora inevitavelmente será utilizado em benefício de alguém em algum momento.

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