quinta-feira, 29 de julho de 2010

Retrato do mundo atual


O retrato abaixo diz muita coisa. O pai do Filipe Massa abraçado ao chefe da Ferrari, após o primeiro lamentar profundamente o episódio do GP da Alemanha.

Neste mundo é muito mais fácil se fazer as pazes com os rolos compressores de grandes corporações, que nos pisoteiam a todo instante, do
que com um amigo ou um familiar com quem nos desentendemos há anos...

E la nave va.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Parlamento de região espanhola da Catalunha proíbe touradas

Quando morei em Barcelona, em 2005, na frente do museu principal da cidade havia uma grande arena de touros. A maioria dos catalãos achava aquilo um absurdo. Só agora, 5 anos depois, parece que conseguiram abolir uma prática da época da Hispania Romana. Com isso, fico a me perguntar então até quando teremos o comportamento medieval de matadouros e criação de gado...

MADRID (Reuters) - Legisladores deram um golpe fatal à tourada na Catalunha nesta quarta-feira, proibindo o sangrento esporte de séculos de história pela primeira vez na Espanha continental.

O resultado de 68 votos a favor e 55 contrários à proibição era esperado, pois o Parlamento catalão já havia realizado uma votação preliminar em dezembro aceitando a petição da população para banir a tourada, argumentando ser uma crueldade aos animais. Nove parlamentares se abstiveram.

Durante o debate, legisladores citaram a decadência na popularidade da tourada na Espanha, onde menos e menos pessoas comparecem às arenas a cada ano para assistir aos toureiros usarem capas e espadas contra animais enfurecidos.

"Existem algumas tradições que não podem continuar congeladas no tempo enquanto a sociedade se transforma. Não precisamos banir tudo, mas as coisas mais degradantes devem ser banidas", disse José Rull, membro do Parlamento pelo partido nacionalista catalão, ou CiU, durante o debate.

(Reportagem de Alice Tozer)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cenas bizarras na Rua Augusta

Passei esse fim de semana em Sampa.

Aquela excelente tarde com Filipe e Leonardo Luna: depois de uma ótima massa e um bom vinho, conversas sobre cultura e coisas engraçadas, fomos assistir ao "Profeta" na Rua Augusta.

Filme ótimo. Poderiam ser retirados uns trinta minutos que ficaria ainda melhor.

Para quem achou que o título da postagem tem algo a ver com o vai-e-vem de travestis na Rua Augusta, está totalmente enganado. Ao sairmos do cinema, nos deparamos com uma blitz da prefeitura de São Paulo. Estavam recolhendo os livros das banquinhas de sebo que se espalham naquela rua. Os livros em geral são excelentes e os vendedores não atrapalham o movimento na rua.

Fiquei pasmo quando os guardas jogavam os livros em sacos de lixo como se fossem algo nocivo à saúde. E livros de peso como os de Gabriel Garcia Marquez em espanhol ou coleções completas em capa dura de autores da literatura brasileira.

Ao lado da banca de livros, vendedores de dvds piratas ficaram incólumes. Os guardas nem tocaram neles.

Logicamente não fiquei calado e disse umas para os guardas.

Em breve, podem crer, isso vai virar um verdadeiro Fahrenheit 451.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Essa balbúrdia entre Colômbia e Venezuela não me cheira muito bem, principalmente por causa dos EUA

Sinceramente, eu acho que Chávez errou ao quebrar as relações diplomáticas com a Colômbia. Nem nas sangrentas batalhas medievais os países quebravam relações diplomáticas... Roma e Pártia, os dois gigantescos impérios rivais da antiguidade, tinham estreitas relações diplomáticas. A diplomacia é o remédio necessário num mundo ainda governado pela marcação de território via urina de indústrias bélicas.

Para quem ainda não sabe, Hugo Chávez cortou relações diplomáticas com a Colômbia depois de ser duramente acusado de abrigar milícias das Farc.

Não me preocupo com as baboseiras ditas pelo presidente Uribe. São totalmente irrelevantes. O que de fato me preocupa é que talvez Chávez tenha caído numa armadilha dos Estados Unidos.

Pensemos juntos:

1) A Venezuela é o maior produtor de petróleo da América do Sul.

2) O Iraque, na época da invasão estadunidense, era o segundo maior produtor de petróleo do mundo!

3) A Venezuela, por esses dias, foi acusada de abrigar terroristas a partir de supostas imagens de satélite.

4) Naquela época, o Iraque foi acusado de possuir fábricas de armas químicas a partir de provas altamente duvidosas apresentadas numa reunião do Conselho de Segurança da ONU: se lembram do patético Colin Powell mostrando as fotos de satélite que não provavam absolutamente nada? E além disso, lembram-se que Saddam Hussein foi acusado de abrigar um braço da Al Qaida no Iraque?

5) Hugo Chávez é visto pela opinião pública estadunidense como um perigoso ditador que precisa ser detido.

6) Saddam Hussein era visto naquela época pela opinião pública estadunidense como um perigoso ditador que precisava ser detido.

Não quero aqui afirmar que Hugo Chávez é um baluarte da santidade. No entanto, acredito que, pelo menos no contexto atual, ele está longe de ser um ditador teocrático como Saddam Hussein o foi.

Ao contrário, Chávez é um grande ingênuo! No fundo, no fundo, a única nação que realmente o apóia é Cuba. Se alguma guerra for declarada contra Chávez quem é que vai ter coragem de ser contra os EUA?

O que eu quero dizer é que a decisão de romper com a Colômbia foi uma grande trapalhada. Qualquer criança que leia jornal há algum tempo será capaz de perceber a argúcia norte-americana por trás deste complexo jogo de xadrez onde um dos principais peões é o presidente Uribe e com certeza o rei não é Barack Obama. O rei está muito longe de ser Barack Obama.

Descubra quem matou Kennedy e você vai descobrir quem é o rei.

Tenho a leve impressão que Chávez acabou de fazer aquela jogada em que o xeque-mate será inevitável. Aquela jogada de jogador imaturo tão longamente esperada por enxadristas experimentados.

É o xeque-mate que aponta para a inevitabilidade de uma guerra.

E hoje em dia as alegadas guerras ao terror, além de estúpidas, mentirosas, monumentais e de longa duração, são basicamente articuladas a partir de imagens de satélite que nada significam.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A idiotização crônica da cultura brasileira

Ontem, ao assistir ao CQC da Band TV, percebi algumas verdades dolorosas sobre a cultura brasileira, satirizadas pelo ótimo apresentador Rafinha Bastos.

Após apresentar o grupo Parangolé no quadro "Top Five", Marcelo Tas anuncia um quiz com Caetano Veloso. E Rafinha Bastos retruca: "Agora a audiência vai cair; pra audiência subir coloca aí de novo o Parangolé".

Tudo isso coincide com o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), mostrando mais uma vez o sucateamento das escolas públicas brasileiras. Um sucateamento que inclui não só o descaso com o conhecimento das disciplinas básicas, mas também a total idiotização da cultura dentro das salas de aula: ninguém aprende sobre mestres da pintura, da música, das ciências... A figura do professor se transformou na figura de um palhaço sem graça. Nos corredores, provavelmente, só se fala nos falsos mestres do futebol e na idiotice que é a Lady Gaga. Ah sim, certamente devem falar muito sobre novos modelos de automóveis, como o Punto, que tem a propaganda mais idiota jamais feita (uma menina fugindo do pai pela janela para andar de Fiat Punto 2011 com o namorado; em que época estamos mesmo? Idade Média?).

Tudo isso também coincide com as novas novelas da Globo. Novelas que assumem que o mundo é feito de modelos, empresários milionários e viagens à Itália de fácil acesso, afinal de contas, como diria Fernando Vanucci, a Itália é logo ali.

Você já viu algum cientista, algum poeta, algum músico erudito nas novelas da Globo? Se algum dia houve, foram ridicularizados como aquele ser com o "parafuso faltando".

Para completar, a minha querida amiga Flávia me manda um email com a entrevista de um físico chinês, Professor da USP. Vejam o que diz a entrevista (Folha S.Paulo, 19/07/2010):

"Guo Qiang Hai, 48, físico chinês que mora em São Carlos (SP) desde 1993, veio para o Brasil sem conhecer ninguém, atrás de uma bolsa na Universidade Federal de São Carlos. Desde 2003 é professor da USP. Adora o país, mas está preocupado. Tem uma filha de um ano com uma brasileira e acha que as escolas que ela vai frequentar não são tão boas quanto as chinesas.

'Na China a escola é em tempo integral, o aluno sempre volta com tarefa. Se precisar, ele estuda no sábado. Além de o professor chinês ganhar bem, os alunos respeitam. Existe uma cultura que valoriza o conhecimento. Aqui não é bem assim. Na TV, parece que só se admira quem participou do Big Brother, tem dinheiro, é modelo. A sociedade não põe na cabeça das crianças que elas têm de estudar.'"

É meu caro Rafinha Bastos, para tirar o Parangolé da cabeça vai demorar muito. Enquanto isso, será que teremos que nos fiar na Copa 2014 se quisermos ver alguma melhora no nosso país em termos de educação e também infraestrutura? É muito doloroso pensar que as coisas aqui só funcionam quando tem futebol no meio...

Não dá para torcer contra a Copa de 2014. Seria um contra-senso.

No entanto, por outro lado, para quebrar um pouco esse meu clima pessimista, sempre é possível torcer a favor de projetos que nada tem a ver com Copa ou governos e são esperanças efetivas para uma melhora na cultura. Ajudem a completar a lista:

1) João Carlos Martins e a Orquestra Bachiana Jovem

2) Cussy de Almeida e a Orquestra do Coque

3) Ana Maria Gonçalves e suas oficinas de leitura

4) Zilda Arns - seus projetos e ações pela sobrevivência, desenvolvimento e proteção de crianças e adolescentes frente à Pastoral da Criança. Foi em Florestópolis, no Paraná, que Zilda levou a primeira ação da Pastoral. Na localidade o índice de mortalidade chegava a 127 mortes a cada mil crianças. Depois de um ano de acompanhamento, o número caiu para 28. O resultado incentivou a Igreja a expandir a Pastoral para todos os Estados do país. Hoje, estima-se que sejam atendidas, mensalmente, cerca de 2 milhões de crianças e 80 mil gestantes. (Comentário de Flávia)

domingo, 18 de julho de 2010

O planeta cometa

De UOL Ciência, 15/07/2010

Com ajuda do telescópio Hubble, astrônomos fizeram novas descobertas sobre um objeto que pode ser chamado de "planeta cometa". O gigante de gás, batizado de HD 209458b, orbita tão perto de sua estrela que sua atmosfera se aquece e escapa pelo espaço, formando uma espécie de cauda.

O planeta está a 153 anos-luz da Terra. Ele pesa um pouco menos que Júpiter, mas está 100 vezes mais perto de sua estrela que o gigante do nosso Sistema Solar. A órbita do HD 209458b em torno de sua estrela ocorre em apenas 3,5 dias - para se ter uma ideia, a órbita completa de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, ocorre em 88 dias.

O HD 209458b é um dos planetas fora do Sistema Solar mais estudados, porque é dos poucos que podem ser vistos passando em frente à sua estrela, em posição que facilita a análise.

Os astrônomos conseguiram mensurar o gás que é expelido pelo planeta e descobriram que nem todo o material escapa com a mesma velocidade. E, embora o planeta seja praticamente "torrado" por sua estrela, os cientistas afirmam que o HD 209458b ainda levará um trilhão de anos para se evaporar.

Os resultados do estudo foram publicados no The Astrophysical Journal.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Final de semana em clima de futebol...

Você liga a televisão.

Ligar a televisão está cada vez mais um saco.

Em particular nesse último final de semana...

Só se falou em futebol: de Copa do Mundo e do goleiro do Flamengo.

Vou apertar o botão OFF. É melhor. Ler um livro, ouvir boa música, plantar flores...

Perdão a desmatador custará 10 bilhões de reais ao seu bolso

O GLOBO, 08/07/2010

Reportagem de Jailton de Carvalho

O prejuízo financeiro com a anistia para proprietários multados por desmatamento ilegal, conforme prevê a reforma do Código Florestal aprovada na Comissão Especial da Câmara na terça-feira, é maior do que os valores calculados por ambientalistas. Levantamento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) informa que, se a proposta for levada adiante, o governo perderá R$ 10,6 bilhões.

O valor corresponde à soma das multas aplicadas entre 1994 e 22 de julho de 2008, período que seria alcançado pela anistia.

A proposta, uma das principais reivindicações da bancada ruralista, foi duramente criticada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Para a ministra, o perdão imediato da dívida não é uma boa alternativa para a regularização ambiental, como defende o relator do projeto, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O projeto deverá ser votado pelo plenário da Câmara depois das eleições.

— O caminho não é anistiar. E quem cumpriu a lei, como fica? Deixa de cumprir? Outra coisa: quanto custa isso? Há um custo — adverte a ministra.

O perdão das dívidas está previsto no artigo 24 do relatório elaborado por Aldo.

— Em outros programas, como dos clubes com dívidas com o INSS, suspendem-se as multas. Depois, se a empresa se regularizar, dá baixa na dívida. O que não pode é dizer previamente: está todo mundo perdoado, está zerado o taxímetro — afirma Izabella.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Erros e falácias cometidas quando a variável principal é apenas o crescimento econômico

Os ambientalistas querem transformar o Brasil na grande reserva natural do mundo. Não é justo eu ter que reduzir a área de plantio de arroz por conta da Área de Proteção Permanente(APP) e, por essa razão, ter que comprar arroz da China, onde não existe reserva legal, nem APP. Se eles conseguissem convencer o resto do mundo a preservar, nós estamos dispostos a fazer o mesmo.
Kátia Abreu (Senadora pelo Democratas-TO), após ser aprovada no Congresso a anistia aos produtores que cometeram crimes ambientais.

Além de estimular o desmatamento, a ‘anistia’ é injusta para quem respeitou a lei. Por que a Receita Federal não anistia os sonegadores de impostos? Porque sabe que isso incentivaria esse tipo de crime.
Paulo Adário (Coordenador brasileiro da ONG holandesa Greenpeace)

Hinos na Copa: os dois últimos para terminar

Por incrível que pareça, os dois hinos que faltavam colocar são o de Espanha e Holanda. Digo por incrível que pareça porque eu já havia planejado isso e coincidentemente os dois ainda estão de pé na Copa. Mas o incrível histórico por trás dos hinos, é que no século XVI a Espanha possuía o maior império do mundo e a Holanda era dominada pelos exércitos de Filipe II. Notem que no hino da Holanda (que é uma homenagem a um nobre, o príncipe de Orange Guilherme de Nassau) há referências à Espanha e ao fato histórico.

O hino da Espanha (país onde já morei e tenho grande carinho), é diferenciado no sentido em que, em contraposição ao hino francês, e à maioria dos hinos europeus, fala da paz e dos valores naturais do país.

O hino da Holanda (segundo meus amigos André e Rejane, a Holanda é um dos países mais lindos deste planeta), muito calmo e brilhante, nos coloca na pele de Guilherme de Nassau (Wilheumus van Nassouwe) e é considerado o hino mais antigo do mundo. Foi escrito em 1574 em plena ocupação espanhola. Por isso provavelmente contém o confuso verso "O rei da Espanha eu sempre honrei" (segundo alguns, dito por puro sarcamo e ironia). Ele foi um hino exclusivo dos príncipes de Orange, entre eles Maurits (Maurício de Nassau, que invadiu as possessões espanholas, entre elas o nordeste brasileiro do início do século XVII). Ou seja, muito provavelmente foi o hino de Mauritstaat por algum tempo. Mauritstaat é a minha cidade natal. Conhecida hoje como Recife de Pernambuco.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Incerteza sobre o Clima

Completando aquele pensamento, de duas postagens atrás, de que no caso do clima os céticos só têm atrapalhado, abaixo, na coluna de Marcelo Leite, mais informações sobre o caso. Um abraço à querida Flávia Pereira por repassar o texto.

Por Marcelo Leite (o texto completo está em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/758825-clima-certeza-e-inseguranca.shtml), Folha de S. Paulo, 30/06/2010.

Os negacionistas da mudança do clima, maldenominados "céticos", têm certeza de que, se ela existir, não foi causada pelo homem --ou não merece ser combatida. Para negar a necessidade de adotar um tratado internacional para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, coisa que na sua convicção destruiria a livre iniciativa e daria poder demais aos governos, lançam dúvidas sobre a ciência do aquecimento global.

Quanto mais dúvida, melhor. Quem se arriscaria a adotar políticas custosas com base em informação questionável?

A negociação internacional sobre o tema saiu dos trilhos em Copenhague, no final de 2009. Parece pouco provável que volte a eles daqui a seis meses, em Cancún. O fracasso não foi, porém, obra exclusiva dos negacionistas.

Isso apesar de todo o barulho que conseguiram fazer com os e-mails furtados do caso "Climagate". E, também, com o erro constrangedor, porém menor, encontrado no Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (AR4), sobre a descabida previsão de que as geleiras do Himalaia derreteriam até 2030.

Não, o que está paralisando a negociação é o bom e velho conflito Norte-Sul. Ele se encontra agora agravado pelo fato de que a crise financeira mundial está afetando muito mais o Norte que o Sul (embora China e Índia fiquem no hemisfério Norte e fosse mais correto falar em conflito Oeste-Leste).

No máximo se pode dizer que os negacionistas deram contribuição significativa para o retrocesso sofrido, nos EUA, pela noção de aquecimento global antropogênico (causado pelo homem) - ou "AGA", para encurtar. Antes do derramamento de óleo no Golfo do México, 50% dos americanos davam mais importância ao fornecimento de energia do que ao ambiente (43%), uma inversão do que vinha ocorrendo nos últimos nove anos.