quinta-feira, 1 de julho de 2010

Incerteza sobre o Clima

Completando aquele pensamento, de duas postagens atrás, de que no caso do clima os céticos só têm atrapalhado, abaixo, na coluna de Marcelo Leite, mais informações sobre o caso. Um abraço à querida Flávia Pereira por repassar o texto.

Por Marcelo Leite (o texto completo está em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/758825-clima-certeza-e-inseguranca.shtml), Folha de S. Paulo, 30/06/2010.

Os negacionistas da mudança do clima, maldenominados "céticos", têm certeza de que, se ela existir, não foi causada pelo homem --ou não merece ser combatida. Para negar a necessidade de adotar um tratado internacional para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, coisa que na sua convicção destruiria a livre iniciativa e daria poder demais aos governos, lançam dúvidas sobre a ciência do aquecimento global.

Quanto mais dúvida, melhor. Quem se arriscaria a adotar políticas custosas com base em informação questionável?

A negociação internacional sobre o tema saiu dos trilhos em Copenhague, no final de 2009. Parece pouco provável que volte a eles daqui a seis meses, em Cancún. O fracasso não foi, porém, obra exclusiva dos negacionistas.

Isso apesar de todo o barulho que conseguiram fazer com os e-mails furtados do caso "Climagate". E, também, com o erro constrangedor, porém menor, encontrado no Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (AR4), sobre a descabida previsão de que as geleiras do Himalaia derreteriam até 2030.

Não, o que está paralisando a negociação é o bom e velho conflito Norte-Sul. Ele se encontra agora agravado pelo fato de que a crise financeira mundial está afetando muito mais o Norte que o Sul (embora China e Índia fiquem no hemisfério Norte e fosse mais correto falar em conflito Oeste-Leste).

No máximo se pode dizer que os negacionistas deram contribuição significativa para o retrocesso sofrido, nos EUA, pela noção de aquecimento global antropogênico (causado pelo homem) - ou "AGA", para encurtar. Antes do derramamento de óleo no Golfo do México, 50% dos americanos davam mais importância ao fornecimento de energia do que ao ambiente (43%), uma inversão do que vinha ocorrendo nos últimos nove anos.

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