terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aquecimento global ou resfriamento global?

Ideias científicas não são dogmas, nem times de futebol para quem você deve torcer.

Mesmo ao analisar dados científicos, tudo depende da perspectiva. Você pode olhar para um pedaço dos dados e achar uma coisa e ao olhar para outro pedaço mudar totalmente de opinião.

No Brasil e em todo hemisfério sul, se você começar a medir as temperaturas a partir de Janeiro até Junho, você perceberá que as temperaturas estão diminuindo. Houve resfriamento global por causa disso? Não, foi apenas o reflexo das estações do ano no seu termômetro. O inverso ocorre no hemisfério norte do planeta.

Se você agora comparar a temperatura média do mês de Janeiro de 2010 com a média de Janeiro de 2009, o assunto já começa a mudar. No entanto, você terá apenas dois dados para decidir se está ocorrendo aquecimento ou resfriamento. Muito pouco, não?

Vamos agora tornar o assunto mais complexo: meça as temperaturas a partir do ano 1998. Comparando-se de 1998 a 2009, chega-se à conclusão que as temperaturas estão diminuindo levemente (embora ainda pareça um assunto em aberto porque dados de satélite não estão batendo com dados de estações, mas suponhamos que seja verdade). Opa! Resfriamento global? Até parece que sim. No entanto, climatologicamente e estatisticamente falando, as coisas ficam mais claras se você tomar um conjunto de ao menos 30 anos de dados. E quando fazemos isso, o que acontece: AQUECIMENTO GLOBAL ou aumento de temperaturas médias. O número 30 não é um número mágico nem cabalístico: ele tem apenas relação com a consistência estatística dos dados. Poderia ser o número 29, 35, 36. O importante é ter um número significativo de dados para ter uma estatística consistente.

O assunto é bem polêmico. O climatologista Mojib Latif do IPCC/ONU, por exemplo, acredita que os modelos indicam que até 2020 as temperaturas médias irão diminuir. E se realmente acontecer, isto significa um resfriamento global factual, pois teremos então mais de 30 anos de dados até lá. Sabe-se por exemplo, também que entre os anos 1945 e 1977 houve diminuição de temperaturas médias.

O problema é que quando fazemos uma constatação entre os anos 1800 até o presente momento, globalmente o que é percebido é elevação das temperaturas, apesar de no meio ocorrer pequenos ciclos de quedas (como os relatados acima). Ou seja, cientificamente, a partir do que é medido e comprovado em laboratório, seja lá em que lugar do mundo for, há aquecimento global a partir do início da revolução industrial, o que coincide com uma maior emissão de CO2 na atmosfera.

Alguns cientistas como o brasileiro José Carlos Parente de Oliveira defendem que a ação humana é inóqua para produzir modificações globais consistentes no clima da Terra e que o principal motor de variações climáticas é a atividade solar. Sobre a atividade solar ele está corretíssimo! No entanto, seria muita ingenuidade conceber que o ser humano, com a tecnologia atual, não tem capacidade alguma de influir sobre o clima. Segundo Parente de Oliveira, mesmo as queimadas da Amazônia não causariam modificações no clima. Dizer isso é de imensa irresponsabilidade, no sentido em que todos sabem que a molécula de CO2 é responsável pela absorção de ondas eletromagnéticas longas (infravermelho), que em outras palavras significa que o gás carbônico retém calor. E as queimadas produzem muito CO2!

Vamos à minha opinião: enquanto os chamados céticos do aquecimento global estão de olho só no gráfico de temperaturas, minha opção é olhar para o gráfico de evolução na concentração de CO2. A concentração de CO2 tem não só consequências no clima, mas principalmente na qualidade do ar. E se olharmos para a evolução do CO2 nos últimos 600 mil anos (sim é possível medir isso! me perguntem nos comments) sabe-se que nos últimos 100 anos a concentração de CO2 é muito maior do que qualquer outro momento dentro da janela temporal citada! Veja o gráfico abaixo (Fonte: Keeling 2005; Petit 1999; Dome Concordia Project). O impacto dos dados abaixo é confirmado mesmo por aqueles que dizem que não existe um aquecimento global.

Apesar de realmente a palavra "aquecimento global" ter se transformado em mero marketing caça-níqueis dos tempos modernos (assim como "congelamento da Terra" foi o marketing da década de 1970 por causa do pequeno resfriamento entre 1944 e 1977), é preciso sempre se lembrar de que também existe o marketing da indústria do petróleo, sempre interessada no lucro imediato e no descrédito da ideia de que a ação humana sobre a natureza possa trazer consequências. Não é à toa que a maioria da população dos EUA e da China não acredita que possam ocorrer mudanças climáticas motivadas pela mão do homem.

Somos realmente questionadores ou apenas marionetes daquilo que os lobbies empresariais inventam?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Top 10 maestros

O mundo está repleto de maestros extremamente competentes. Infelizmente as pessoas os conhecem muito pouco. Aqui vai uma lista pessoal de regentes vivos. Faço como uma referência e não como lista absoluta, afinal de contas não conheço tantos maestros assim. Infelizmente na lista não há uma maestrina. Mas dou um voto de honra a Lígia Amadio, regente que assisti uma vez no Teatro Guaíra em Curitiba, e que me encantou vivamente.

Vamos então à lista:

Top 1 - Daniel Barenboim: nacionalidade argentina, além de ótimo regente é ótimo interprete de alguns instrumentos, com destaque para o piano. Diretor da West-Eastern Divan, de união entre músicos árabes e judeus. Nunca o assisti pessoalmente, mas tenho muitos vídeos com suas interpretações.

Top 2 - Pierre Boulez: nacionalidade francesa, também é compositor. O maior compositor vivo, por sinal. Discípulo do grande Olivier Messien. Assisti a duas regências dele: a "Missa Glagolítica" (Janacek) e "São Francisco de Assis"(Messien), ambas em Londres.

Top 3 - Kurt Masur: nacionalidade polonesa, é um dos poucos maestros que regem sem batuta. É atualmente diretor da Filarmônica de Londres. Ele gosta muito do Brasil, e quase todos os anos está no Festival de Inverno de Campos do Jordão, acompanhando o maestro brasileiro Roberto Minczuk. Infelizmente ainda não o assisti pessoalmente, mas ele lembra sempre minha adolescência, quando eu assistia a seus concertos pela TV à frente da Gewandhaus de Leipzig.

Top 4 - Colin Davis: nacionalidade inglesa, é atualmente o presidente da sociedade real de música inglesa. Sua regência chama a atenção pela alegria e pela liberdade de expressão. Assisti à sua regência do Concerto n. 1 para violino (Beethoven) em Londres.

Top 5 - Lorin Maazel: nacionalidade francesa. Atualmente é diretor da Filarmônica de Nova Iorque. Muito competente à frente dos músicos e bastante carismático junto ao público. Assisti a uma apresentação dele e da Filarmônica de Nova Iorque interpretando as obras de Sibelius.

Top 6 - Claudio Abbado: nacionalidade italiana. É talvez o mais experiente de toda a lista. Foi sucessor de Karajan na Filarmônica de Berlin, o que dá enorme peso. Desde que li uma entrevista dele dizendo que só gostava de música erudita, deixei de ter vergonha de dizer que também só gosto de música erudita (hehehe). Embora Jobim e Beatles sempre serão músicas na minha lista de audição. Atualmente é diretor da Orquestra Mozart de Bolonha. Nunca o vi pessoalmente, o que é uma pena. Parece que está bem doente.

Top 7 - Riccardo Muti: nacionalidade italiana. Atualmente é diretor da Sinfônica de Chicago. Gosto muito de seu jeito de reger. Já assisti a vários vídeos de óperas regidas por ele. Uma vez o vi pessoalmente regendo o "Requiem" (Mozart) em Barcelona.

Top 8 - Zubin Mehta: nacionalidade indiana. Atualmente é diretor da Filarmônica de Israel. Já assisti a um concerto seu à frente desta orquestra regendo obras de Beethoven, em Campinas.

Top 9 - Nikolaus Harnoncourt: nacionalidade alemã, é um dos maiores interpretes de música barroca do mundo. Já o vi uma vez em Cambridge, uma das cidades que melhor interpreta música antiga, e realmente sua interpretação de Bach é extremamente zelosa. É engraçado porque ele é um conde, reconhecido como tal, e descendente dos imperadores sacro-romanos. Atualmente é regente honorário da Concertgebouw de Amsterdã.

Top 10 - Roberto Minczuk: nacionalidade brasileira. Atualmente é diretor da Sinfônica Brasileira e da Filarmônica de Calgary e o diretor artístico do Festival de Campos do Jordão. Muitos irão olhar com estranheza eu ter escolhido Minczuk, que não é tão reconhecido assim pela comunidade internacional. No entanto, como o Brasil ainda não tem tradição em artes eruditas e ciências, muitos artistas e cientistas brasileiros de alta estirpe são pouquíssimo valorizados. Finco aqui portanto o pé para meu voto honorário neste gigante da música brasileira.

E agora José?...

Pesquisa eleitoral é uma grande bobagem. Ao menos no Brasil, onde as pessoas votam em quem vai ganhar e não em quem é mais competente. Mas para não perder a oportunidade, me parece que o Instituto DataFolha aponta que a única capital que ainda apóia Serra é Curitiba. E agora José?... (Música do conterrâneo do meu pai, José Araújo, do cantor e compositor Paulo Diniz, de Pesqueira, PE).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pergunta: As pessoas relacionadas abaixo podem ser legítimos representantes de nós, cidadãos?











Clique na figura para ver os detalhes. Slogan da campanha do candidato acima: "Pior do que está não fica".

Outros candidatos a deputado (estadual ou federal) registrados: Mulher Melão (PTN - RJ), Mulher Pêra (PTN - SP), Tati Quebra-Barraco (Partido Trabalhista Cristão - RJ), Kiko do KLB (DEM - SP), Reginaldo Rossi (PSB - PE), Maguila (PTN - SP), Ronaldo Esper (PTC - SP).


Defendo até o fim o direito de qualquer um se candidatar. Rechaço até o infinito o estado educacional da população brasileira que com certeza elegerá alguns dos candidatos acima como ótimas opções de representação.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

top 10 operas

Aí vai minha lista daquelas que considero as 10 melhores óperas (ou música ocidental encenada de qualidade; um dia farei uma postagem sobre música oriental de qualidade). Abaixo da listagem, você pode ouvir cenas que considero notáveis em cada uma delas. Minha avaliação considera o conteúdo dramático, cênico e musical. Não irei afirmar com certeza, mas provavelmente foram óperas que deram grandes contribuições à música em suas épocas.

1 - Der Ringen des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos), Bayreuth 1876 - Richard Wagner

2 - I Pagliacci (Os Palhaços), Milão 1892 - Rugiero Leoncavallo

3 - Don Giovanni, Praga 1787 - Wolfgang Amadeus Mozart

4 - Tristan und Isolde (Tristão e Isolda), Munique 1865 - Richard Wagner

5 - Boris Godunov, São Petersburgo 1874 - Modest Mussorgsky

6 - La Traviata, Veneza 1853 - Giuseppe Verdi

7 - Cavalleria Rusticana, Roma 1890 - Pietro Mascagni

8 - Carmen, Paris 1875 - Georges Bizet

9 - Tosca, Roma 1900 - Giacomo Puccini

10 - Dido and Aeneas, Londres 1689 - Henry Purcell

Fica aí meu desafio ao amigo Cláudio Barreto, o ser que mais entende de ópera que eu conheço, para dar seu veredicto sobre a opinião acima.


1- Der Ringen des Nibelungen - Parte 4 (Götterdämmerung) Ato 3

2- I Pagliacci - Final do Ato 1

3- Don Giovanni - Ato 2

4- Tristan und Isolde - Prelúdio

5- Boris Godunov - Cena da Coroação

6- La Traviata - Ato 1

7- Cavalleria Rusticana - Cena do Regina Coeli

8- Carmen - Ato 2

9- Tosca - Ato 3

10 - Dido and Aeneas - Ato 3

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Paris quer ser a "Cidade das Bicicletas"

Estive em Paris nos anos 2006 e 2008. O interessante é que como o prefeito Bernard Delanoe lançou o aluguel de bicicletas a partir do ano 2007, quando fui em 2008 pude ver pessoalmente as tais bicicletas de aluguel e como as pessoas faziam questão de alugá-las para circular pelos principais pontos da cidade luz. Uma diferença substancial em relação a 2006, quando estive pela primeira vez.

Agora Paris quer ser "A Cidade das Bicicletas".

Não sei se vocês sabem, mas faz exatamente 10 anos que decidi optar pelo transporte ciclístico. Meus colegas de trabalho entravam no emprego, daqui um tempo financiavam um carro e eu guardava o dinheiro para outras coisas e ficava andando por aí de bicicleta. Primeiro em Recife (TRE), depois Campinas (Unicamp), depois Cambridge (Universidade de Cambridge) e agora pelas ruas de Palotina (UFPR). Na época da USP, em São Paulo, eu não via muita perspectiva em andar de bicicleta. São Paulo infelizmente é uma cidade condenada ao sufoco de automóveis congestionantes...

Mas enfim. Vejam o exemplo de Paris. Uma métropole capaz de oferecer a opção da ciclovia (como vi também em Copenhagen).

Abaixo um trecho da matéria da Reuters, publicada hoje, sobre o assunto.
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Paris faz planos para se tornar a "Cidade das Bicicletas"

Por Elizabeth Pineau

PARIS, 12 de agosto (Reuters Life!)- Três anos depois de lançar um programa de aluguel de bicicletas amplamente copiado por outras cidades, Paris está intensificando seus esforços para converter-se em capital aberta aos ciclistas, comparável a paraísos das bicicletas como Amsterdã e Berlim.

Centenas de quilômetros de novas ciclovias estão sendo criados na Cidade das Luzes, ciclistas estão conquistando novos direitos nas ruas e o serviço de aluguel de bicicletas públicas, lançado em 2007 pelo prefeito socialista Bernard Delanoe, está sendo ampliado para incentivar mais parisienses a deixar os carros em casa e pedalar.

A meta é dobrar em uma década o número de bicicletas que circulam nos bulevares da capital.

Com a exceção da Tour de France, encerrada todos os anos com uma descida simbólica pela avenida Champs Elysées, as bicicletas no passado eram pouco vistas nas ruas de Paris.

Os ciclistas tinham poucos direitos e pedalar nas ruas da capital era uma aventura de alto risco.

A situação começou a mudar no final de 1995, quando uma greve dos transportes públicos paralisou Paris, obrigando muitos habitantes a recorrer a suas bikes.

Seis anos depois, Delanoe chegou à prefeitura e lançou uma campanha para reduzir o trânsito e a poluição na zona central da cidade. Ele criou algumas das primeiras ciclovias e fechou ruas aos carros nos fins de semana, dentro da campanha "Paris Respira".

LONDRES E BRUXELAS SEGUEM O EXEMPLO

No mês passado, Londres lançou um esquema que segue o exemplo do sistema parisiense. Bruxelas inaugurou no ano passado um novo serviço de bicicletas batizado de Villo!.

Pelos novos planos aprovados pela Câmara Municipal em junho, até 2014 Paris vai ampliar sua rede de ciclovias dos 440 quilômetros atuais para 700 quilômetros.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Prendam Daniel Dantas e soltem o goleiro Bruno

Se há alguém nesse país que de fato merecia estar na cadeia este alguém chama-se Daniel Dantas. O banqueiro, dono do Opportunity.

Todos os problemas do Brasil não são culpa dele, é lógico. Mas todo o jogo de poder mais alto e mais corrupto passou pela mão desse senhor. Você acha que o dinheiro de campanha do Serra e da Dilma vem de onde?

Já faz um ano que ele foi preso e depois recebeu Habbeas Corpus do Supremo Tribunal Federal, ou seja, foi solto. Você acha que o Gilmar Mendes, cabo eleitoral do PSDB, soltou Daniel Dantas por acaso? Você se lembra que a cúpula do PT, em especial o mega empresário de fundos de pensão Ricardo Berzoini, nem se pronunciou?

Por mim, se o Daniel Dantas for preso já é o suficiente. Podem até soltar o goleiro Bruno, o Fernandinho Beira-Mar, os chefes do PCC e todo o resto. Eles são meros palhaços de circo de quinta categoria diante do Dantas.

Se você quiser entender o caso Daniel Dantas, veja o pequeno vídeo abaixo. O resumo de tudo é: governantes fazem tráfico de influência sobre operações financeiras e o banqueiro em questão é altamente beneficiado. Em troca das informações privilegiadas, o banqueiro financia a campanha do candidato. Alguém pode perguntar: e daí, onde está o crime?

Suponha dois adolescentes: você e um irmão seu, e ambos estão apaixonados pela mesma garota. Daí o seu pai chega para você e diz assim: olha só, eu posso emprestar o carro hoje para você sair com a fulana; só que tem um porém, amanhã você vai deixar eu dormir com ela por uma noite. Aí você acha isso uma grande sem-vergonhice e não aceita a proposta do seu pai. Daí o seu pai oferece o carro para o seu irmão, e o seu irmão aceita a proposta! E isso acontece com todas as garotas que saem com seu irmão: quem ganha a garota é o irmão, mas o pai tem direito a uma noite de amor. Ou seja, você só se deu mal na história, o seu pai e o seu irmão só se deram bem. E a sua mãe, coitada, foi relegada a quinto plano, porque o seu pai está muito ocupado comendo menininhas.

Vamos lá: você é o banqueiro honesto, que não se deixa levar pelo jogo da corrupção. O seu irmão é o Daniel Dantas. O carro do seu pai são informações privilegiadas. O seu pai é um governante do PT ou do PSDB ou do DEM (partidos que ganharam dinheiros extraordinários do valerioduto de Marcos Valério, o laranja de Daniel Dantas). E a sua mãe somos nós, o povo. Escanteado para o último andar do terraço Itália.

O resumo da ópera é que: Daniel Dantas fez negócio com tanta gente de primeiro escalão que é impossível prendê-lo: ele poderia denunciar todo mundo e acabar com a grande suruba. Se não acredita nisso, por que então afastaram do caso o juiz De Sanctis e o delegado Protogenes?

O que nós podemos fazer quanto a isso? Não muita coisa... O jogo de poder é muito maior do que possamos imaginar. Um paliativo seria não votar em partidos que se envolveram com o grosso da suruba: PSDB, PMDB, PTB, PT, DEM, PRB, PP. Todas as escutas apontam para estes partidos, doa a quem doer. E digo paliativo porque o poder governamental em situações como essas não está nem na mão de Lula, nem de FHC, nem estará na mão da Dilma ou do Serra. Está na mão de quem mais chefiar as menininhas virgens.


Se eu tenho provas? Eu não. Mas o Protogenes da Polícia Federal tem. Pergunta para ele e ele vai falar quem é Daniel Dantas. Ele vai falar que para ganhar eleição nesse país precisa fazer efeitos especiais no horário eleitoral. E efeitos especiais custam caro. E o dinheiro só poderá vir de pessoas que possuam milhões. Ah: em 2008 a revista "The Economist"estimou o patrimônio de Daniel Dantas em 1,5 bilhão de dólares. E ponto final.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para quem quiser assistir ao Festival de Bayreuth

Para ir ao Festival de Bayreuth, na cidade de mesmo nome, na Alemanha, precisa-se reservar os ingressos com sete anos de antecedência.

Para quem não sabe, o Festival de Bayreuth, que está acontecendo agora no período de verão, é um festival dedicado às óperas de Wagner. Talvez o maior festival de ópera do mundo.

Uma das primeiras pessoas a assistir ao primeiro festival em 1876 foi um brasileiro: Pedro de Alcântara Gonzaga. No livro de assinaturas pode-se ver o seu nome e sua profissão: imperador do Brasil. Há até uma curiosidade: no início da carreira de Wagner, quando ainda era pouco conhecido, ele recebeu um convite de Pedro II para reger no Rio de Janeiro.

Bem que o Lula poderia contratar o Pierre Boulez para trabalhar no Brasil...

Atualmente, os ingressos mais caros em Bayreuth estão na faixa dos 300 euros. Nada mal, se pensarmos que para assistir a um show de Madonna em Berlin você vai pagar bem mais que isso. E os ingressos mais baratos estão na faixa dos 15 euros. Coisa que a Madonna não faz!

Para quem quiser saber mais sobre o evento ou quiser reservar ingressos, vá até a página do festival (informações em inglês ou alemão):



Uma palhinha do que pode-se ver por lá, por exemplo, o início do terceiro ato da segunda ópera do ciclo do anel, "A Valquíria" ("Die Walküre"). Provavelmente você irá reconhecer o tema das Valquírias ou da chefe delas, Brünhilde, que denota o trabalho de carregar e introduzir herois valorosos no salão de Valhalla (dos deuses nórdicos). Abaixo.


Gripe A ou Como Ganhar Dinheiro Facilmente com Vacinas


Vamos aos dados:

Organização Mundial de Saúde: Gripe A causou 18.449 mortes em 214 países em 14 meses. Fonte: Site Oficial da OMS.

OMS novamente: Gripe comum causa cerca de 36 mil mortes só nos EUA e 300 mil mortes em todo mundo, por ano. Fonte: Site Oficial da OMS.

A pergunta que não quer calar:

Quanto a ROCHE faturou com a venda do Tamiflu?


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A cruel máfia do instituto IBOPE

Estou eu tranquilo em casa, aqui no Paraná, me aprontando para viajar a São Paulo, quando o telefone toca.

Pesquisa IBOPE.

A pergunta: "Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para governador do Paraná?"

Minha resposta: "Ninguém, meu título não é do Paraná."

Segunda pergunta: "Sejam os candidatos: Beto Richa, Osmar Dias, Amadeu Felipe, Luiz Bergmann e Paulo Samuni; em quem você votaria se a eleição fosse hoje?"

Minha resposta: "Eu já disse: ninguém!"

E o IBOPE pergunta: "Como assim ninguém?"

E respondo: "A Sra. poderia por favor então registrar aí: Voto Nulo?"

IBOPE: "OK. Agora gostaria de lhe perguntar: Você sabia que o candidato do PDT, Osmar Dias, é ligado ao PT e ao MST? Isso lhe dá uma boa impressão do candidato ou uma má impressão?"

Eu, depois de dar uma risadinha em pensamento: "Uma ótima impressão!"

IBOPE: "Você votará nele?"

Eu: "Eu já disse: Voto Nulo!!!!"

IBOPE: "Agora, dentre os candidatos listados, quem você acha que terá maior capacidade de realizar mudanças no Paraná?"

Eu: "Minha cara, nenhum deles realizará mudanças: já existe um planejamento de estado que não pode ser muito alterado. "

Hoje, duas semanas depois, vejo na internet que o IBOPE divulgou a pesquisa: Beto Richa está com 46% e Osmar Dias com 33%.

E quase agora, na hora do almoço, o telefone toca: Beto Richa ligou para mim, agradecendo o apoio! Claro que foi uma mensagem gravada. Mas quem deu o meu telefone para a equipe do Beto Richa fazer esse tipo de invasão na minha casa????

O IBOPE é no mínimo um instituo desconfiável.

Como pode apontar em suas pesquisas que um candidato é ligado ao MST, fazendo assim "propaganda negativa" num Estado que vê o MST como o movimento de Satanás?

Não sou favorável às invasões do MST, mas considero o movimento legítimo e que ao menos levanta perenemente reflexões sobre a reforma agrária entre governantes e sociedade.

Fica aqui portanto o meu repúdio ao IBOPE, instituto programado para criar pesquisas tendenciosas e incutir na cabeça do eleitor conceitos errôneos sobre determinados candidatos.