domingo, 31 de outubro de 2010

Acabei de ver: site do Serra hackeado!

Clique na figura para ver:


No pulo, quando por curiosidade entrei no site da campanha do Serra, para ver se já havia algum reconhecimento da derrota, encontrei o site hackeado.

A frase do hacker era mais ou menos assim: "Dilma sofreu tortura e choque elétrico e sobreviveu; Serra tomou bolinha de papel e teve piti."

Coisas dos tempos modernos... :))

Não vou postar mais nada sobre eleições: vamos ao que realmente interessa!

O youtube é a vitória do anarquismo sobre qualquer sistema de governo. Ele tem suas pequenas censuras, feitas por grandes corporações do áudio-visual, mas no fundo as pessoas dizem o que querem (podem ser processadas em seus países depois por isso), mas terão seus vídeos expostos por no mínimo um certo período de tempo.

Nenhum governo controla o youtube. Tem uma empresa chamada Google que faz isso. Enquanto ela não cobrar dinheiro do usuário, para mim significa a vitória temporária dos sistemas abertos e softwares livres. (Lógico que alguém paga por isso: no youtube há advertisements, mas eu ainda prefiro o sistema de doações, como aquele adotado pelo Ubuntu, empresa fortíssima de distribuição de softwares livres.)

Vamos ao que interessa: a Globo, a Record, o SBT, a Band e por aí vai são todas concessões do governo brasileiro. O youtube, o vimeo, o googlevideos e por aí vai não respondem a ninguém (embora ainda sejam reféns desse sistema inescrupuloso chamado capitalismo financeiro, aquele mesmo que criou as bolhas que detonaram com os EUA e a Europa).

Um exemplo claro do que eu gostaria de ver no futuro do mundo é a orquestra sinfônica do youtube. O youtube fez um vídeo promocional (abaixo) e pessoas do mundo inteiro podem treinar com seus instrumentos musicais, enviar um vídeo e concorrer a uma vaga na orquestra, que fará apresentação pública e ao vivo na Opera House de Sidney em 2011. Portanto, viva essa liberdade responsável que por enquanto ainda temos em redes como o youtube. Notem que a rede é altamente anarquista (não há uma hierarquia clara e você decide quem são os mais vistos e os mais valorizados e você, se quiser, pode doar dinheiro para a rede; a wikipedia, apesar de ainda ser meio falha no conteúdo, é outro exemplo disso que estou falando; há trilhões de outros exemplos).

Na rede ainda existem esses privilégios concedidos a países de língua inglesa e empresas de grande porte. Mas como ela é, mesmo assim, pluralista e há diversas línguas (notem que esse blog é em português), desconfio que a tendência é a desvalorização do inglês por algo que não sei definir ainda (um "internetês"?) e a flexibilização das empresas para atender aos novos paradigmas e se desvencilhar do capitalismo financeiro. Vamos ver o que vai acontecer no futuro, já que as coisas ainda são novas.

Com vocês, a vedete do momento. Que não é, a meu ver, nem Dilma nem Serra.

A vedete do momento: a Orquestra Sinfônica do Youtube:


Dois candidatos bem preparados: mas continuo anarquista de carteirinha

Candidatos bem preparados... Mas cheios de contradições. The last one for Brazilians.



sábado, 30 de outubro de 2010

O Stephen Hawking faz menos força pra bater uma do que o Serra para sorrir

Ennio Morricone - Top 10 compositores do século 20

Certamente o italiano Ennio Morricone entrará na história como um grande compositor do século 20. Pessoalmente o considero um dos 10 mais. Abaixo um tributo. A música se chama "Ecstasy of Gold". Na primeira versão, vocês podem ver o Metallica, isto mesmo, o Metallica interpretando a composição. Na segunda versão, o próprio Ennio Morricone regendo uma orquestra. "Ecstasy of Gold" é uma das músicas que compõem a trilha sonora do filme "The Good, the Bad, the Ugly", obra prima do gênero western do diretor Sergio Leone. Compare as duas versões e escolha a sua favorita.





Para quem gosta de jazz, aí vai outra composição de Morricone: "Rabbia e Tarantella"



Para quem gosta de romantismo, vai gostar, como eu, do tema do "Cinema Paradiso":



Um misto de música religiosa neo-barroca com batuque indígena em "On earth as it is in Heaven":



E por fim, uma cena de "Inglorious Basterds" que usou e abusou de músicas de Ennio Morricone. Aqui é tocada a música "L'Incontro con la Figlia", que possui matizes franceses ("messienicos") modernos altamente sofisticados:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Where is the love?

Uma inteligente amiga, cujo nome do meio é Cristine, com suas ideias interessantes e surpreendentes, fez-me descobrir um grupo que eu nunca tinha parado para ouvir. Por acaso, este grupo veio ao Brasil recentemente. O "Black Eyed Peas". Quando eu ia aos cinemas de Cambridge, via a todo instante advertisements com essa galera, mas nunca tinha parado para prestar atenção nas músicas. Essa história de ser viciado em música erudita me mata às vezes.

Ok, a música que me foi apresentada chama-se "Where is the Love?". Uma batida bem ao som de cultura de massa, mas com uma proposta muito bem intencionada e um refrão muito bonito, com frases questionadoras. O corpo do clipe me atraiu muito porque mostra os integrantes do grupo tomando atitudes "subversivas" como espalhar cartazes com pontos de interrogação desenhados, fugir da perseguição da polícia, entrar nos becos mais inóspitos e utilizar a imagem de crianças para o canto do refrão "Where is the love?".

Where is the love? Ou, onde está o amor?

Mas o que é amor? Eis uma pergunta mais difícil do que "o que é a mecânica quântica"?

A ausência do amor, i.e., o ódio, certamente é bem mais fácil de ser compreendida. O ódio analisado à luz do comportamento religioso é mais ou menos assim: A sociedade ocidental se diz cristã. Uma religião baseada nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, Rex Judaeorum, que disse coisas como "não vos preocupeis com o que haveis de vestir ou comer", ou então "amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem".

O primeiro ensinamento é totalmente descumprido pelos seguidores modernos de Jesus: quando entramos nos shopping centers ou nos malls da vida, só vemos lojas de roupas, restaurantes e lanchonetes. Onde estão as livrarias e os espaços culturais? Digo isso porque o shopping é um dos lugares mais visitados pela população ocidental e a moda em geral é uma das maiores formas de controle das mentes humanas iludidas pelas perenes ondas fashion.

Quanto ao segundo ensinamento, "amar os inimigos", esse certamente é osso duro de roer. Uma sociedade que diz que acredita no amor e explora a África, cria guerras no oriente, retroalimenta favelas na América do Sul e assim por diante, só pode ser altamente hipócrita ou então egoísta. Mas é claro, desculpem-me. Tinha esquecido: eu sei exatamente o que é o amor dos dias atuais: um óleo negro e pesado que brota do fundo da terra e que alimenta os seres dominantes do planeta, id est automóveis (segundo Douglas Adams naquele livro "Guia do Mochileiro das Galáxias"). Esse é o amor que tantos procuram e em nome dele centenas de milhares de inocentes morreram no Iraque.

Bom... Revertendo um pouco na direção do pleito eleitoral brasileiro, se houvesse um amor de fato válido, sem manchas de hipocrisia, não veríamos debates eleitorais tão cheios de denúncias, mentiras e propostas vazias. Ganhar uma eleição seria o acordo entre cavalheiros, onde o mais capacitado, mas ao mesmo tempo menos corrupto sairia vitorioso. (Enfim, no Brasil, fica difícil. Ambos os candidatos atuais são totalmente reféns da máquina do ódio de empreiteiras, banqueiros e mega-investidores do tipo Naji Nahas e da fome de amor tipo pré-sal.)

Onde está o amor?

É algo difícil de encontrar, mas existe, porque eu já vi nuances e se há nuances há corpos inteiros.

O amor em corpo inteiro vi uma vez quando um amigo, de sobrenome Rios, parou o carro para recolher um cachorrinho totalmente ferido e doente. Cuidou do coitado e o deixou totalmente são e ficou tão feliz com isso que me deixou com a pulga atrás da orelha sobre os meus níveis de egoísmo.

Falar de amor está longe de rebaixamentos a bandeiras político-piega-reliogiosas do tipo "Bible Belt". Não é exclusivo de religiões, mas inerente a esse nosso coração tão instável, que sobe a alturas celestiais para depois descer a pesadelos nosferatinos.

Ninguém sabe o que é realmente o amor. Falar dele tem sido uma das maiores banalidades dos últimos dois milênios. Aquela coisa do Lobão de reclamar do "eu ligo o rádio e bláblá, blábláblá eu te amo". Praticá-lo sempre será no mínimo vanguardismo. Mas para praticá-lo há que se exigir o recolhimento de nossas máscaras impetuosas de hipocrisia e rechear todos os nosso atos com a mais pura humildade. Não foi o Bob Marley que disse que o sol é tão humilde que se põe para deixar a lua brilhar?

Let the moon shine!

Atos finais do Der Ring des Nibelungen de Wagner

Superb!

Das Rheingold (O Ouro do Reno)


Die Walküre (A Valquíria)


Siegfried


Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Porque eu voto em Serra.

Vídeo produzido na Universidade de Brasília. Repassado pelo estimado primo Rafael Coimbra, super cabeça do Congresso Nacional.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Entenda os vazamentos na Receita Federal

Todos sabem que no ano passado houve uma série de vazamentos na Receita Federal.

A Polícia Federal investigou e descobriu que um dos vazamentos foi feito pelo próprio PSDB. E os próprios advogados do PSDB se encarregaram de jogar a informação na mídia para que Serra sofresse os menores danos possíveis.

A conclusão final do inquérito da PF foi que o jornalista Amaury Ribeiro Jr., do jornal O Estado de Minas, trabalhava para Aécio Neves à época e pretendia montar um dossiê preventivo como uma forma de se defender de esperados ataques de José Serra.

Ou seja, as quebras de sigilo na Receita Federal foram simplesmente "fogo amigo" do PSDB contra o próprio PSDB. E agora vamos ver a reação de Aécio. Provavelmente negará tudo... Já o Serra, não tenho ideia alguma do que ele vai fazer.

domingo, 17 de outubro de 2010

Últimas mentiras de José Serra

Não se iludam: toda campanha tem um caixa 2. Horrível essa prática que confere a podridão do toma-lá-dá-cá durante os governos de diversas legendas! Se vocês não se lembram, Collor sofreu impeachment exatamente por causa disso.

Paulo Preto roubou 4 milhões do caixa 2 da campanha do Serra.

Interpelado, Serra disse: "Não conheço nenhum Paulo Preto". (Seg 11/10)

Na terça (12/10) Serra disse: "As acusações contra Paulo Preto são injustas".

Hoje, a Folha mostrou que a filha de Paulo Preto foi contratada como cargo de confiança no gabinete do governador Serra. Nada contra: pode ser uma funcionária eficiente. No entanto, o que está em questão aqui é a mentira. Conhece ou não conhece? Por que mentiu após o debate da Bandeirantes então?

sábado, 16 de outubro de 2010

Maior cientista brasileiro declara apoio a Dilma Rousseff

Por Luiz Carlos Azenha


Entrevistei pela primeira vez o dr. Miguel Nicolelis quando era repórter da Globo. Ele é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. Tratamos, então, do uso de impulsos elétricos capturados no cérebro de um macaco para mover braços mecânicos, pesquisa que ele desenvolveu na Universidade de Duke, nos Estados Unidos. O potencial desse tipo de pesquisa é tremendo: permitir que paraplégicos façam movimentos com o uso de impulsos elétricos do próprio cérebro, por exemplo.

Desde então, o cientista implantou em Natal, no Rio Grande do Norte, o Instituto Internacional de Neurociência, uma parceria público-privada. E continua coletando prêmios nos Estados Unidos, alguns dos quais anunciados recentemente:

Setembro 2010
Miguel Nicolelis recebe outro prêmio científico dos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A.

Dois meses depois de ter recebido dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos US$2,5 milhões para investir em suas pesquisas no campo da interface cérebro-máquina, Miguel Nicolelis volta a ser distinguido com um prêmio de aproximadamente US$4 milhões da mesma instituição. Os recursos devem ser aplicados no desenvolvimento da nova terapia para o mal de Parkinson que vem mobilizando o pesquisador há alguns anos e que, na avaliação dos NIH, se constitui numa pesquisa “arrojada, criativa e de alto impacto”. Miguel Nicolelis é a primeira pessoa a receber da instituição americana no mesmo ano o Director’s Pioneer Award e o Director’s Transformative R01 Award.

*****

Hoje liguei para a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, quando soube por e-mail que Nicolelis tinha decidido anunciar publicamente seu apoio à candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.

Ele afirmou que faz isso por acreditar que Dilma representa um projeto de país em linha com o que acredita ser desejável para o Brasil: o desenvolvimento de uma “ciência tropical” e de um conhecimento voltado para garantir a soberania nacional. O áudio e a transcrição aparecem abaixo:



Transcrição:

Por que é que o sr. decidiu anunciar publicamente seu apoio à candidata Dilma Rousseff?

Porque desde as eleições do primeiro turno eu cheguei à conclusão que essa é uma eleição vital para o futuro do Brasil e eu estou vendo um debate que está se desviando das questões fundamentais na construção desse futuro e dessa maneira eu achei que como cientista brasileiro, mesmo estando radicado no Exterior — mas que tem um projeto no Brasil e tem interesse que o Brasil continue seguindo este caminho — eu achei que era fundamental não só que eu mas que todos que pudessem se manifestassem a favor e fizessem uma opção pelo futuro que a gente acredita que é o correto para o nosso país.

Que futuro é esse?

É o futuro da inclusão social, o futuro em que as crianças que ainda nem nasceram possam ter a educação, saúde, ciência, tecnologia e a possibilidade de construir os seus sonhos pessoais sejam eles quais forem. Futuro que nós, a sua e a minha geração não tiveram. E um futuro que não leve o Brasil a retornar a um passado recente onde nós tinhamos, além da insegurança financeira, uma total falta de compromisso com o povo brasileiro e com a coisa brasileira. Então, nesse momento para mim essa é uma eleição vital, é um momento histórico para o Brasil. Eu viajo pelo mundo inteiro e eu nunca vi o nome do Brasil e a reputação do Brasil tão alta (inaudível) e este é o momento de deslanchar de vez e não voltar para o passado.

Fale um pouquinho do projeto que o sr. tem em Natal pra gente e da importância que o sr. acredita que o governo Lula teve — eu já li muito o que o sr. escreveu a respeito — para que esse projeto fosse implantado.

Nosso projeto é o primeiro projeto no mundo que usa a ciência como agente de transformação social – ciência de ponta.

Quando, oito anos atrás, comecei esse projeto… fui a São Paulo, me disseram que não havia esperança de fazer nada igual fora de São Paulo, porque 80% da produção científica do Brasil está concentrada no estado de São Paulo.Eu usei isso como um diagnóstico dos erros passados, porque um país que quer se desenvolver como uma federação e que quer oferecer cidadania ao seu povo não pode concentrar a produção de conhecimento de ponta e a disseminação de conhecimento de ponta num único estado da União.

E aí eu propus de levar esse projeto de ponta — que é fazer neurociência como se faz em qualquer lugar do mundo, em lugares que são, que tem a dianteira da fronteira dessa área no mundo — na periferia de Natal, usando essa ciência para desenvolver uma série de projetos sociais que permitem que a criança tenha um projeto educacional desde a barriga da mãe — que faz o pré-natal dentro de nosso campus do cérebro — até a pós-graduação na universidade pública.

E o primeiro grande parceiro desse projeto foi o governo federal, foi o presidente Lula e a seguir quem eu considero o maior ministro da Educação que o Brasil jamais teve, dr. Fernando Haddad, que transformou não só as políticas públicas mas o pensar do Brasil em educação, concluindo e chegando à conclusão que toda criança brasileira tem direito a perseguir seus sonhos intelectuais e não só ser abandonada em alguma escola técnica para servir ao mercado de trabalho. Que ela pode ser física, química, bióloga. É isso o que nós fazemos.

Nós criamos um projeto de educação científica que é principalmente um projeto de educação para cidadãos, que vão lá no turno oposto da rede pública, são mil crianças no Rio Grande do Norte, 400 crianças no interior da Bahia — na terceira escola que nós acabamos de abrir — e nós vamos ampliar isso para 2 mil crianças no ano que vem e se tudo der certo para 4 mil crianças em 2012. E esse projeto só foi possível porque o Ministério da Educação e o governo federal acreditam, como a gente, que essas crianças da periferia de Natal, do interior da Bahia, do sertão do Piauí, do Amazonas, de Roraima, também tem direito à educação de altíssimo nível e a perseguir seus sonhos intelectuais.

E como é que isso se conecta com a campanha de Dilma Rousseff?

Essa é uma visão de país onde a cidadania é levada a todos os brasileiros, onde todos os brasileiros tem a oportunidade de acesso ao conhecimento e à informação para fazerem e tomarem decisões por si mesmos, de acordo com a sua própria visão do mundo. Eu acredito que a candidatura da ministra Dilma possibilita viabilizar esse futuro para o Brasil e a candidatura oposta, a candidatura do partido de oposição, ela basicamente não tem mensagem alguma para o resto do Brasil, ela tem mensagem para a sua audiência, que é restrita, na minha opinião, ao estado de São Paulo e talvez até a cidade de São Paulo, não existe projeto de Brasil na outra candidatura. Enquanto a futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tem um projeto de Nação que é o que sempre faltou para o nosso país. Nós sempre tivemos projetos de alcançar o poder e nunca um projeto de Nação. E o que o presidente Lula fez que foi colocar o Brasil nesse caminho, só pode ser, na minha opinião, continuado, com as políticas públicas que a ministra Dilma tem proposto e que eu acredito vai dar continuidade. Se nós não tivermos essa disposição de ter um projeto de Nação, se nós optarmos como país pela outra proposta, eu temo que infelizmente o Brasil vai perder sua chance histórica de se transformar no país que todos nós queremos ter.

Dr. Nicolelis, qual é a importância do conhecimento que o sr. está transferindo — o sr. está em Duke, agora?

Estou aqui em meu laboratório da Duke [University, na Carolina do Norte] nesse momento, mas quarta-feira já estou viajando para o Brasil, para Natal, onde nós montamos um centro de pesquisas de ponta, de neurociências. Nós estamos transferindo conhecimento, inovação, do mundo todo… Nós estamos a ponto de receber o que vai ser um dos mais velozes supercomputadores do Hemisfério Sul, doado pelo governo da Suiça, um dos maiores centros de tecnologia do mundo – a Escola Politécnica de Lausanne, que fechou um convênio com nosso instituto de cooperação internacional – então nós estamos criando em Natal, na periferia de Natal, num dos distritos educacionais mais miseráveis do país, um centro de disseminação de conhecimento de ponta que está transformando não só a neurociência brasileira como a forma de educar as crianças e a forma de trazer as mães destas crianças para dentro de um projeto de inclusão e de cidadania.

Nós estamos construindo lá o primeiro campus do cérebro do mundo, não existe nada igual em nenhum lugar do mundo. E quando o governo suiço veio visitar as obras, veio ver o que nós estávamos fazendo, eles ficaram completamente encantados. Então, eles decidiram fechar um acordo de colaboração conosco ao mesmo tempo em que eles estão fechando um acordo com a [Universidade de] Harvard. Ou seja, nós ficamos em pé de igualdade com a maior universidade do mundo pela inovação da proposta que nós temos na periferia de Natal, provando que em qualquer lugar do Brasil algo desse porte pode ser feito.

Dr. Nicolelis, além do governo federal e agora do governo da Suiça, existem outras entidades ou instituições privadas colaborando com esse projeto?

Ah sim, este é um projeto privado. Mais de dois terços dos nossos fundos e do nosso suporte financeiro vem de doações privadas de brasileiros que moram fora, no Exterior, de fundações europeias, americanas, nós temos parcerias — inúmeras — pelo mundo afora e a beleza disso é que para cada real investido pelo governo federal nós conseguimos coletar quase três reais privados no Exterior e mesmo dentro do Brasil — o hospital Sírio Libanês, por exemplo, é um de nossos parceiros, a Fundação Lily Safra, da brasileira Lily Safra, é uma outra parceira. Nós conseguimos captar para cada real investido publicamente quase três reais privados, mostrando que é possível, sim, realizar parcerias público-privadas que tenham um fundo e um escopo social tão grande quanto este projeto.

Dr. Nicolelis, qual é a importância de o Brasil desenvolver as suas próprias tecnologias em conjunto com universidades de outros países para a soberania nacional e para a capacidade do país inclusive de reduzir a importação de equipamento fabricado fora do Brasil?

Ah, sem dúvida, eu acho que a Petrobras é o grande exemplo, a Petrobras e a Embraer. Nós precisamos de Googles, Microsofts, IBMs brasileiras. Nós precisamos transferir o conhecimento de ponta gerado pelas nossas universidades e pelos nossos cientistas — e o Brasil tem um exército de fenomenais cientistas dentro do Brasil e espalhados pelo mundo que estão dispostos, como eu, a colaborar com o Brasil. Nós temos que criar uma indústria do conhecimento brasileira. É uma questão de soberania nacional. A questão que me chamou a atenção agora, no começo da campanha do segundo turno, a questão da Petrobras, ela se aplica à indústria do conhecimento, que vai ser a indústria hegemônica na minha opinião, no século 21, que pode vir a ser o século do Brasil.

Mas, para isso, nós temos que investir no talento humano. Nós temos que criar formas dessa molecada — como as nossas crianças de Natal — de se transformar em cientistas, inventores, de uma maneira muito mais rápida e ágil do que as formas tradicionais que requerem todo esse cartório até você receber um doutorado e ser reconhecido oficialmente como cientista. Eu estou encontrando crianças no nosso projeto, por exemplo, de 17, 18 anos, que estão sendo integradas às nossas linhas de pesquisa antes mesmo delas entrarem na universidade, porque elas tem o talento científico, talento de investigação, curiosidade e que podem dar frutos muito mais rápidos do que a minha geração deu para o país.

Mas este investimento que pode ser feito com os fundos que vão vir do Fundo Social do Pré-Sal tem que ser feitos para revolucionar a ciência brasileira e criar uma coisa que eu gosto de chamar de “ciência tropical”, que é a ciência do século 21, aplicada às grandes questões da Humanidade — energia, ambiente, suplemento de comida, suplemento de água, novas formas de disseminação democrática da informação — tudo isso faz parte do escopo dessa “ciência tropical” em que o Brasil tem condições plenas de ser, se não o líder, um dos grandes líderes deste século.

Dr. Nicolelis, onde que está aí o nexo entre o que o sr. acabou de dizer, que o sr. mencionou, e a riqueza da biodiversidade brasileira, que ainda não é explorada?

Nós nem sabemos o que nós temos, Azenha. Nós nem tivemos a chance de mapear essa riqueza. Todo mundo fala dela mas ninguém pode dar uma dimensão. Então, esse discurso que eu ouço, ambientalista, superficial, que foi caracterizado no primeiro turno, inclusive, da eleição, ele não serve para nada, porque ele não aprofunda nas questões vitais.

As questões vitais é que a soberania do Brasil também depende de investimentos estratégicos no mapeamento das riquezas que nós temos, do que pode ser feito para o povo brasileiro em termos de novos medicamentos, novas fontes alimentares, novas fontes de energia. Existem dezenas de sementes oleaginosas do semi-árido que são não-comestíveis, que são muito mais eficientes na produção de óleo do que a mamona, por exemplo, que poderiam ser usadas em projetos de parceria de cooperativa no interior da caatinga do Brasil, para se produzir óleo biocombustível para trator, caminhão, que aliviariam tremendamente os custos da produção alimentar, familiar, nessa região do Brasil.

Isso precisa ser explorado, precisa ser mapeado com investimentos em pesquisa básica, em estudos de genômica funcional dessas plantas, tentar entender porque elas conseguem produzir esses óleos de alto valor energético e tentar transferir isso para a economia do Brasil. Existe toda uma economia que pode ser altamente sustentável, que pode preservar muito melhor o ambiente do que nós estamos fazendo até hoje e que pode servir de retorno em empregos e conhecimento que ampliariam ainda mais a matriz renovável energética brasileira.

Então, são coisas que estão na nossa cara e que eu acho que só uma política voltada para o Brasil, uma política que dê continuidade ao que o presidente Lula iniciou nestes oito anos, vai ter condições de manter dentro do Brasil. Porque existem evidentemente interesses enormes nessas riquezas nacionais, existe um interesse enorme nos cérebros brasileiros que estão desenvolvendo essas ideias e nós temos que manter isso de uma maneira agregada ao Brasil e não simplesmente dar isso de mão beijada para o primeiro que bater na porta com uma oferta ridícula de privatização ou da venda de nosso patrimônio intelectual para fora do Brasil.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vou parar de ficar calado e dizer logo: "Serra é um grande hipócrita!"

Veja a seguinte matéria do Correio do Brasil, que entrevista ex-alunas de Mônica Serra (esposa do presidenciável José Serra). Na entrevista as alunas afirmam saber que Mônica Serra teria cometido um aborto e são solidárias à atitude da ex-professora.

Clique aqui para ver.

Ou seja, a relevância da matéria não é a difamação à conduta da esposa de Serra ou de qualquer pessoa que cometa o aborto, mas sim a reflexão sobre a palavra HIPOCRISIA. Se tudo isto for verdade, José Serra é um grande hipócrita e perdeu todo o meu respeito.

Oficialmente, alguns santinhos do Serra têm a frase "Jesus é a verdade e a justiça", como pode ser visto acima. Quando vi a foto, achei que fosse uma montagem e andei bisbilhotando na internet até descobrir que realmente o santinho é esse. Quando o Serra e sua equipe irão aprender que o estado é laico? Veja na postagem anterior o vídeo onde Obama esclarece o que é um estado laico.

domingo, 10 de outubro de 2010

Serra: um homem de palavra

Recado de José Serra a seus eleitores

No vídeo abaixo, José Serra diz a seus eleitores o que eles devem fazer na hora de votar, em frente à urna eletrônica, em 2010.

Tropa de Elite 2

Eu já estava preparando um texto, quando li o sítio do Pablo Villaça. Tirou as palavras da minha boca. E bem escrita a resenha. Excertos da crítica de Pablo Villaça (http://www.cinemaemcena.com.br) -> 5 estrelas

Dirigido por José Padilha. Com: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Tainá Müller, André Mattos, Bruno D’Elia, Maria Ribeiro, Pedro Van Held, Sandro Rocha. Roteiro: Bráulio Mantovani.

Embora Tropa de Elite seja um filme inegavelmente eficiente, há algo mais por trás de seu sucesso e do verdadeiro modismo que inspirou através das repetições de vários de seus diálogos: estabelecendo o capitão Nascimento como um ícone da luta contra o crime (algo que comentei em meu texto sobre o longa ao lamentar a percepção equivocada que muitos tiveram acerca do personagem ao encará-lo como “heróico”), aquela obra de José Padilha tocou num nervo exposto da sociedade brasileira, que, farta de viver sob o medo constante diante dos criminosos, encarou as ações violentas de Nascimento de forma quase catártica, como um símbolo da reação do “bem” contra o “mal”. Neste sentido, o plano final de Tropa de Elite servia, como argumentei na época, como um espelho erguido diante do espectador, que era obrigado a avaliar seus próprios sentimentos acerca da execução a sangue frio do traficante Baiano.

Pois Tropa de Elite 2 traz o agora coronel Nascimento (Moura) enfrentando, como aponta o subtítulo do projeto, um outro inimigo – e que igualmente pressiona outro nervo do brasileiro: a política. Depois de comandar uma operação mal sucedida em Bangu I que resulta num massacre, Nascimento se torna um problema para o governador do Rio de Janeiro: por um lado, é exonerado para aplacar a mídia; por outro, é promovido a subsecretário de segurança para respeitar a vontade de uma elite estúpida que, formadora de opinião e lixando-se para os direitos humanos alheios, aplaude de pé (literalmente, como revela a cena no restaurante) as atitudes do sujeito. Depois de aparelhar o BOPE e transformá-lo numa verdadeira máquina de guerra, o coronel interrompe o tráfico na cidade, mas, sem saber, propicia a ascensão de uma milícia nascida dentro da PM que, explorando o vácuo de poder, aterroriza as favelas para extorquir seus habitantes, transformando-as também em autênticos currais eleitorais. Sem perceber o que está acontecendo, Nascimento se vê atormentado por problemas pessoais e pela pressão exercida por um político de esquerda, o deputado Fraga (Santos), cuja visão idealista acerca dos direitos humanos freqüentemente gera embaraços para a polícia.

Mantendo-se a mesma criatura cruel e sanguinária que conhecemos anteriormente, o coronel Nascimento desta vez tem sua natureza implacável exposta de forma mais óbvia por Padilha, que, talvez em função da controvérsia gerada pelo original (que levou muitos comentaristas desatentos a classificarem o diretor do incrivelmente humano Ônibus 174 como “fascista”), deixa clara a culpa do BOPE na ação desastrada que abre o filme – e mesmo que o protagonista insista em se referir a Fraga como “intelectualzinho de esquerda”, a revolta do deputado diante da matança promovida pelos homens de Nascimento é retratada com paixão e integridade por seu intérprete e encarada com respeito pelo longa. Em contrapartida, sempre através da mesma narração em off que o humanizou no original (e sem a qual, escrevi na ocasião, ele seria visto pelo público como um monstro), Nascimento apresenta suas motivações e seu senso de justiça de forma articulada, apresentando-se para o espectador como um homem complexo que pode até não gostar de agir com violência, mas acredita honestamente ser obrigado a abraçá-la em prol da sociedade que é pago para defender – uma filosofia de trabalho que seu antigo aprendiz, o agora capitão Mathias (Ramiro), passou a seguir com vigor.

Neste aspecto, a pergunta que Tropa de Elite 2 insiste apropriadamente em apresentar é: afinal, figuras como Nascimento e Mathias são um mal necessário? Sim, vivemos numa guerra interminável – como provam os arrastões que ocorreram no Rio de Janeiro na última semana e as ações cada mais audaciosas dos bandidos em São Paulo -, mas a escalada da violência promovida pela polícia seria algo construtivo (resposta: violência, por definição, nunca é algo construtivo) ou apenas serviria para piorar o quadro geral? Se somarmos a isto a inoperância do Estado e os interesses obscuros da mídia (em certo momento da projeção, um jornal se recusa a publicar uma matéria para não prejudicar o governo “parceiro”), a impressão final é a de que estamos realmente nas mãos de indivíduos incapazes e/ou corrompidos até a alma que se preocupam apenas com seus próprios e imediatos objetivos. Porém, como também defende o roteiro – e com maturidade -, a solução não reside numa revolta adolescente do tipo “Nenhum político presta! Vamos votar no Tiririca!”, já que, queiramos ou não, a solução final (sem trocadilhos nazistas) passa inevitavelmente pela política. E que há bons quadros merecedores de nossos votos e dispostos a lutar pelos interesses da população não restam dúvidas – basta buscarmos informações confiáveis antes de nos colocarmos diante da urna eletrônica.

Mais uma vez comprovando seu imenso talento para conduzir seqüências de ação, José Padilha mantém a narrativa sempre fluida e confere imensa energia e uma tensão palpável aos confrontos físicos e verbais entre os personagens, sendo auxiliado na tarefa pela fotografia do ótimo Lula Carvalho, que traz realismo e urgência à narrativa, e pelo excepcional montador Daniel Rezende, que aqui também assume a direção de segunda unidade do longa. Da mesma maneira, o design de som mais uma vez merece destaque ao evocar toda a intensidade dos combates armados, ao passo que a trilha instrumental de Pedro Bromfman ajuda a estabelecer a atmosfera tensa sem recair em clichês.

Contando com sua parcela de frases marcantes que certamente serão repetidas à exaustão pelos fãs do filme (minha favorita é a cínica “Vamos dar saco de bombom pros vagabundos!”), Tropa de Elite 2 talvez demonstre a coragem e a integridade dos realizadores na abordagem de uma questão tão complicada ao colocar nos lábios do coronel Nascimento uma fala breve, mas capaz de despertar uma polêmica infindável que merece, no entanto, ganhar as ruas: “A PM do Rio tem que acabar”. Se este é um diagnóstico apropriado, uma alternativa viável ou mesmo uma peça da solução (e vale lembrar sempre que um dos responsáveis pelo projeto e pelo argumento é o ex-BOPE Rodrigo Pimentel), é algo que só poderemos concluir através de um amplo debate, mas o fato de trazer uma afirmativa como esta em seu clímax é a prova suficiente de que, embora continuação de uma produção de sucesso, o filme tem aspirações muito mais nobres do que apenas arrancar mais alguns trocados do público – e, só por esta razão, já mereceria respeito.

(Por Pablo Villaça, do Cinema em Cena)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando universitários fogem da universidade...

Eu sei que esta postagem terá cara de desabafo. E não deixa de ser um.

Na próxima segunda-feira, 11/10, farei uma visita ao INPE para conhecer as instalações do CPTEC e o seu novo supercomputador, maior máquina de previsão de tempo/clima em solo brasileiro.

Uma vaga para a visita é concorridíssima e penei para consegui-la. Além disso consegui 45 vagas e selecionei alguns alunos da UFPR para preenchê-las. Também selecionei os respectivos suplentes.

No início do semestre fiz uma lista de todos aqueles que se interessariam pela visita. Na lista havia mais do que 60 nomes.

Durante a semana, o ônibus da universidade quebrou. Não havia ônibus para substituir e ninguém da universidade se dispôs a buscar um novo ônibus para mim.

Resultado: fui eu mesmo atrás de um novo ônibus, de empresa de turismo. Os encargos recaíram sobre a universidade é claro.

E os universitários que se propuseram a ir? Fugiram... Restaram 25 nobres, que agora estão na minha top list de alunos notáveis.

E por que fugiram? Ninguém ainda sabe ao certo. Correm boatos (mas não os levem a sério, são apenas boatos), que boa parte vai para um show de música sertaneja numa Expo da vida. Outros desistiram por outros motivos que nunca saberei.

Enfim. A cada dia que passa ouço mais jovens querendo entrar na universidade não pela oportunidade de aprender uma profissão, mas pelas festas que a universidade oferece, pelas baladas, pelos shows, pela bebedeira, pelos meninos e pelas meninas. Chegou-se ao cúmulo de algo chamado "Bailão Universitário" ou "Arena Universitária Sertaneja" ou "Sertanejo Universitário". Há algum tempo atrás, universitários considerariam isso uma aberração, uma vergonha.

Não vou ser assim tão crítico. No fundo tudo isso é importante, a diversão. Mas deveria ser colocada em terceiro ou quarto plano da vida universitária. Quando é colocada em primeiro plano, e é o que geralmente ocorre, pouco se estuda, pouco se lê, pouco se discute e pouco se aprende. A universidade não cresce culturalmente e academicamente como deveria. E claro, no final, haverá um diploma e um profissional incapacitado e um Brasil que está longe de ter alguma universidade entre as 200 melhores do mundo.

O Brasil visto da Europa

O Brasil visto da Europa é um país lindo, de gente simpática, onde todo mundo que se preza gosta de futebol e onde existem as mulheres mais fogosas do planeta. E só. Alguns ouviram falar que aqui tem petróleo graças ao Lula. E só isso.

Uma vez, na Austrália, uma senhora de Cingapura me disse que nunca havia ouvido falar do meu país. Quando mostrei uma foto de Ronaldo ("Fenômeno") na internet, ela reconheceu o país e simplesmente disse: "Ah! Futebol!". Isso mesmo, ao menos essa senhora de Cingapura
conhecia o nosso país pelo nome "Futebol, o país do Ronaldo".

Espanhois e italianos todos os dias desembarcam no país em busca das mulheres fogosas.

Em Fortaleza, Ceará, por exemplo, vi com meus próprios olhos, como jovens italianos abordam menores prostituídas.

E enquanto isso, o Dr. Miguel Nicolelis recebe um dos maiores prêmios da área de neurociência. E ninguém ouviu falar disso, nem mesmo nós brasileiros, que aqui ficamos extremamente preocupados se o Tiririca é ou não analfabeto.

Se o Tiririca é um caso para deixar alguns tristes, o Nicolelis é alguém que me deixa feliz. Por isso estou mais feliz do que triste com o nosso país de simpáticas damas e cavalheiros e sol irradiante.