sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando universitários fogem da universidade...

Eu sei que esta postagem terá cara de desabafo. E não deixa de ser um.

Na próxima segunda-feira, 11/10, farei uma visita ao INPE para conhecer as instalações do CPTEC e o seu novo supercomputador, maior máquina de previsão de tempo/clima em solo brasileiro.

Uma vaga para a visita é concorridíssima e penei para consegui-la. Além disso consegui 45 vagas e selecionei alguns alunos da UFPR para preenchê-las. Também selecionei os respectivos suplentes.

No início do semestre fiz uma lista de todos aqueles que se interessariam pela visita. Na lista havia mais do que 60 nomes.

Durante a semana, o ônibus da universidade quebrou. Não havia ônibus para substituir e ninguém da universidade se dispôs a buscar um novo ônibus para mim.

Resultado: fui eu mesmo atrás de um novo ônibus, de empresa de turismo. Os encargos recaíram sobre a universidade é claro.

E os universitários que se propuseram a ir? Fugiram... Restaram 25 nobres, que agora estão na minha top list de alunos notáveis.

E por que fugiram? Ninguém ainda sabe ao certo. Correm boatos (mas não os levem a sério, são apenas boatos), que boa parte vai para um show de música sertaneja numa Expo da vida. Outros desistiram por outros motivos que nunca saberei.

Enfim. A cada dia que passa ouço mais jovens querendo entrar na universidade não pela oportunidade de aprender uma profissão, mas pelas festas que a universidade oferece, pelas baladas, pelos shows, pela bebedeira, pelos meninos e pelas meninas. Chegou-se ao cúmulo de algo chamado "Bailão Universitário" ou "Arena Universitária Sertaneja" ou "Sertanejo Universitário". Há algum tempo atrás, universitários considerariam isso uma aberração, uma vergonha.

Não vou ser assim tão crítico. No fundo tudo isso é importante, a diversão. Mas deveria ser colocada em terceiro ou quarto plano da vida universitária. Quando é colocada em primeiro plano, e é o que geralmente ocorre, pouco se estuda, pouco se lê, pouco se discute e pouco se aprende. A universidade não cresce culturalmente e academicamente como deveria. E claro, no final, haverá um diploma e um profissional incapacitado e um Brasil que está longe de ter alguma universidade entre as 200 melhores do mundo.

2 comentários:

  1. Olá Carlos. Sou um frequentador antigo do seu blog.
    Conheci através de Mizinho (Josemyr) que me recomendou. Também criei um só que mais focado no mercado financeiro. Peço que visite-o.

    Se quiser posso lhe dar acesso moderador para sempre que quiser, poste algo por lá também.

    Pode ser um resumo do que foi publicado no seu blog. Fique a vontade para atrair os leitores do meu blog para o seu.

    O endereço é: http://lucsaguiar.webs.com/apps/blog/

    Um grande abraço,
    Lucas Aguiar

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  2. Bem professor, quero deixar aqui a minha profunda admiração pelo senhor e acredito que seja um dos melhores professores que nossa universidade dispõe e sou uma leitora assídua de seu blog.
    É realmente indignante essa situação, onde os acadêmicos pensam que universidade é só festa.
    Fui uma das escolhidas para a viajem e realmente queria ir, mas tive problemas pessoais que me impossibilitaram ;/
    Faço parte de um grupo de estudos que não tem muitos membros, quando convido alguém para participar dele a única coisa que lhes interessa são as horas formativas. Isso me deixa profundamente chateada, porque o conhecimento deveria vir em primeiro lugar, poxa, são muitas ideias que surgem em GEs.
    Sabe o que é mais indignante? Conheço acadêmicos que nem sabem para que servem seus cursos. Fizeram vestibular justamente pela concorrência ter sido mínimae até mesmo pelas festas.
    Tá que para alunos mais interessados isso seria até bom, a concorrência no mercado será menor para alguém mais preparado, mas mesmo assim fico profundamente chateada com esses meus colegas que não sabem sobre o curso e não fazem o mínimo esforço para aprender sobre ele.

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