terça-feira, 26 de outubro de 2010

Where is the love?

Uma inteligente amiga, cujo nome do meio é Cristine, com suas ideias interessantes e surpreendentes, fez-me descobrir um grupo que eu nunca tinha parado para ouvir. Por acaso, este grupo veio ao Brasil recentemente. O "Black Eyed Peas". Quando eu ia aos cinemas de Cambridge, via a todo instante advertisements com essa galera, mas nunca tinha parado para prestar atenção nas músicas. Essa história de ser viciado em música erudita me mata às vezes.

Ok, a música que me foi apresentada chama-se "Where is the Love?". Uma batida bem ao som de cultura de massa, mas com uma proposta muito bem intencionada e um refrão muito bonito, com frases questionadoras. O corpo do clipe me atraiu muito porque mostra os integrantes do grupo tomando atitudes "subversivas" como espalhar cartazes com pontos de interrogação desenhados, fugir da perseguição da polícia, entrar nos becos mais inóspitos e utilizar a imagem de crianças para o canto do refrão "Where is the love?".

Where is the love? Ou, onde está o amor?

Mas o que é amor? Eis uma pergunta mais difícil do que "o que é a mecânica quântica"?

A ausência do amor, i.e., o ódio, certamente é bem mais fácil de ser compreendida. O ódio analisado à luz do comportamento religioso é mais ou menos assim: A sociedade ocidental se diz cristã. Uma religião baseada nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, Rex Judaeorum, que disse coisas como "não vos preocupeis com o que haveis de vestir ou comer", ou então "amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem".

O primeiro ensinamento é totalmente descumprido pelos seguidores modernos de Jesus: quando entramos nos shopping centers ou nos malls da vida, só vemos lojas de roupas, restaurantes e lanchonetes. Onde estão as livrarias e os espaços culturais? Digo isso porque o shopping é um dos lugares mais visitados pela população ocidental e a moda em geral é uma das maiores formas de controle das mentes humanas iludidas pelas perenes ondas fashion.

Quanto ao segundo ensinamento, "amar os inimigos", esse certamente é osso duro de roer. Uma sociedade que diz que acredita no amor e explora a África, cria guerras no oriente, retroalimenta favelas na América do Sul e assim por diante, só pode ser altamente hipócrita ou então egoísta. Mas é claro, desculpem-me. Tinha esquecido: eu sei exatamente o que é o amor dos dias atuais: um óleo negro e pesado que brota do fundo da terra e que alimenta os seres dominantes do planeta, id est automóveis (segundo Douglas Adams naquele livro "Guia do Mochileiro das Galáxias"). Esse é o amor que tantos procuram e em nome dele centenas de milhares de inocentes morreram no Iraque.

Bom... Revertendo um pouco na direção do pleito eleitoral brasileiro, se houvesse um amor de fato válido, sem manchas de hipocrisia, não veríamos debates eleitorais tão cheios de denúncias, mentiras e propostas vazias. Ganhar uma eleição seria o acordo entre cavalheiros, onde o mais capacitado, mas ao mesmo tempo menos corrupto sairia vitorioso. (Enfim, no Brasil, fica difícil. Ambos os candidatos atuais são totalmente reféns da máquina do ódio de empreiteiras, banqueiros e mega-investidores do tipo Naji Nahas e da fome de amor tipo pré-sal.)

Onde está o amor?

É algo difícil de encontrar, mas existe, porque eu já vi nuances e se há nuances há corpos inteiros.

O amor em corpo inteiro vi uma vez quando um amigo, de sobrenome Rios, parou o carro para recolher um cachorrinho totalmente ferido e doente. Cuidou do coitado e o deixou totalmente são e ficou tão feliz com isso que me deixou com a pulga atrás da orelha sobre os meus níveis de egoísmo.

Falar de amor está longe de rebaixamentos a bandeiras político-piega-reliogiosas do tipo "Bible Belt". Não é exclusivo de religiões, mas inerente a esse nosso coração tão instável, que sobe a alturas celestiais para depois descer a pesadelos nosferatinos.

Ninguém sabe o que é realmente o amor. Falar dele tem sido uma das maiores banalidades dos últimos dois milênios. Aquela coisa do Lobão de reclamar do "eu ligo o rádio e bláblá, blábláblá eu te amo". Praticá-lo sempre será no mínimo vanguardismo. Mas para praticá-lo há que se exigir o recolhimento de nossas máscaras impetuosas de hipocrisia e rechear todos os nosso atos com a mais pura humildade. Não foi o Bob Marley que disse que o sol é tão humilde que se põe para deixar a lua brilhar?

Let the moon shine!

9 comentários:

  1. Segundo Peanuts:

    - Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
    - Em 1987 meu pai tinha um carro azul
    - Mas o que isso tem a ver com amor?
    - Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
    ...acho que isso é amor

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  2. "Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro" - Mary Ann, 4 anos

    ...humanos não tem rabo nem lambe sua cara, deve ser por isso que não sabem o que é o amor...

    P.S. I Love You

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  3. Nossa Carlos,
    Excelente texto. Vou colocar lá no blog, mas queria tua autorização.
    Abraços. Tas.

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  4. Profe. Muito lindo o texto.
    Parabéns!!!!

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  5. Amor é fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói, e não se sente;
    é um contentamento descontente,
    é dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    é um andar solitário entre a gente;
    é nunca contentar-se de contente;
    é um cuidar que ganha em se perder.

    É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    nos corações humanos amizade,
    se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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  6. que a fudê!!!

    te adoro Carlos!
    ana cláudia

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  7. Obrigado a todos pelos comentários. Fiquei realmente surpreso pela intervenção do Tas. E que o entendimento do que é o verdadeiro amor possa ajudar nosso espírito humano a quebrar as barreiras do preconceito e da desigualdade.

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  8. Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia
    e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
    Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
    Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
    Chega na hora certa, fala as coisas certas,
    faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
    Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
    A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
    A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
    que é pra na hora que vocês se encontrarem
    a entrega ser muito mais verdadeira.
    A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
    Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
    Essa pessoa vai tirar seu sono.
    Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
    Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
    Vai estar o tempo todo pensando em você.
    A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
    porque a vida não é certa.
    Nada aqui é certo!
    O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
    querendo,conseguindo...
    E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
    Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
    gente. - Luis Fernando Verissimo

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