sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Encho a cara, tomo drogas, mas sou careta"

O que está escrito abaixo são reflexões sobre a juventude brasileira.

Nos anos 70, ser careta era pensar quadrado e não consumir drogas. Fumo e alcool nem pensar. O careta autêntico era o virgem, aquele que nem chegava perto das meninas.

Nos anos 80, isso continuou, destacando-se a parte da bebida e das drogas. Para não ser careta, precisava-se fumar muita maconha e cheirar muita cocaína. Misturado com esse coquetel tinham as ideias tipo "Revoluções por Minuto", etc.

Nos anos 90, começou-se a refletir que se a pessoa não fumasse não era tão careta assim. Por algum motivo as pessoas começaram a achar que ter ideologias não era tão importante assim.

A partir dos anos 2000, a juventude entrou numa era muito engraçada. Todo mundo enche a cara, todo mundo tem liberdade total para transar com quem quiser, porém a fase das "Revoluções por Minuto" simplesmente acabou. Todo mundo enche a cara, transa pra caramba, fuma maconha, mas ninguém discute mais ideologias, política, músicas de peso ideológico ou o futuro da humanidade. Ler? O que é isso mesmo? "Ah, pra quê ler? Cansa muito a vista...".

A maioria dos jovens, quando você pergunta: "Tem alguma ideologia política?", a resposta sempre é "Não, sou apolítico!". Como assim "apolítico"?

Em resumo, temos fatalmente uma juventude que "enche a cara, toma drogas, come todo mundo, mas é careta pra caral...". E essa frase não é minha, mas do Caetano Veloso. E diante das reflexões acima, acho que ele tem razão. Além disso, ele deve ficar muito doente da vida, porque a liberdade sexual foi conquistada pela geração dele, e hoje foi transformada em banalidade. Não existe mais aquele glamour da época dele, onde a sedução tinha o toque da intelectualidade e da arte. Hoje, o cara bebe, a menina bebe, os dois se beijam, trepam e o único papo que rola talvez seja "ah, eu adoro o Tião Carreiro e Capataz".

Na minha visão drogas e alcool (se bem que alcool redundantemente também é droga) são elementos indispensáveis para deixar as mentes fracas e portanto "caretas". Ninguém pensa em consumir alcool moderadamente. A moda é encher a cara e depois vomitar: "nóis trupica, mais não cai", "beber, cair e levantar, beber, cair e levantar...". "Nóis gosta de mulher, carro e vodka." E sempre haverá o imbecil que dirá: "Mas não é verdade? Num tem nada melhor que mulher, carro e vodka". A parte da "mulher" eu realmente concordo, mas hoje talvez a juventude goste mais da parte do "carro" e da "vodka", principalmente da "vodka". E o sonho de consumo da garotada é ter um fígado de aço que aguente até gasolina, diesel e quem sabe cianureto.

E não se fala em mais nada a não ser: "meu fígado é flex!". Certo idiota, você tem um fígado flex e uma cabeça de merda.

O Brasil precisa de uma revolução juvenil. Não aquela das armas. Mas a dos livros e das ideias. Porque senão, o papo será sempre aquele entremeado de "ahashaushau" ou "hauahauahauahau" ou "hahaaludalfajafd". Daqui a pouco não haverá muita diferença entre a linguagem humana e a dos cachorros: o twitter será uma festa de "auauau" pra cá, "auauau" pra lá.

A consequência é simples: no mundo dos cachorros sempre haverá alguém para mandar "dá a patinha!", "senta!", "morto!". Morto... Morto, isso mesmo.

5 comentários:

  1. "hUSHUAhUAHsuAHsu", imagino a próxima geração que está por vir

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  2. Pela desburocratização dos rituais de aproximação sexual5 de novembro de 2010 09:29

    Ô minha gente, e que liberdade sexual é essa que requer glamour, arte e intelectualidade como rituais de aproximação sexual? Acho que a geração que conquistou a liberdade sexual tava mais a fim dessa espontaneidade do sexo pós-beijo sem ter que citar as referências bibliográficas antes de tirar a roupa, não? Se não, então só mudou o foco da censura.

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  3. Pela glamourização do ato sexual5 de novembro de 2010 12:17

    Peraí galera! Os rituais de aproximação existem e sem eles vamos entrar logo na era da barbárie. Concordo com a desburocratização. Mas quem disse que preliminares com arte e charme intelectual é sexo burocrático? Pelo contrário. É muito mais gostoso! Já ouviu falar do Kama Sutra, meu caro "Pela desburocratização"? E dos tantras e dessas coisas que dão muito mais graça à transa?

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  4. Pela lubrificação dos rituais de aproximação sexual5 de novembro de 2010 21:02

    Galera, o negócio é facilitar a passagem. E aí vale tudo: de Tião Carreiro a Wittgenstein. Fetiche, dizem. Da minha parte, quando o assunto é sexo, prefiro falar sobre sexo. Mas não vamos desviar o assunto da postagem com um tema já tão banalizado. Vamos falar sobre revoluções e ideologias, e como converter isso em sexo... Abraço, adorei o blog.

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  5. Olha, sou da era das drogas, sexo e rock'n roll, a nossa juventude lia com prazer, revolucionava com objetivos positivos, fumava maconha com fundamentos, fazia sexo com muito glamour, e tinha ideologias reais e objetivas.
    Lamento o que vem ocorrendo hoje em dia com a maioria da juventude, não teem mais os encantos mágicos que tinhamos. Só tenho uma coisa para dizer pra essa juventude: "Conhece-te a ti mesmo!..."(Sócrates)

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