segunda-feira, 11 de agosto de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Virtudes e desonras do Capitalismo

A erudição requer paciência e apreciação metódica. Consumo rápido e a maximização do descartável são características inerentes ao capitalismo de monopólio. Portanto, o capitalismo poderá ter muitas virtudes, mas nunca terá a honra de possuir uma sociedade realmente culta.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Espumantes brasileiros: "Brasileiro não precisa beber champagne", diz especialista


Os brasileiros deveriam ter mais orgulho do espumante produzido no Brasil. Não precisam beber champanhe."

É o que pensa o renomado crítico e consultor inglês de vinhos Steven Spurrier, que ficou conhecido por ter promovido em 1976 o "Julgamento de Paris", uma degustação às cegas que marcou a história do vinho no mundo. Pela primeira vez, grandes vinhos franceses, os melhores exemplares de Bordeaux e Borgonha, foram derrotados por vinhos americanos, da Califórnia.

Em São Paulo, onde esteve na semana passada para uma degustação de espumantes do hemisfério Sul, o consultor se mostrou um apaixonado pelo estilo da bebida nacional, à qual se referiu como "fascinante".

Ele destacou o Reino Unido como mercado de grande potencial para o Brasil. "Há uma lacuna de bebida premium, que poderia ser bem aproveitada pelo brasileiro."

Segundo Spurrier, o consumo de champanhe tem caído em Londres, enquanto o de espumante só cresce. "O sucesso do passado dos champanhes não se repetirá."

O interesse do inglês pela bebida o levou a fazer o seu próprio espumante, em Dorset, no sudoeste da Inglaterra, em sua fazenda de ovelhas. "Descobrimos que o terroir era similar ao da região de Champagne, na França."

Além dos brasileiros, participaram da degustação em São Paulo, promovida pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), espumantes da Argentina, do Chile, da África do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia. Foram 21 amostras, degustadas às cegas –o país de origem, porém, foi divulgado.

Segundo Spurrier, o objetivo não foi fazer um "Julgamento de São Paulo". Entretanto, 11 "juízes" escolheram os três de que mais gostaram.

No método tradicional, um brasileiro, da Miolo, foi o mais votado. Já no método charmat, um neozelandês foi o preferido dos avaliadores.

Matéria publicada na Folha de São Paulo de 01/05/2014.

Abaixo, um vídeo que mostra a competitividade do brut brasileiro no mercado internacional.

domingo, 9 de março de 2014

Ensaio de orquestra

Abaixo, o belíssimo e didático ensaio (rehearsal) de uma orquestra composta por crianças de escolas alemãs, regidas pelo renomado maestro Simon Rattle (atual diretor musical da Filarmônica de Berlim).

Rotten Tomatoes, o portal dos EUA de críticas cinematográficas patrióticas

Há anos venho lendo as criticas e resenhas publicadas no Rotten Tomatoes (RT) como uma referência sobre quais filmes levar em conta na hora de sair para o cinema.

Para quem não sabe, o RT é um portal dos EUA aberto a críticos de vários jornais e revistas especializados na 7a. arte. O site: www.rottentomatoes.com.

Vale ressaltar, e isso será importante no entendimento de tudo que abaixo colocarei, que 99% dos jornais acima mencionados são publicados em solo norte-americano.

E como funciona o Rotten Tomatoes? Sintetizando ao máximo, o portal é dotado de uma escala chamada "tomatômetro". A escala é construída com base na percentagem de críticos que gostaram do filme. Assim, tomando um exemplo real, "Cidadão Kane" (1941) foi resenhado por 66 críticos de cinema estadunidenses (em sua maioria). Todos eles gostaram do filme (deram-lhe um tomate fresco). Assim, o tomatômetro indica 100% (ou cinco estrelas). Já o filme "Norbit" (2007), tomando um outro exemplo, recebeu 123 resenhas. Destas, apenas 11 foram favoráveis (tomate fresco) e 112 desfavoráveis (tomate podre). Portanto, "Norbit", no Rotten Tomatoes, é um filme "podre", com tomatômetro indicativo de 9%. Como observação, um filme é considerado "podre" sempre que está abaixo dos RT 60%. 

Dito isso, vamos ao objetivo principal da postagem:

Hoje finalmente encaixei todas as peças do quebra-cabeça e concluí o que para muitos já seria o óbvio: o Rotten Tomatoes de fato é um dado viciado.

Como assim um dado viciado?

A resposta é que ele é um portal que possui críticos bem patrióticos.

Deixem-me explicar melhor, se me permitem.

Há que se dizer que um filme bom e politicamente neutro é sempre bem recompensado no portal, isso é um fato. Por isso, nunca deixarei de observar as resenhas quando eu puder.

No entanto, um bom filme que tenha características de crítica ácida explícita aos Estados Unidos e à sua sociedade nunca é bem recebido no RT. E tenho que enfatizar o "explícita", pois, algumas vezes, quando o filme é bom, mas possui críticas ao país que sejam veladas ou pouco perceptíveis, como é o caso do ótimo "Margin Call" (2011, RT 88%), muitos críticos abençoam a produção com pouquíssimas reservas.

Se o filme, porém, é bom mas ácido, o caso se transforma. É o que ocorre, por exemplo, com o último "Robocop" (2014), dirigido por José Padilha. Na última cena do filme (isso não é bem um spoiler) vê-se Samuel L. Jackson a exclamar algo como (uma ironia do diretor): "Os Estados Unidos da América é o único país bom do mundo!" Continuamente, durante a projeção, as ironias ácidas são esguichadas e o resultado invariável é que a bilheteria nos EUA foi péssima. Para um filme que teoricamente é um block buster.

E no RT, como foi a recepção? Também péssima. Por mais que a direção seja ótima, e a atuação média seja boa, sem contar os créditos para as demais características técnicas, "Robocop", que começou com um RT de uns 80%, agora tem um RT de 49%. Ou seja, ele é considerado um filme "podre". E a desculpa dos muitos críticos que ultimamente têm rechaçado a obra é que o filme não foi capaz de superar o "Robocop" original de 1987. É isso o que li na maioria dos 93 "tomates podres" emitidos. 

E há um contraexemplo? Um filme ruim que seja ovacionado por ser patriótico?

Já lhes digo: "Walt nos Bastidores de Mary Poppins" (Saving Mr. Banks, 2013). Uma produção horrível, repleta de clichês e atuações paupérrimas, sem falar na trilha sonora piegas. Entretanto, o filme está recheado de louvores a Walt Disney e exalta eficientemente todas as virtudes dos Estados Unidos da América.

Recepção no Rotten Tomatoes: 80%. Eu disse "80%"! E o mesmo ocorre para filmes como "Um Sonho Possível", do mesmo diretor de "Walt nos Bastidores" (J. L. Hancock): filme ruim, exaltador dos EUA, e, inevitavelmente, com 88% no RT.

Um dado viciado, sem dúvida. É o que de fato podemos concluir...

Mas o que esperar dos críticos de uma nação que mistura qualquer decisão séria com o peso do sentimentalismo patriótico?