quinta-feira, 1 de maio de 2014

Espumantes brasileiros: "Brasileiro não precisa beber champagne", diz especialista


Os brasileiros deveriam ter mais orgulho do espumante produzido no Brasil. Não precisam beber champanhe."

É o que pensa o renomado crítico e consultor inglês de vinhos Steven Spurrier, que ficou conhecido por ter promovido em 1976 o "Julgamento de Paris", uma degustação às cegas que marcou a história do vinho no mundo. Pela primeira vez, grandes vinhos franceses, os melhores exemplares de Bordeaux e Borgonha, foram derrotados por vinhos americanos, da Califórnia.

Em São Paulo, onde esteve na semana passada para uma degustação de espumantes do hemisfério Sul, o consultor se mostrou um apaixonado pelo estilo da bebida nacional, à qual se referiu como "fascinante".

Ele destacou o Reino Unido como mercado de grande potencial para o Brasil. "Há uma lacuna de bebida premium, que poderia ser bem aproveitada pelo brasileiro."

Segundo Spurrier, o consumo de champanhe tem caído em Londres, enquanto o de espumante só cresce. "O sucesso do passado dos champanhes não se repetirá."

O interesse do inglês pela bebida o levou a fazer o seu próprio espumante, em Dorset, no sudoeste da Inglaterra, em sua fazenda de ovelhas. "Descobrimos que o terroir era similar ao da região de Champagne, na França."

Além dos brasileiros, participaram da degustação em São Paulo, promovida pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), espumantes da Argentina, do Chile, da África do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia. Foram 21 amostras, degustadas às cegas –o país de origem, porém, foi divulgado.

Segundo Spurrier, o objetivo não foi fazer um "Julgamento de São Paulo". Entretanto, 11 "juízes" escolheram os três de que mais gostaram.

No método tradicional, um brasileiro, da Miolo, foi o mais votado. Já no método charmat, um neozelandês foi o preferido dos avaliadores.

Matéria publicada na Folha de São Paulo de 01/05/2014.

Abaixo, um vídeo que mostra a competitividade do brut brasileiro no mercado internacional.

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